Deriva Continental: História de Ideias e Efeitos sobre o Clima Global

O clima da Terra resulta da interação de luz solar, temperatura, precipitações, evaporação e ventos durante a passagem anual da Terra em sua órbita ao redor do sol.

 https://www.bioorbis.org/2018/09/deriva-continental-clima-global.html
Pixabay/Domínio Público.

VAMOS DESCOBRIR...

O conhecimento dos paleoclimas nos auxilia a entender as condições sob as quais plantas e animais evoluíram, porque o clima afeta profundamente os tipos de plantas e animais que ocupam uma área.

CLIMA GLOBAL


As posições dos continentes poderiam influenciar os climas globais e a circulação das águas oceânicas. O clima de uma determinada área é afetado pela latitude (isto é, quanto para o norte ou para o sul do equador está, refletindo a quantidade de energia solar que recebe); sua proximidade de um oceano (porque a água minimiza mudanças de temperatura e fornece umidade); e a presença de barreiras como montanhas, que influenciam o movimento de massas de ar e assim a quantidade de chuva recebida.



Nossa compreensão sobre a natureza dinâmica da Terra e sobre a natureza variável do clima da Terra, durante o tempo, ocorreu apenas recentemente. A noção de continentes móveis, ou deriva continental, foi formalmente proposta por Alfred Wegener (Figura 2) em 1924.

Figura 2. Alfred Wegener. Fonte da imagem: Wikipédia.

Naquela época, a teoria não foi totalmente aceita porque não se conhecia qualquer mecanismo capaz de fazer com que continentes inteiros se movessem. Somente no final da década de 1960, após novas pesquisas oceanográficas que demonstraram a expansão do solo oceânico como um mecanismo plausível para o movimento dos continentes é que a teoria da tectônica de placas se estabeleceu (a tectônica de placas é, essencialmente, o mesmo que a deriva continental, mas focaliza as placas tectônicas sobre as quais os continentes se situam). Mesmo assim, a teoria não foi universalmente aceita e a tectônica de placas só foi abraçada pela principal tendência da ciência na década de 1970.

A DERIVA CONTINENTAL


As rochas superficiais são menos densas do que as rochas do manto subjacente e, assim, os blocos continentais (Figura 3) flutuam no manto assim como um cubo de gelo flutua na água.

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Figura 3. Pixabay/Domínio Público.

O calor do centro da Terra produz lentas correntes de convecção no manto. A ressurgência de basalto fundido eleva-se em direção à superfície da Terra formando cristas mesooceânicas onde atingem o topo da litosfera (a camada rochosa da Terra) e se espalham horizontalmente. A crosta mais jovem do fundo dos oceanos é encontrada nos centros dessas cristas; movendo-se a partir do eixo da crista, o fundo oceânico torna-se mais velho.



Formam-se zonas de subdução nas quais a litosfera afunda novamente para o interior do manto. O fundo dos oceanos é continuamente renovado por este ciclo de elevação nas cristas mesooceânicas e afundamento para o interior do manto nas zonas de subdução, não ocorrendo rochas mais velhas do que 200 milhões de anos em qualquer lugar do fundo oceânico.

Os movimentos das placas tectônicas são responsáveis pela sequência de fragmentação, coalescência e refragmentação dos continentes, que ocorreram durante a história da Terra.

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Figura 4. Pixabay/Domínio Público.

Plantas e animais (Figura 4) foram transportados à medida que os continentes derivavam lentamente e colidiam entre si ou se separavam. Quando os continentes se moviam em direção aos pólos, eles levavam organismos para climas mais frios.

Quando continentes já separados colidiam, as floras e faunas terrestres que evoluíram em isolamento misturavam-se e populações de organismos marinhos eram separadas. Um exemplo recente (em termos geológicos) deste fenômeno é a união entre as Américas do Norte e do Sul mais ou menos há 2,5 milhões de anos.



As faunas e floras (Figura 5) dos dois continentes misturaram-se, motivo pelo qual no Texas ocorrem tatus (originados na América do Sul) e na Argentina ocorrem veados (originados na América do Norte). Em contraste, os organismos marinhos originalmente encontrados no mar entre as Américas do Norte e do Sul, foram separados, e as populações do lado do Atlântico e do lado do Pacífico tomaram-se cada mais diferentes uma da outra com o passar do tempo.

CORRENTES OCEÂNICAS


Aposição dos continentes afeta o fluxo das correntes oceânicas e como estas correntes transportam enormes quantidades de calor, as modificações em sua direção afetam o clima em todo o mundo. Por exemplo, a quebra dos continentes e sua migração para o norte durante o fim da Era Mesozoica e Era Cenozoica (Figura 5) levaram, finalmente, ao isolamento do Oceano Ártico, havendo formação do gelo Ártico no início da época do Plioceno, há cerca de 5 milhões de anos. A calota de gelo do Ártico não é somente um habitat frio num mundo mais uniforme. A presença desta calota de gelo influencia as condições do clima global de várias maneiras e, hoje em dia, o mundo é mais frio e mais seco do que antes do Plioceno.

Figura 5. Um cenário hipotético da Era Cenozoica. Fonte da imagem: geografiamazucheli.

Águas Árticas (Figura 6) também desempenham papéis críticos nos sistemas dinâmicos que, hoje em dia, influenciam o clima global. Este sistema de correntes oceânicas inclui a Corrente do Golfo, que transporta água quente do Atlântico Equatorial e do Golfo do México através do Atlântico Norte para a Europa.



O aquecimento do Ártico e o derretimento atual da capa de gelo ártico devem ter u m profundo efeito no clima da Terra. Alguns pesquisadores propuseram que, se a Terra como u m todo se tomar mais quente, partes do oeste da Europa podem toma-se mais frias por que as correntes oceânicas podem se modificar. Sem a Corrente do Golfo, a Inglaterra provavelmente teria o mesmo clima frio de Newfoundland, que fica na mesma latitude (revisto por Kunzig, 1996).

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Figura 6. Pixabay/Domínio Público.

Este exemplo mostra como o clima da Terra é mutável e dependente da configuração das massas continentais que influenciam a camada de gelo e as correntes oceânicas. Os ingleses só podem torcer para que o aquecimento global não tome o clima da Inglaterra um ótimo caso para demonstrar a validade desta hipótese particular.



Referência
POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006.
Kunzig, R. 1996. In deep water. Discover 11(2):86—96.


Para finalizar veja um vídeo do canal ensinoeinformacao, sobre DERIVA DOS CONTINENTES - PANGEA:


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