Gênios da Ciência: Charles Darwin

A descoberta da chave da vida.

 https://bio-orbis.blogspot.com.br/2016/03/charles-darwin.html
Charles Darwin. Fonte da imagem: amnh.org.

VAMOS CONHECÊ-LO...

Nome: Charles Robert Darwin

Nacionalidade: Britânica

Nascimento: 12 de fevereiro de 1809
Local: Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra

Filiação: Pai - Robert Waring Darwin. Mãe – Susannah Wedgwood. Avô paterno – Erasmus Darwin

Morte: 19 de abril de 1882 (73 anos)
Local: Downe, Kent, Inglaterra

Área: História natural, naturalismo

Teoria: A Origem das Espécies, Seleção Natural e Seleção Sexual

Influências: Charles Lyell e Joseph Dalton Hooker

Influenciado: Thomas Henry Huxley

Instituições: Royal Geographical Society

Prêmios: Medalha Real (1853), Medalha Wollaston (1859), Medalha Copley (1864)




Até meados do século XIX defendia-se que as espécies eram imutáveis, princípio chamado fixismo. Somente a partir do início do século XX a evolução passou a ser mais aceita, e é hoje considerada o eixo central da Biologia.

O fixismo começou a ser contestado primeiramente por Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), e depois por Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913).

A FAMÍLIA DE DARWIN

Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, ele não se fez sozinho. Na medida em que é responsável, mais do que qualquer um (à exceção de Mendel, talvez), pela importância dada às genealogias, convém nos reportarmos a seus dois ilustres avôs, a quem Charles não conheceu.

Darwin quando criança. Fonte da imagem: acaocritica.

O avô materno chamava-se Josiah Wedwood (1730-1795). Ainda que praticamente autodidata, criou, graças ao espírito empreendedor e ao talento para experimentar novos matérias e técnicas de trabalho, aquela que se tornaria uma das principais fábricas de porcelana da Grã-Bretanha, fornecedora da casa real. Ele se casou com uma prima, Sarah, com quem teve oito filhos. A mais velha Susannah (1765-1817), foi a mãe de Charles Darwin.

Erasmus Darwin. Fonte da imagem: bbc.

O avô paterno, Erasmus Darwin (1731-1802), era médico, cientista, inventor e poeta. Foi um homem brilhante, extremamente ativo tanto do ponto de vista intelectual como do prático. Casou-se com Mary Howard, que lhe deu cinco filhos, dos quais dois morreram muito jovens. Seu terceiro filho, Robert Waring Darwin (1766-1848), foi o pai de Charles. Os dois outros filhos, Charles e Erasmus, sucumbiram aos 20 e aos 40 anos de idade, respectivamente. Estudante de medicina, Charles morreu em consequência de uma infecção contraída em uma autópsia, enquanto Erasmus, advogado, em meio a graves problemas financeiros, cometeu suicídio, por afogamento, em um acesso de depressão. Robert Waring batizaria os próprios filhos com o nome de seus dois irmãos mortos.

Erasmus, o avô, era um cientista brilhante: interessava-se por física, química, botânica e geologia. Traduziu do latim um livro de Lineu, Genera plantarum. Escreveu um poema enciclopédia, chamado O jardim botânico. Sua Zoonomia, em dois volumes, é, sem dúvida, sua obra mais conhecida, além de O templo da Natureza, publicação póstuma, de 1803.

Com o casamento de Robert Waring Darwin e Susannah Wedgwood, em 1769, as duas famílias selariam uma união que iria reforçar ainda mais em outras ocasiões: o próprio Charles se casou com uma prima Wedgwood, e uma de suas irmãs faria o mesmo com o primo. O confortável dote de Susannah e os bons rendimentos de seu marido, que vencera na profissão de médico e administrava admiravelmente seus bens, garantiam à família um nível de vida bastante confortável em sua grande casa, The Mount, que adquiriram em Shrewsbury.

OS ANOS DE FORMAÇÃO

Por tradição familiar, Darwin foi cursar medicina com o irmão em Edimburgo. Mas não chegou a concluir o curso.

