Como é a relação do álcool com os primatas na natureza?

Uma pergunta intrigante, mas um novo estudo com os estranhos Aye-Ayes, e os pequenos e fofos Slow Loris, lança luz sobre as origens do consumo de álcool.

 https://www.bioorbis.org/2018/08/interacao-alcool-primatas-natureza.html

VAMOS DESCOBRIR...

Neste estudo intrigante, uma equipe de cientistas do Dartmouth College descobriram que duas espécies de primatas, o pequeno loris (Nycticebus coucang) (Figura 5) e o estranho aye-aye (Daubentonia madagascariensis) (Figura 4), podem ter concentrações variadas de álcool e, ainda, que ambas as espécies preferem as maiores concentrações disponíveis.

AS ORIGENS DO ÁLCOOL NA NATUREZA


O álcool é bem difundido na natureza, existindo em néctares fermentados, sucos e frutas. Relatórios recentes sugerem que o álcool é uma fonte suplementar de calorias para alguns primatas.


Por exemplo, os Slow Loris (Figura 5), primatas noturnos endêmicos do Sudeste Asiático, consomem o néctar fermentado de uma planta chamada de palma bertam (Eugeissona tristis) (Figura 2), da família Arecaceae, que possui uma concentração média de álcool de 0,6% (0 a 3,8%).

Eugeissona tristis
Figura 2. A palmeira Eugeissona tristis. Fonte da imagem: tropical.theferns.info.

Um comportamento semelhante é também observado nos aye-ayes (Figura 4), lêmures noturnos endêmicos de Madagascar. "Sim, sim, são essencialmente pica-paus de primata", disse o coautor do estudo, Prof Nathaniel Dominy, do Departamento de Ciências Biológicas e do Departamento de Antropologia do Dartmouth College. "Eles têm um dedo ossudo e alongado para detectar e extrair larvas de troncos de árvores em decomposição."

Ravenala-madagascariensis
Figura 3. A árvore-do-viajante (Ravenala madagascariensis). Pixabay/Domínio Público.

"É intrigante que eles possam digerir o álcool de forma tão eficiente". Na estação chuvosa de Madagascar, os aye-ayes dedica até 20% do seu tempo de alimentação ao néctar da planta Árvore-do-viajante (Ravenala madagascariensis) (Figura 3). "Se o néctar é fermentado, a digestão de álcool hiper-eficiente faria sentido ecológico", disse o autor principal do estudo, Samuel Gochman.


"Como não tínhamos acesso a essas árvores floríferas para o estudo, testamos se os aye-ayes eram atraídos pelo álcool em uma solução de sacarose que simula o néctar da planta."

OS TESTES COM OS AYE-AYES E OS LORIS


No Duke Lemur Center, em Durham, Carolina do Norte, os cientistas realizaram experimentos de alimentação de múltipla escolha com dois aye-ayes, Morticia e Merlin, e um pequeno Loris, Dharma, para testar uma aversão ou preferência por concentrações variadas de álcool em néctar simulado.

Daubentonia-madagascariensis
Figura 4. O estranho aye-aye (Daubentonia madagascariensis). Crédito da imagem: David Haring.

As concentrações de álcool foram baixas (0 a 5,0%) para refletir os níveis encontrados na natureza. Cada tratamento líquido, juntamente com dois controles, foi colocado em um conjunto circular de pequenos recipientes recuados em uma mesa redonda de resina redonda. A posição dos líquidos foi randomizada e os dados comportamentais foram coletados cegos ao conteúdo, para evitar viés observacional.


Cada um dos dois aye-ayes participou de um teste uma vez por dia durante 15 dias, totalizando 30 tentativas. Os Loris participaram de um teste todos os dias durante cinco dias para um total de cinco tentativas, uma vez que o tempo era limitado. A equipe descobriu que os aye-ayes poderiam diferenciar entre a água da torneira e as concentrações variadas de álcool, e que ajustavam sua ingestão de acordo.

A SEDE PELO ÁLCOOL


Análises estatísticas adicionais mostraram que os aye-ayes preferiam as maiores concentrações de álcool. Inesperadamente, os aye-ayes continuaram a sondar os contêineres com as maiores concentrações muito depois de terem sido esvaziados, sugerindo que eles queriam mais. Os cinco ensaios com os loris eram muito poucos para produzir resultados estatísticos, mas o padrão de diferenciação e preferência era praticamente idêntico.


Nenhum dos animais apresentou sinais de falha na coordenação ou comportamento diferentes, uma vez que a intoxicação não fazia parte do estudo. Os resultados foram publicados online na revista Royal Society Open Science.

Nycticebus-coucang
Figura 5. O loris (Nycticebus coucang). Crédito da imagem: David Haring.

“Este projeto definitivamente alimentou meu interesse pela evolução humana. Nossos resultados apoiam a ideia de que alimentos fermentados eram importantes nas dietas de nossos ancestrais”, disse Gochman.


Alguns biólogos sugeriram que nossa mutação genética para a digestão eficiente do álcool, que é compartilhada com chimpanzés e gorilas, está ligada ao consumo de frutas fermentadas no solo da floresta, um comportamento alimentar que poderia ter pré-adaptado para a Revolução Neolítica

E alguns arqueólogos argumentaram que fazer cerveja era nossa principal motivação para a colheita e, por fim, para o uso doméstico de cereais, a planta que dá origem a sociedades complexas.



Referências
Samuel R. Gochman et al. 2016. Alcohol discrimination and preferences in two species of nectar-feeding primate. R. Soc. Open Sci. 3: 160217; doi: 10.1098/rsos.160217
Sites: www.sci-news.com.

Para finalizar veja um vídeo do canal United News International, sobre Two Primate Species Show Preference for Alcoholic Nectar According to Study (ative as legendas no vídeo):



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