terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A perereca da caatinga e sua arma contra predadores

Algumas pererecas têm cabeça cascuda muito peculiar, apresentando a derme cutânea mineralizada e unida ao crânio, em um fenômeno conhecido como co-ossificação.

 http://www.bioorbis.org/2018/02/a-perereca-da-caatinga-e-sua-arma.html
A perereca Corythomantis greeningi. Fonte da imagem: ARB.

VAMOS DESCOBRIR...

Esse tipo de cabeça co-ossificada (Figura 4) geralmente está associado com a fragmose, um comportamento defensivo contra predadores e contra a perda d’água, no qual o animal entra em um buraco e o fecha com a cabeça, ali permanecendo às vezes por longo tempo.

Figura 2. A Caatinga, habitat natural da perereca Corythomantis greeningi. Fonte da imagem: Mongabay.

Estudos morfológicos na espécie Corythomantis greeningi (Figura 3), uma perereca que habita o semiárido brasileiro, na caatinga (Figura 2), demonstraram que, além de co-ossificada, sua cabeça apresenta inúmeras ornamentações na forma de espículas ósseas, entremeadas com um grande número de glândulas cutâneas de veneno. Apesar de exercer um papel na proteção contra perda d’água, nesse animal a co-ossificação tem uma importante função na proteção do anfíbio contra predadores.

Figura 3. Corythomantis greeningi. Fonte da imagem: UOL.

Estudos toxicológicos demonstraram também que o veneno secretado pelas glândulas da cabeça apresenta alto grau de letalidade em camundongos, com uma dose letal em torno de 70 ug, valor próximo ao da serpente jararaca (Bothrops jararaca). 

Figura 4. Crânio co-ossificado, coberto por espículas dérmicas ósseas da perereca Corythomantis greeningi. Fonte da imagem: NaturezaEConservação.

Dessa forma, o predador, ao tentar morder a cabeça desse anfíbio, tem grande probabilidade de se ferir com as espículas ósseas presentes na derme. Além disso, ao ser pressionada pela mordida, a pele da cabeça libera o conteúdo das inúmeras glândulas venenosas em torno dessas espículas (Figura 5). O veneno, auxiliado pelos ferimentos, penetra rapidamente pela mucosa oral do predador, caindo na circulação sanguínea e causando seu envenenamento.

Figura 5. Detalhe das espículas ósseas. Fonte da imagem: FeaturedCreature.

Um tipo similar de defesa ocorre nas salamandras asiáticas do gênero Tylototriton. A espécie T. verrucosus, quando se sente ameaçada, estufa e enrijece o corpo fazendo com que as pontas das costelas perfurem acúmulos glandulares presentes nas laterais do corpo. Assim, nesse animal, no caso de um ataque, as costelas, impregnadas de veneno, servem como poderosas armas que são, então, introduzidas na boca do predador.

Fonte: CARDOSO, et al. Animais Peçonhentos no Brasil. Biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. Editora Sarvier. 2009.

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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá Flavio,

      Nos agradecemos por ter gostado de nossa postagem e que ela tenha te dado mais conhecimento desse incrível anuro.

      Abraços,

      Equipe BioOrbis.

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