As serpentes não peçonhentas

As serpentes temidas por seus venenos mortais, mas aqui vamos apresentar as não peçonhentas, parecem inofensivas mas são bastante perigosas.

 http://www.bioorbis.org/2018/01/as-serpentes-nao-peconhentas.html

VAMOS DESCOBRIR...

O termo serpente não peçonhenta, apesar, das divergências entre pesquisadores, pode ser definido para aquelas serpentes que produzem uma substância tóxica (veneno), mas não apresentam um aparelho inoculador, sendo que, aquelas que apresentam aparelho excretor voluntário são as venenosas ativas, e as que não apresentam tal aparelho são ditas venenosas passivas.

As serpentes não peçonhentas representam cerca de 80% da fauna ofídica brasileira, e estão distribuídas por sete famílias: Anomalepididae (Figura 2), Leptotyphlopidae (Figura 1), Aniliidae, Boidade, Tropidopheiidae e Colubridae, distribuídas por todo o território brasileiro, com mais de duas centenas de espécies.

Figura 1. Leptotyphlopidae. Fonte da imagem: Astronomy.

A função venosa dos ofídicos resulta da associação direta entre as glândulas secretoras de veneno e os dentes inoculadores. Quanto à posição e às estruturas dos dentes inoculadores, as serpentes podem ser divididas em quatro grupos: áglifas e opistóglifas (não peçonhentas), e proteróglifas e solenóglifas (peçonhentas).

Figura 2. Anomalepididae. Fonte da imagem: Ecoregistros.

- Áglifas: os dentes do maxilar são, aproximadamente, do mesmo tamanho, sólidos e não apresentam sulcos.

- Opistóglifas: os dentes do maxilar são, aproximadamente, do mesmo tamanho e apresentam, posteriormente, um ou mais pares de dentes maiores e sulcados longitudinalmente.

FAMÍLIAS E AS ESPÉCIES

Famílias Anomalepididae, Leptotyphlopidae e Typhlopidae (agrupamento didático)

Figura 3. Typhlopidae. Fonte da imagem: Picssr.

Essas famílias são formadas por serpentes de constituição muito rudimentar; olhos inapetentes ou vestigiais; hábitos fossóriais, vêm à superfície quando o solo está muito encharcado ou quando se revolve a terra; aspecto do corpo vermiforme, liso e brilhante (alguns são confundidos com minhocas); porte pequeno, alcançam pouco mais de 30cm de comprimento; são encontrados por todo o Brasil, inclusive em áreas urbanas; têm a boca muito pequena, o que praticamente os impede de morder; são totalmente inofensivos. Nome popular (Figuras 1, 2 e 3): cobra-cega; fura-terra.

Família Aniliidae

Figura 4. Anilius. Fonte da imagem: SnakeSarelong.

No Brasil, só ocorre o gênero Anilius (Figura 4); são serpentes de constituição primitiva; apresenta olho muito pequeno sobe uma placa pentagonal irregular; tem hábitos fossoriais, também vêm à superfície somente quando o solo está muito encharcado ou quando se resolve a terra; podem alcançar pouco mais de 1m de comprimento, são encontrados na Amazônia e em matas-galerias do centro de Goiás. Por apresentarem anéis vermelhos no corpo, são temidos e confundidos com as corais peçonhentas; são totalmente inofensivos. Nome popular: cobra coral (falsa).

Família Boidae

Nessa família se encontram as maiores serpentes atuais: são as jiboias (Figuras 5 e 6) e anacondas (sucuris), típicas do Novo Mundo. Possuem dentição áglifa, com dentes maxilares e mandibulares anteriores maiores que os posteriores; cabeça com forma triangular, coberta por numerosas escamas pequenas e irregulares. O corpo é forte e robusto; com musculatura bem desenvolvida, matam suas presas por constrição.

Figura 5. Boa constrictor. Fonte da imagem: BeardsleyZoo.

A Boa constrictor (jiboia; Figura 5) é encontrada em todo o Brasil, exceto no extremo sul. É muito utilizada por camelôs e artistas como animal de estimação. Alguns exemplares são dóceis, outros extremamente ariscos, e chegam a morder, grandes exemplares podem ultrapassar 4m de comprimento.

A Epicrates sp (salamanta; Figura 6) também é encontrada por todo o Brasil, com exceção da Região Sul. É bem menor que a anterior e muito agressiva.

Figura 6. Epicrates. Fonte da imagem: YouTube.

As serpentes do gênero Eunectes (sucuri) podem atingir 10m de comprimento. De hábito semiaquático, geralmente se enrolam na presa para matá-la, levando-a para dentro d’água. Embora relatos populares afirmem que a sucuri é capaz de engolir um boi, não se tem registro deste fato, porém em relação a um bezerro isto é bastante possível. Pelo tamanho e pela força que detêm, tornam-se muito perigosas ao homem. São encontradas por todo o Brasil, acompanhando as grandes bacias hidrográficas.

