Tatu-canastra: o engenheiro oculto

As obras do tatu-canastra mudam a paisagem do Pantanal. Mas ele nunca era visto em ação – até ser flagrado por armadilhas fotográficas.

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Com até 1,5 metro, o tatu-canastra é o maior tatu brasileiro. Ele trabalha de madrugada, cavando túneis, que beneficiam aves, répteis e outros mamíferos. Fonte da imagem: National Geographic Brasil.

VAMOS DESCOBRIR...

Poucos animais escapam aos olhos de um peão pantaneiro. Esteja a pé, a cavalo ou na carroceria de um veículo 4x4, quem cresceu no Pantanal Mato-Grossense e vive na lida do gado está acostumado a focar pequenos movimentos na vegetação e identificar a espécie – antes mesmo de qualquer turista perceber a presença do bicho.

Somente o tatu-canastra é capaz de cavar túneis de 35 centímetros de diâmetro e até 5 metros de comprimento. Fonte da imagem: National Geographic Brasil


CAVANDO TÚNEIS

Apesar dessa habilidade, nenhum trabalhador da Fazenda Baía das Pedras, no município de Aquidauana, Mato Grosso do Sul, sabia que na região viviam pelo menos 14 tatus-canastra (Priodontes maximus), todos eles bem ativos. Alguns peões até acreditavam que ele estivesse extinto na região, pois ouviam histórias de caça de seus pais e avós, mas jamais toparam com um desses gigantes de armaduras. Nem mesmo durante as comitivas, quando conduzem o gado para leilão e pernoitam a céu aberto. É algo surpreendente – registros do tatu-canastra no Brasil mencionam espécimes de até 1,5 metro de comprimento, 60 centímetros de altura e 60 quilos. As garras dianteiras, em forma de foice, podem ter 20 centímetros de comprimento.

Antes de sair da toca, o tatu-canastra investiga com o olfato apurado. Apesar da falta de informações atualizadas sobre sua distribuição geográfica, a espécie pode ser encontrada desde a Venezuela até o norte da Argentina, incluindo boa parte do território brasileiro. Fonte da imagem: National Geographic Brasil

Apesar do comportamento esquivo da espécie, uma alteração na paisagem sempre intrigou os pantaneiros: os buracos, que surgem por toda parte. Foi preciso que o zoólogo francês Arnaud Desbiez identificasse seus construtores para os peões perceberem como estavam cercados de sinais da presença do grandalhão. Nenhum dos outros tatus é capaz de cavar túneis com 5 metros de extensão e 35 centímetros de diâmetro.

Seu estado de conservação é vulnerável pela lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção da IUCN.

Referência 
National Geographic Brasil

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