Qual a diferença entre evolução convergente e evolução paralela?

O estudo da evolução corresponde ao processo de modificação e adaptação das espécies ao longo do tempo. Vamos tentar explicar de maneira simples as diferentes hipóteses evolutivas.
 
 http://www.bioorbis.org/2018/07/diferenca-evolucao-convergente-paralela.html
Uma planta solta seus pólen para sua futura geração. Pixabay/Domínio Público.

VAMOS DESCOBRIR...
             
A sistemática filogenética está baseada na hipótese de que organismos agrupados juntos compartilham uma herança comum, responsável por suas similaridades.

evolução
Uma ninfa de um inseto. Pixabay/Domínio Público.

Devido a essa herança comum, podemos utilizar cabogramas para fazer perguntas sobre evolução. Examinando a origem e o significado de caracteres de animais viventes, podemos fazer inferências sobre a biologia de espécies extintas. 


Por exemplo, a relação filogenética entre crocodilianos, dinossauros e aves, sabemos que os crocodilianos e aves apresentam extenso cuidado parental a seus ovos e filhotes. Alguns ninhos fossilizados de dinossauros contêm restos de filhotes, sugerindo que pelo menos alguns dinossauros também podem ter cuidado de sua prole. Esta seria uma inferência plausível?

águia
Olho de uma ave de rapina. Pixabay/Domínio Público.

Obviamente não existe nenhum modo direto para determinar que tipos de cuidado parental era utilizado por dinossauros. As linhagens intermediárias na escala evolutiva entre os pterossauros e dinossauros, estão extintas, assim, não podemos observar seu comportamento reprodutivo. No entanto, ambos os parentes atuais mais próximos dos dinossauros, os crocodilianos e as aves, apresentam cuidado parental.


Olhando para os espécies atuais de linhagens mais distantemente aparentadas, vemos que o cuidado parental não é universal entre peixes, anfíbios ou répteis diferentes dos crocodilianos. Com essa informação, a explicação mais plausível sobre a ocorrência de cuidado parental, tanto em crocodilianos como em aves, é que esse comportamento evoluiu naquela linhagem antes que os crocodilianos se separarem dos dinossauros + aves.

lagarto
Um lagarto. Pixabay/Domínio Público.

Não podemos provar que o cuidado parental não tenha evoluído separadamente em crocodilianos e em aves, mas uma modificação para cuidado parental é mais provável do que duas modificações em grupos separados.

peixes
Peixes. Pixabay/Domínio Público.

Agora suponha que você queira referir-se justamente às duas linhagens de animais popularmente conhecidos como dinossauros. Como você poderia denominá-las? Bem, se você as denomina dinossauros, você não está sendo, em linguagem científica filogeneticamente correto, porque a linhagem Dinosauria inclui as aves. 

dinossauro
Fóssil de um dinossauro. Pixabay/Domínio Público.

Assim, se você falar de dinossauros, você estará incluindo os dinossauros ornitísquios + saurísquios + aves, mesmo que qualquer criança de sete anos de idade entenderia que você está tentando restringir a conversação aos animais extintos da Era Mesozoica.


Os biólogos que estão interessados em saber como os organismos vivem, frequentemente falam de grupos parafiléticos (um táxon que inclui um grupo de descendentes de um ancestral comum em que estão incluídos vários descendentes). Afinal de contas, os dinossauros (no sentido popular da palavra) diferiram em muitas maneiras das aves.

anfíbio
Um anfíbio de cores exuberantes. Pixabay/Domínio Público.

A única forma correta de referir-se aos animais popularmente conhecidos como dinossauros é a de denominá-los de dinossauros não-aves. As vezes até mesmo esta construção não funciona porque não existe um nome apropriado para a parte da linhagem que você quer distinguir.

EVOLUÇÃO CONVERGENTE E EVOLUÇÃO PARALELA


Os caracteres derivados que os sistematas usam para agrupar espécies em táxons superiores devem ser herdados de um ancestral comum, ou seja, devem ser similaridades homólogas (Grego homo = mesmo). Em princípio, esta noção é fácil de compreender; porém, na prática, a determinação de ancestralidade comum pode ser complexa.

evolução
Evolução convergente. Fonte da imagem: slideshare.

Por exemplo, aves e morcegos têm asas que são membros peitorais ou escapulares modificados, mas as asas não foram herdadas de um ancestral comum que continha asas. As linhagens evolutivas de aves e morcegos divergiram há muito tempo e as asas evoluíram independentemente nos dois grupos. Este processo é chamado de evolução convergente.


evolução paralela, podemos descrever a seguinte situação; pegue como exemplo espécies que divergiram mais ou menos recentemente e desenvolveram especializações similares. Os longos membros pélvicos que permitem que o rato canguru norte-americano e a jerboa africana consigam saltar constituem um exemplo de evolução paralela nestas duas linhagens de roedores. Um terceiro mecanismo, a reversão, pode produzir estruturas similares em organismos com parentesco distante.

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Adaptação convergente. Fonte da imagem: slideshare.

Tubarões e cetáceos (golfinhos e baleias) têm forma do corpo muito semelhante, mas eles chegaram a esta forma similar provindo de direções diferentes. Os tubarões retiveram uma forma aquática e ancestral do corpo. Os cetáceos, no entanto, surgiram de uma linhagem de mamíferos terrestres com membros pares bem desenvolvidas, que retomaram a um ambiente aquático e reverteram para uma forma aquática do corpo.


Convergência, paralelismo e reversão são formas de homoplasia (Grego homo = o mesmo e plastos = forma). Similaridades homoplásticas não indicam uma ancestralidade comum. Na verdade, elas complicam o processo de decifrar as relações evolutivas. 

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Estátua de Charles Darwin. Pixabay/Domínio Público.

Convergência e paralelismo fornecem um aspecto de similaridade (como nas asas das aves e dos morcegos) que não é o resultado de uma origem evolutiva comum. A reversão, ao contrário, esconde uma similaridade (p. ex., entre cetáceos e seus ancestrais terrestres tetrápodes) que é o resultado de uma origem evolutiva comum.


Referências
POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006.
KARDONG, Kenneth V. Vertebrados, Anatomia Comparada, Função e Evolução. Editora Roca LTDA,  2011. 10-3668. CDD: 596. CDU: 597/599.

Para finalizar veja um vídeo do canal IBM 5100 sobre Evolução: Mutação e Evolução Convergente Dos Olhos:


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