Figura 7. Corallus caninus. Fonte da imagem: Aspundir.

A Corallus caninus (periquitambóia; Figura 7) é arborícola, possui cabeça em forma triangular, bem distinta do pescoço, e olho com pupila vertical. O corpo é verde com manchas brancas e amarelas. É encontrada somente na região amazônica. Pode morder, mas é inofensiva, apesar de ser muito temida, provavelmente, por ser confundida com a outra serpente também verde, a Bothriopsis bilineata (jararaca-verde), que é peçonhenta.

Todos os representantes dessa família são de porte avantajado e dotados de muita força muscular. Com isso, os acidentes podem ser importantes pelo aspecto traumático e não por envenenamento.

Família Colubridae

A grande maioria das serpentes não peçonhentas pertence a essa família que apresenta uma multiplicidade de gêneros e espécies com características próprias e distintas. Cosmopolita, é a maior e mais diversificada das famílias, o que faz que apresente uma série de problemas sistemáticos.

Figura 8. Atractus. Fonte da imagem: CalPhotos.

São encontradas nos ambientes aquáticos ou terrestres, podendo ser fossoriais, arborícolas e semi-arborícolas. Quanto ao tamanho, podem variar de pequenas, 30 a 40cm, a grandes, que podem ultrapassar 2m de comprimento. A coloração também é extremamente variada, de monocromáticas e lisas a coloridas estriadas, manchadas ou com anéis. Quanto à agressividade, existem de todos os tipos; quanto à periculosidade, temos animais totalmente inofensivos até aqueles que podem causar acidentes sérios.

Figura 9. Helicops. Fonte da imagem: SmugMug.

A grande divisão práticas que a família permite é quanto à dentição: áglifas e opistóglifas. As da série áglifa podem ser de porte pequeno, médio e grande, mas por apresentarem esse tipo de dentição, os acidentes podem ser importantes pelo aspecto traumático, principalmente nas espécies que apresentam exemplares agressivos e / ou grande, ou eventualmente ocorrem infecções secundárias. Exemplos: Atractus sp (cobra-da-terra; Figura 8), Chironinus sp (cobra-cipó; Figura 10), Helicops sp (cobra-d’água; Figura 9), Spilotes sp (caninana; Figura 14), Hydrodynastes sp (surucucu-do-pantanal; Figura 11), Drymarchon sp (papa-ovo; Figura 12).

Figura 10. Chironinus. Fonte da imagem: Herpetofauna.

Figura 11. Hydrodynastes. Fonte da imagem: ICMBio.

As da série opistóglifa merecem uma atenção especial, pois o tipo de dentição permite, em algumas espécies e em determinadas circunstâncias, que o acidente possa evoluir para um quadro clínico importante, uma vez que os dentes posteriores, maiores e caniculados, estão ligados às glândulas produtoras de veneno. A inoculação se dá quando a serpente morde e se fixa no local atingido, movimentando alternadamente os maxilares direito e esquerdo, ao mesmo tempo em que o veneno é liberado aos poucos pelas glândulas e escorre pelo sulco do dente.

Figura 12. Drymarchon. Fonte da imagem: MABA.

Figura 13. Philodryas olfersii. Fonte da imagem: flickr.

Dentre as várias espécies opistóglifas destaca a Philodryas olfersii (boiubu, boiubi, cobra-verde; Figura 13); o corpo é verde com uma linha longitudinal médio dorsal marrom, o ventre mais claro, ligeiramente amarelado, o topo da cabeça castanho metálico e uma faixa mais escura na altura dos olhos. É diurna, mais ativa principalmente nas horas quentes da manhã e início da tarde; semi-arborícola, encontrada em ambientes abertos e bordas de mata, se desloca pelo solo ou sobre a vegetação; grandes exemplares medem pouco mais de 1m de comprimento; quando assustadas desloca-se rapidamente e com muita agilidade, procurando abrigar-se em alguma moita. Acuada ou capturada, avança contra o oponente, morde com facilidade e rapidamente inocula veneno podendo evoluir e apresentar manifestações clínicas; tem ampla distribuição pelo Brasil, desde o Sul até o Nordeste.

Figura 14. Spilotes. Fonte da imagem: CalPhotos.

CONSERVAÇÃO

Como vocês podem ver mesmo as não peçonhentas pode ser perigosas, mas algumas são inofensivas e não causam perigo nenhum a saúde humana. Por isso temos que saber quais para não mata-las só porque temos medo, lembrem-se que a conservação e preservação desses animais na natureza é de extrema e fundamental importância e de nossa integra responsabilidade, pois eles ajudam na manutenção dos ecossistemas, controle de pragas (roedores e outros pequenos mamíferos), entre outros.

Fonte: CARDOSO, et al. Animais peçonhentos no Brasil. Biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. Editora Sarvier, 2009.

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