Darwin em sua juventude. Fonte da imagem: businessinsider.

Após longo tempo, Darwin voltou para casa, por decisão do pai, se dedicaria à vida eclesiástica. Ele nunca teve intenção de ser pastor, mas a ideia não era de todo incômodo. Opor-se às decisões paternas lhe parecia muito pior. Afinal trava-se de uma escolha de vida bastante habitual na época, apreciada pelas famílias de uma certa posição social, sobretudo para quem não tinha manifestado uma autêntica vocação. Além disso, muitos naturalistas eram também eclesiásticos.

Darwin frequentou Cambridge, durante cerca de três anos, entre 1828 e 1831. Seu julgamento sobre a contribuição desses estudos para sua formação não poderia ser menos lapidar: “Eu perdi completamente meu tempo”. Durante esses anos, estudou matemática, autores clássicos e filosofia moral e passou nos exames. E começou a colecionar insetos, uma atividade muito cultivada na época. Trava-se de uma “simples paixão pelo ato de colecionar”, conforme ele mesmo precisou; mas, se ainda não estava imbuído de intenções autenticamente sistemáticas e científicas, isso o aproximaria ainda mais do mundo natural que iria tomar toda sua atenção.

Darwin rumo a sua viagem no Beagle. Fonte da imagem: popsci.

A TEORIA DA SELEÇÃO NATURAL

Entre dezembro de 1831 e outubro de 1836, Charles Darwin realizou uma viagem ao redor do mundo a bordo do navio H. M. S. Beagle.

H. M. S. Beagle. Fonte da imagem: thoughtco.

Com base em muitas observações da natureza e em especial da fauna do arquipélago de Galápagos, Darwin começou a contestar a imutabilidade das espécies. Foi então que suas ideias sobre evolução começaram a ser elaboradas.

A viagem do H. M. S. Beagle. Fonte da imagem: aboutdarwin.

Somente em Galápagos existe uma espécie de iguana marinha que mergulha na água para se alimentar de algas e existem certas espécies de jabutis gigantes que chegam a ter mais de 100 kg de massa corpórea.

Iguana marinha de galápagos (Amblyrhynchus cristatus). Fonte da imagem: portalolm.

As aves de Galápagos foram de grande importância para o desenvolvimento da teoria de Darwin sobre a atuação da seleção natural na especiação. Ele ficou impressionado com as espécies de tentilhão (pássaros da Família Fringillidae) que ocorrem nas diferentes ilhas. A semelhança entre essas espécies levou a Darwin a supor que todas elas se diferenciaram a partir de um grupo ancestral comum, que teria migrado, há muito tempo, do continente para essas ilhas e que, por seleção natural, teriam se adaptado a diferentes modos de vida, dando origem às diferentes espécies.

Um dos tentilhões de Galápagos, Geospiza magnirostris. Fonte da imagem: darwinfoundation.

Em 1838, Darwin leu o ensaio de Thomas Malthus (1766-1834) sobre os princípios que regem as populações humanas, escrito em 1798. Malthus argumentava que o crescimento sem controle da população humana levaria à fome, pois, enquanto a população cresce em escala geométrica, a produção de alimentos cresce em escala aritmética.

Cladograma exemplificando as prováveis relações de parentesco entre os tentilhões de Galápagos. Todas as treze espécies provavelmente derivaram de uma população ancestral que migrou da América do Sul e colonizou Galápagos. Fonte da imagem: darwinista.

Darwin imaginou que esses argumentos poderiam ser aplicados para as populações dos demais seres vivos, em que o crescimento populacional seria controlado por limites impostos pelo meio. A falta de recursos disponíveis para todos levaria a disputas entre organismos, e apenas aqueles com características mais vantajosas teriam condições de sobreviver e deixar descendentes. Assim, o meio atuaria selecionando naturalmente os organismos mais adaptados a ele.

