A pequena e rara pararu-espelho

Uma das aves mais raras brasileiras, tendo poucas fotos e registros antigos. Está criticamente ameaçada de extinção pela devastação da Mata Atlântica.

 http://www.bioorbis.org/2018/05/ave-rara-pararu-espelho-extincao.html
Um macho solitário capturado pelas lentes de Luiz Claudio Marigo. Fonte da imagem: arkive.

VENHA E DESCUBRA...

A pomba-de-espelho, também conhecida como pararu-espelho, é uma pomba de médio porte, com dimorfismo sexual bem evidente. Seu nome científico antes era Claravis godefrida, agora é Claravis geoffroyi, que significa do latim clarus = claro, distinto; e avis = ave, pássaro; e de geoffroyi = homenagem ao zoólogo francês Étienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844).

CARACTERÍSTICAS MORFOLOGICAS

A plumagem do macho é cinza azulado, com duas largas faixas transversais na as de cor castanho cobreada. A fêmea é parda, com as faixas alares de coloração séptia-violácea. Medindo cerca de 22 a 24 cm de comprimento.


Fêmea da rara pararu-espelho. Foto tirada por donna lynn. Fonte da imagem: flickr.

HÁBTIOS E ALIMENTAÇÃO

Trata-se de uma espécie florestal, de hábito terrícola, explorando preferencialmente os taquarais de regiões serranas (SCOOT & BROOKE, 1985, SICK, 1993) em busca da frutificação dessas dessas plantas como fonte de alimentar (COLLAR et al. 1992).


Espécie em meio aos taquarais da Mata Atlântica. Fonte da imagem: taenos.

Entretanto pode forragear no solo de campos abertos, atraída por sementes de gramíneas que surgem com o rebrotamento pós-queimada (COLLAR et al. 1992).


REPRODUÇÃO

Os dados relacionados a reprodução da pararu-espelho são bem escassos. O que se sabe, é que a atividade reprodutora ocorre no verão, nos meses de Novembro a Fevereiro.


Desenho artístico do casal da Claravis geoffroyi. Fonte da imagem: faunayfloradelargentinanativa.

Informações a respeito de seu processo de nidificação, também são raros. Segundo um relato, este é montado em árvores espessas e com muitos ramos. Se o ninho, seguir o critério dos columbídeos, sua forma lembrará uma tigela achatada, com gravetos secos mal reunidos.

DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA

Os registros existentes indicam uma raridade natural em sua área de distribuição geográfica, embora alguns relatos antigos mencionem a espécie como de caráter comum para algumas localidades.

A escassez ou ausência atual, em vários estados atesta o declínio de suas populações no Brasil. Em Minas Gerais, não ocorre registro da espécie há mais de 50 anos. Já é considerada localmente extinta em Viçosa, onde foi registrada pela última vez na década de 1930 (SIMON & RIBON, 1996, 1997). Presente também no Sul da Bahia até Santa Catarina.


Macho da espécie Claravis geoffroyi. Fonte da imagem: pinterest.

Fora do país, ocorre apenas no Paraguai (BERTONI, 1901) e Argentina (OLROG, 1979), sendo por isso considerada uma espécie quase endêmica do Brasil.


Há relatos de indivíduos que foram encontrados em regiões montanhosas de até 2.300 metros de altitude. Sick (1997), relatou bandos de aves nos arredores de Teresópolis - RJ, região de altitudes que variam de 869 (centro da cidade) a 2.262 metros de altitude (Serra dos Órgãos). Também há relatos de aves observadas em Itatiaia - SP, onde as altitudes variam de 600 a 2.789 metros (Pico das Agulhas Negras) e na RPPN Parque do Zizo/SP, em 2007, durante forte frutificação do bambu.

PRINCIPAIS AMEAÇAS

Por se tratar de espécie associada aos taquaris da Mata Atlântica, a devastação desse ecossistema constitui a principal ameaça à sua sobrevivência. Supondo-se que ainda exista em renascentes florestais. Mas ela continuaria ameaçada, uma vez que a distribuição fragmentada das matas restringe fortemente seu comportamento nômade, aparentemente necessário para suplantar os períodos de interfrutificação dos taquaris, sua principal fonte de alimento.


Mata Atlântica. Fonte da imagem: pixabay.

Atualmente, mesmo não havendo dados indicando pressão de captura ou caça sobre a espécie, como ocorria no passado (KING, 1978, 1979 e NEATHER 1989, citados por COLLAR et al. 1992), essa possibilidade não deve ser descartada.

ESTRATÉGIAS DE CONSERVAÇÃO

A sobrevivência da espécie depende fundamentalmente da preservação dos últimos remanescentes de taquarais ainda existentes em áreas serranas dos estados que ainda existem.

Referências
BERTONI, A.W. 1901. Aves nuevas del Paraguay: catálogo de las aves del Paragauy. An. Cient. Paraguay, Ser. 1:1-216.
COLLAR, N.J, L.P. GONZAGA, N. KRABBE, A. MANDRÑO NIETO, L.G. NARANJO, T.A PARLER III & D. WEGE (1992). Threatened birds of the Americas: the ICBP/IUCN red data book. Cambridge, INternational Council for Bird Preservation. 1150 pp.
OLROG, C.C. 1979. Nueva lista de la avifauna Argentina. Tucumán, Ministerio de Cultura y Educación, Fundación Miguel Lillo (Opera Liloana 27).
PINTO O.M. de O. 1952. Súmula histórica e sistemática da ornitologia de Minas-Gerais. Arq. Zool. São Paulo VIII (1): 1-51.
SCOTT, D.A. & M.L BROOKE. 1985. The endangered avifauna of sutheastern Brazil: a report in the BOU/WWF expeditions of 1980/1981 and 1981/1982, p. 115-139. In: A.W. Diamond & T.E Lovejoy (eds.) Conservation of tropical forest birds. Techn. Public.4. Cambridge, International Council fo Birds Preservation.
SICK, H. 1993. Birds in Brazil: a natural history. Princeton, Princeton University Press. 703 pp.
SIMON J.E & R. Ribon. 1996. As aves colecionadas por João Moojen na Zona da mata Mineira na década de 30. Campinas, Resumos do V Congresso Brasileiro de Ornitologia. p. 111.
SIMON, J.E. & R. Ribon. 1997. Extinção de aves na região de Viçosa, Zona da Mata de Minas Gerais. Belo Horizonte, Resumos do VI Congresso Brasileiro de Ornitologia. p. 67.
WEGE, D. C & A.J LONG. 1995. Key areas for threatened birds in the neotropics. Cambridge, BirdLife Conservation. Series 5. 311 pp.

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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Realmente é uma alternativa boa, pois não somente a pararu-espelho, mas também muitas outras espécies dependem dos taquaras. Ou seja essa planta é uma espécie chave para a conservação e preservação de muitas espécies nos ecossistemas da Mata Atlântica.

      Um abraço Uilmara, e até a próxima.

      Equipe BioOrbis.

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