Conheçam o menor mamífero carnívoro do mundo

Eles podem ser até pequeninos, mas são predadores vorazes. Ou seja, tamanho no reino animal não é documento.

 http://www.bioorbis.org/2018/06/descubra-menor-mamifero-carnivoro-mundo.html
A pequena doninha-anã, é considerada o menor mamífero carnívoro do mundo. Fonte da imagem: pixabay.

VAMOS DESCOBRIR...

A doninha-anã (Mustela nivalis) é uma espécie de mustelídeo, da família Mustelidae. Que também é composta pelos furões, lontras, texugos e as doninhas. Ela pode ser encontrado na Europa, Ásia e América do Norte, geralmente em áreas ao norte, mas já foram encontradas também no norte da África. Na Austrália e na Nova Zelândia, foram acidentalmente introduzidas pelo homem.

ONDE ESSE PEQUENINO VIVE?


Esse pequeno animal, pode viver em uma diversidade de habitats, desde bosques abertos, campos de cultivo, pradarias, dunas, zonas ripícolas e até mesmo prados alpinos. 

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Figura 2. A doninha-anã, pequena e feroz. Fonte da imagem: pixabay.

Mas essa variedade de ambientes depende da abundância de alimento disponível, em casos de procura por suas presas, elas podem até ocupar territórios urbanos.

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO


Com seus pequeninos 23 centímetros, ela é considera o menor mamífero carnívoro vivo.  Mas isso não significa que ela seja o menor mamífero que se alimenta de carne, esse título já pertence ao musaranho, apesar que sua dieta ser a base de insetos, e não carne de vertebrados, como no caso da nossa pequena amiga doninha-anã. 

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Figura 3. Mesmo no meio dos rochedos, ela consegue capturar um rato. Fonte da imagem: pixabay.

Mas ela é apenas o menor membro vivo da ordem Carnivora, que se alimenta de carne de vertebrados.

PEQUENA MAS VORAZ


Ela pode ser pequena, mas ela é uma predadora especializada no consumo de outros mamíferos. O seu prato principal são os roedores (Figura 3), com especial destaque para o gênero Microtus (ratos-cegos). Caso estes pobres ratinhos não estiverem disponíveis, ela irá se alimentar de coelhos (Figura 4), ovos e crias de aves (Figura 7) ou ainda de lagartos, anfíbios, minhocas e até de inclusive se aparecer na reta dela, mamíferos de maior porte... só se os encontrar mortos.

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Figura 4. Pode ser pequena, mas ela é voraz, na imagem ela está devorando um coelho, que é bem maior que ela. Fonte da imagem: arkive.

Podendo também incluir na sua dieta frutos, sementes, vegetais e insetos. Como consequência de não terem um dimorfismo sexual bem evidente, podem existir diferenças significativas na dieta de ambos os sexos, sendo as fêmeas mais dependentes de presas por mamíferos pequenos.

COMPORTAMENTO E VIDA SOCIAL


Devido ao seu “elevado” tamanho, apresenta elevados gastos energéticos na termorregulação de pequenino corpo. Assim sendo necessita de uma regular ingestão de alimento (aproximadamente 5 a 10 presas/dia), o que a leva ficar em atividade tanto de dia como de noite, intercalando algumas horas de descanso. Caça sobretudo nos subterrâneos, sendo que o seu pequeno tamanho e forma do corpo tubular lhe permitem entrar nas tocas e tuneis (Figura 5) de roedores. Mas, isso não a impede de perseguir presas tanto em árvores como na água.

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Figura 5. Nesta imagem você pode ver sua linda pelagem de inverno, no qual elas ficam brancas. Fonte da imagem: pixabay.

Tirando a época de reprodução, são animais bastante solitários. Inclusivamente os laços entre as fêmeas e as suas crias são restritos ao período de amamentação, que dura cerca de 2 meses. As áreas vitais dos machos, que em Portugal variam, podem incluir uma ou mais áreas vitais de fêmeas. Quanto ao seu território, são defendidos ferozmente por adultos do mesmo sexo, sendo porém os machos, na altura da reprodução, abandonarem o seu território em busca das fêmeas. Em questões de territorialidade, a abundância de presas parece ser mais determinante que a sua reprodução.

REPRODUÇÃO


A doninha-anã é uma das poucas espécies de mustelídeos em que a implantação não é diferida, fixando-se os embriões na parede do útero materno logo após o acasalamento. O período de reprodução ocorre normalmente entre Março e Julho, sucedendo os nascimentos (entre 4 a 6 crias, Figura 6) 34 a 37 dias após o acasalamento. Contudo a atividade reprodutiva parece ser influenciada por fatores ambientais, tais eles como fotoperíodo e a disponibilidade de alimento, podendo assim reproduzir-se em qualquer altura do ano.

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Figura 6. Um grupo de doninhas, provavelmente uma dessas é a fêmea mãe e os outros filhotes. Fonte da imagem: pinterest.

Durante a fase em que estão maturas sexualmente, os machos procuram acasalar com o maior número de fêmeas, mas porém não participam da criação dos filhotes. O desenvolvimento dos filhotes é bem rápido, as fêmeas podem atingir a maturidade sexual aos 3/4 mês. Este fato, aliado com o de que podem produzir 2 ninhadas por ano, permite a essas pequenas criaturas um rápido crescimento populacional.

CONSERVAÇÃO E AMEAÇAS SOBRE A ESPÉCIE


Em zonas rurais elas tem sido perseguidas esporadicamente pelo homem, principalmente por serem consideradas predadoras de espécies cinegéticas de aves, sendo pouco valorizado o seu papel benéfico no controle de roedores, que no qual são muito mais danosas a plantações do que elas.

O abando dos campos de plantações e a degradação e fragmentação do seu habitat devido ao crescimento de matos, é uma das ameaças que essas pequenas predadoras sofrem. Este fato leva à diminuição das áreas abertas onde geralmente elas procuram presas para caçar.

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Figura 7. Ei, espere, é uma doninha no dorso desse pica-pau? Sim ela mesma, veja como esse pequeno mamífero é bem feroz. Fonte da imagem: photorator.

Outra consequência grave, é o uso de pesticidas, que é responsável pelo envenenamento de inúmeros espécimes. Em contrapartida, como também acontece com os outros carnívoros, os atropelamentos têm um forte contribuição para a diminuição da população dessa espécie.
Ainda bem que essa pequenina espécie, tanto a nível mundial como nacional, não se encontra incluída em nenhuma das categorias de ameaça, sendo a sua situação considerada como “pouco preocupante” tanto pela IUCN como pelo Livro Vermelho dos vertebrados de Portugal.

Referências
Palomo L. J., Gisbert J., Blanco J. C. (2007). Atlas y Libro Rojo de los Mamíferos Terrestres de España. Dirección General para la Biodiversidad-SECEM-SECEMU, Madrid.
POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006.
Sheffield S. R., King C. M. 1994. Mustela nivalis. Mammalian Species No. 454. Amer. Soc. Mamm.
IUCN 2014. The IUCN Red List of Threatened Species. Disponível em: www.iucnredlist.org.
ICNF 2014. Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Disponível em: www.icnf.pt.

Para finalizar vejam um vídeo do canal Rogerio Ramos, sobre Doninha Ana , stoart, National Geografic:




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