Nos 20 anos que se seguiram após seu retorno, Darwin trabalhou em muitos outros projetos e amadureceu suas ideias sobre evolução. Somente em 1856 começou a escrever o livro que seria o mais importante de sua vida e um dos mais importantes da história da Biologia: A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida. Esse livro só foi publicado em 1859.

A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida. Fonte da imagem: saynsumthn.

Em junho de 1858, o naturalista inglês Alfred Wallace, com base nos estudos que realizou na América do Sul e no arquipélago Malaio, chegou de forma independente às mesmas conclusões de Darwin sobre evolução por seleção natural.

Wallace enviou a Darwin uma carta falando sobre suas ideias a respeito da seleção natural, e os dois redigiram um documento que foi lido numa memorável reunião científica em Londres, em julho de 1858.

Wallace escrevendo um de seus trabalhos incríveis. Fonte da imagem: macroevolution.

As ideias de Wallace foram tão bem elaboradas quanto as de Darwin, mas em função da principalmente da publicação do livro A origem das espécies, que contém grande quantidade de informações sobre o assunto, a Teoria da evolução por seleção natural ficou conhecida como sendo apenas de Darwin. Apesar de Wallace não ter apresentando um trabalho de tão amplo alcance como fez Darwin, ele merece os créditos da elaboração da Teoria da evolução por seleção natural.

O livro A origem das espécies apresenta duas ideias centrais:

- todos os organismos descendem, com modificações, de ancestrais comuns;

- o principal agente de modificações é a ação da seleção natural sobre as variações individuais.

Na primeira ideia Darwin contestava a imutabilidade das espécies, reunindo argumentos com base em estudos de fósseis, da distribuição geográfica das espécies, da anatomia e da embriologia comparadas e da modificação dos organismos domesticados. Neste último caso ele se referia à seleção artificial realizada pelo ser humano, dando origem, por exemplo, às deferentes raças de cães e gatos.

Besouros coletados por Darwin. Fonte da imagem: alamy.

Para a segunda ideia Darwin argumentava que os organismos mais bem adaptados ao meio têm maiores chantes de sobrevivência, deixando um número maior de descendentes. Esses organismos são, portanto, naturalmente selecionados pelo ambiente. O contrário ocorre com os organismos menos adaptados ao meio.

Darwin admitia que os organismos de uma população não são idênticos entre si, apresentando variações em todos os caracteres. Essas variações é que tornam os indivíduos mais adaptados ou menos adaptados ao meio em que vivem.

Na natureza, os recursos são limitados e por isso são disputados pelos organismos, vencendo os que possuem o conjunto de características mais vantajosas para as condições daquele meio. Esse fato é que mantém o número de indivíduos de uma população mais ou menos constante. Os organismos com características vantajosas têm, portanto, mais chances de sobreviver e se reproduzir, passando essas características aos descendentes. Com o tempo essa população vai se modificando, ou seja, vai evoluindo por seleção natural.

Do mesmo modo que Lamarck e Wallace, Darwin também não conseguiu explicar satisfatoriamente a origem da variabilidade nas populações nem como as características são transmitidas ao longo das gerações.

Página dos cadernos de Darwin em torno de julho de 1837 mostrando seu primeiro esboço de uma árvore evolutiva. Fonte da imagem: pinterest.

Com o reconhecimento dos trabalhos de Mendel, em 1900, começaram a surgir explicações sobre os mecanismos de herança. A Genética ganhou, então grande impulso, e com ela desenvolveram-se os estudos que buscam explicar os mecanismos da evolução das espécies.


Fonte: LOPES, Sônia; ROSSO, Sergio. Biologia. Editora Saraiva. 1 ª edição - 2005.

E PARA CONHECER MAIS GÊNIOS DA CIÊNCIA VENHA SEGUIR NOSSA COLEÇÃO SOBRE ELES. E TAMBÉM NÃO DEIXE DE SEGUIR AS OUTRAS. CLIQUEM NAS IMAGENS ABAIXO PARA ACESSAR OS LINKS:

 https://plus.google.com/collection/IPIdQB https://plus.google.com/collection/Ut3sQB

Nenhum comentário:

Postar um comentário