O primo brasileiro do Tiranossauro rex

Pycnonemosaurus nevesi é um dinossauro da família dos Abelisauridae que viveu há cerca de 70 milhões de anos no território brasileiro correspondente hoje ao Estado do Mato Grosso. Cientistas brasileiros concluíram, através de uma nova pesquisa, que a espécie tinha 8,9 metros da cabeça à ponta da cauda.

 http://www.bioorbis.org/2018/03/o-primo-brasileiro-do-tiranossauro-rex.html
O primo brasileiro do Tiranossauro rex, Pycnonemosaurus nevesi. Fonte da imagem: meioinfo.eco.

VAMOS DESCOBRIR...

A pesquisa, publicada na revista científica Cretaceous Research, foi conduzida pelos brasileiros Orlando Grillo, paleobiólogo e zoólogo do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Rafael Delcourt, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP). A equipe de cientistas analisou fósseis de 37 dinossauros da família Abelisauridae, que reúne carnívoros bípedes, de fortes membros posteriores e crânios cobertos com sulcos e depressões.

Figura 2. Tyrannosaurus rex. Fonte da imagem: newatlas.

Com a descoberta, o Pycnonemossauro brasileiro ultrapassa por um metro o dinossauro argentino Carnotaurus sastrei, que os pesquisadores acreditavam ser o maior membro do grupo dos Abelisauridae. Portanto, agora o dinossauro brasileiro é o maior exemplar da família Abelisauridae, “primo” dos temidos Tyrannosaurus rex (Figura 2).

CONFUSÃO NOS TAMANHOS DOS DINOSSAUROS

“Há muita confusão nas estimativas do tamanho dos dinossauros, pois os métodos utilizados divergem de um trabalho para outro. Anteriormente, o Pycnonemossauro brasileiro havia sido descrito como um dos menores de seu grupo. Conhecer o tamanho de um dinossauro é importante para nossos estudos, como de paleoecologia e biomecânica” […] “O mais comum é que as espécies descritas pelos pesquisadores tenham seu tamanho estimado por meio de proporções diretas, feitas com regra de três que comparam os ossos de outros dinossauros. O método é geralmente impreciso, já que as medidas corporais variam bastante entre os animais”, explica Grillo.

Para uniformizar a dimensão das espécies analisadas no estudo, a equipe de Grillo e Delcourt utilizou um mesmo método em todos os fósseis. Foram feitas regressões lineares baseadas no tamanho das vértebras e tíbia, cujas correlação com o comprimento corporal total é de 95 a 98%.

“São valores muito altos, o que indica que o cálculo é muito preciso”, disse Orlando.

GIGANTES PREDADORES

O nome Pycnonemosaurus significa ‘lagarto da mata densa’, em alusão ao Mato Grosso, onde os fósseis da espécie foram encontrados em 1952. O animal, que vivia na Chapada dos Guimarães era tido como o segundo maior dinossauro brasileiro, perdendo apenas para Oxalaia (Figura 3), um terópode de 12 a 14 metros de comprimento que viveu há 95 milhões de anos onde hoje é o Maranhão.

Figura 3. Oxalaia. Fonte da imagem: ru.extinct-animals.wikia.

O Carnotauro argentino (Figura 4), que até então era descrito como o maior desse grupo de dinossauros, com 7,8 metros de comprimento, é conhecido por ser uma das espécies descritas no livro Mundo Perdido, de Michael Crichton, que inspirou o grande vilão de Jurassic World, último filme da série Parque dos Dinossauros, o dinossauro Indominus Rex.

Figura 4. Carnotauro argentino. Fonte da imagem: defondos.

Sua aparência é marcante, com chifres no topo da cabeça, mas em comprimento, como descobriu a equipe brasileira, ele perde em pouco mais de um metro.

A pesquisa também identificou que as espécies da família Abelisauridade cresceram ao longo de sua evolução. A suspeita é que eles tenham acompanhado o aumento de tamanho de suas presas.


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