Christian Gram: a coloração das bactérias

A técnica de Gram

 https://bio-orbis.blogspot.com/2017/11/christian-gram-coloracao-das-bacterias.html
Christian Gram. Fonte da imagem: UNESCO.

VAMOS CONHECÊ-LO...

Nome: Hans Christian Joachim Gram.

Nascimento: 13 de setembro de 1853, Copenhague.

Morte: 14 de novembro de 1938 (85 anos), Copenhague.

Nacionalidade: Dinamarquês.

Área: Bacteriologista, medicina.

Principal contribuição: inventou a técnica de Gram.

O GRANDE GÊNIO DA COLORAÇÃO DAS BACTÉRIAS


Em 1884, o médico Christian Gram (Figura 2) desenvolveu um corante até hoje utilizado para a separação de bactérias em dois grandes grupos: Gram-positivas e Gram-negativas (Figura 4).
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Figura 2. Christian Gram. Fonte da imagem: scienceprofonline.

As Gram-positivas, devido às características típicas de sua parede celular, retêm o corante de Gram, o que não ocorre com as Gram-negativas. Estudos mostram que certos antibióticos são mais eficientes contra bactérias Gram-positivas, enquanto outros são indicados para o tratamento de infecções causadas por Gram-negativas.


Mycobacterium-tuberculosis
Figura 3. Mycobacterium tuberculosis. Fonte da imagem: foxnews.

Nem toda bactéria, porém, é reconhecida através do método de Gram. É o caso da bactéria causadora da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis ou Bacilo de Koch, Figura 3), cujo reconhecimento em exames de laboratório depende da utilização de métodos de coloração mais sofisticados.

PROCEDIMENTOS PARA A COLORAÇÃO DE GRAM


- Em uma lâmina, contendo esfregaço seco, cubra-o pingando gotas de violeta-de-metila e deixe por 15 segundos;
- Adicione água ao esfregaço, em cima do violeta-de-metila, cobrindo toda a lâmina. Deixe agir por mais 45 segundos;
- Após o tempo corrido, escorra o corante e lave o esfregaço em um filete de água corrente. Cubra a lâmina com lugol ou lodo de Gram e deixe por 60 segundo;
- Escorra todo o lugol e lave em filete de água corrente;
- Aplique álcool etílico a 95%, ou acetona, para descorar a lâmina por 10 a 20 segundos;
- Lave em um filete de água corrente;
- Cubra toda a lâmina com safarina e deixe corar por aproximadamente 30 segundos;
- Lave a lâmina em um filete de água;
- Seque a lâmina com o auxílio de um papel de filtro limpo ou deixe-a secar ao ar livre;
- Aplique uma gota de óleo de imersão sobre o esfregaço e observe no microscópio com objetiva de imersão (100x).

Os resultados após a coloração de Gram permitem classificar as bactérias nos grupos abaixo:

Bactérias-Gram-positivas-Gram-negativas
Figura 4. Bactérias Gram-positivas e Gram-negativas. Fonte da imagem: VivendoCiências.

Quando as estruturas celulares são cobertas pelo corante violeta-de-metila, todas se coram em roxa. Com a adição do mordente (Soluto de Lugol), ocorre à formação do complexo iodo-pararosanilina, que tem como propriedade fixar o corante primário nas estruturas coradas.
Mycobacterium-tuberculosis-microscópio-objetiva-imersão
Figura 5. Mycobacterium tuberculosis, imagem do microscópico com objetiva de imersão (100x). Fonte da imagem: ThermoFisher.

Algumas estruturas perdem a cor violeta rapidamente, quando ocorre a lavagem, com álcool etílico, enquanto outras perdem sua coloração mais devagar ou a perdem completamente. O corante safranina colore novamente as estruturas que foram descoradas.



BACTÉRIAS GRAM-POSITIVAS


As bactérias Gram-positivas, que têm a parede celular (Figura 6) composta por mureína (peptídeoglicano - peptídeo de ácido n-acetil murâmico), durante o processo de descoloração com álcool etílico, retém o corante, permanecendo com a coloração conferida pelo corante primário (roxo). 

bactéria-gram-positiva-parede-celular
Figura 6. Parede celular das bactérias Gram-positivas. Fonte da imagem: VivendoCiências.

BACTÉRIAS GRAM-NEGATIVAS


Já as bactérias Gram-negativas com parede celular (Figura 7) composta predominantemente por ácidos graxos (lipopolissacarídeos e lipoproteínas), perdem o complexo iodo-pararosanilina, são incapazes de reter o violeta de Genciana, assumindo a cor do corante de fundo (vermelha).
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Figura 7. Parede celular das bactérias Gram-negativas. Fonte da imagem: VivendoCiências.

São as diferenças da estrutura da parede bacteriana, principalmente com relação à espessura da camada de peptidoglicano, que é responsável pelo diferente comportamento das bactérias diante da coloração de Gram.

Referências 
AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia dos Organismos. Classificação, estrutura e função nos seres vivos. Editora Moderna. Volume 2. 1ª edição. 1998.
UZUNIAN, Armênio; BIRNER, Ernesto. Biologia 2. Editora Harbra. Prêmio Jabuti, 2002.

Para finalizar veja um vídeo do canal glauberararuna, sobre Microbiologia - Técnicas de coloração em bactérias:


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