As adaptações locomotoras dos vermes

Alguns vão sentir repulsa por essa postagem, como diz o título, falará de vermes. Coisas nojentas, mas uma curiosidade interessante é como eles se locomovem.

https://www.bioorbis.org/2018/12/adaptacao-locomocao-vermes.html
As minhocas são um exemplo dos vermes. Fonte da imagem: marciaplanetaterra.

VAMOS DESCOBRIR...

OS DIFERENTES TIPOS DE VERMES


Um interessante exemplo da adaptação dos diferentes grupos de vermes aos respectivos ambientes é o que se refere ao deslocamento do corpo. A locomoção dos diversos grupos de vermes envolveu o surgimento de estratégias específicas para cada um deles. Os anelídeos apresentam um mecanismo locomotor que difere daquele verificado em platelmintos e nematelmintos.

Conhecer a disposição da musculatura na parede do corpo, associada à ação de outras estruturas, auxilia a compreensão das estratégias locomotoras dos animais. Como comparação, vamos fazer uma breve descrição de como se deslocam a minhoca, a planária e a lombriga.



As minhocas


Os movimentos da minhoca são resultantes da ação coordenada da musculatura corporal, das cerdas e do líquido celomático, sob o comando do sistema nervoso simples deste animal.

Figura 3. Uma minhoca em meio a terra. Pixabay/Domínio Público.

A musculatura encontra-se abaixo da epiderme e consta de duas camadas: uma circular externa e outra interna, longitudinal. Essas duas camadas trabalham de maneira antagônica, gerando ondas peristálticas de contração que resultam no deslocamento da minhoca. Quando uma contrai, a outra relaxa e vice-versa (veja na Figura 3). A contração da musculatura circular diminui o diâmetro do segmento e comprime o líquido celomático. Nesse momento, está relaxada a musculatura longitudinal. Em seguida, o líquido celomático é forçado a se espalhar em direção às extremidades do segmento, provocando o seu alongamento. 

Figura 3. Locomoção na minhoca. Ondas de contração peristálticas e ação das cerdas possibilitam o movimento. Fonte das imagem: nossomeioporinteiro. zoologia-ii-ufes-turma-i.webnode.

O inverso acontece quando se contrai a musculatura longitudinal e se relaxa a circular. Nesse caso, o líquido celomático exerce pressão na parede e o diâmetro do segmento aumenta. A locomoção é iniciada pela extremidade anterior da minhoca. A musculatura circular dos segmentos dessa região se contrai e as cerdas se retraem, isto é, a extremidade anterior fica livre.

Por outro lado, as cerdas dos demais segmentos estão protraídas e fixadas às partículas do solo. A seguir, contrai-se a musculatura longitudinal dos segmentos anteriores e se relaxa a circular. Essa região se alonga ao máximo. As cerdas protraem e prendem a minhoca ao solo. Em seguida, são as cerdas dos segmentos seguintes que se retraem, sua musculatura circular se contrai e a longitudinal se relaxa, impulsionando o corpo da minhoca para a frente.

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A planária


Na planária, a musculatura lisa é disposta em três camadas, abaixo da epiderme: uma circular externa, outra diagonal e, a terceira camada, longitudinal

Figura 4. Planária-cabeça-de-martelo. Fonte da imagem: naturezaterraquea.

As fibras dorsoventrais também participam da locomoção, embora não sejam componentes da parede corporal (veja na Figura 5). 

Figura 5. Locomoção na planária. A ação da musculatura corporal juntamente com os cílios promovem o deslocamento lento do animal pelo substrato. Fonte da imagem: slideplayer.

O deslocamento resulta da contração peristáltica desses grupos musculares. A ação dos cílios localizados na epiderme ventral complementa o equipalomático, uma vez que os platelmintos são acelomados.

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As lombrigas


Na lombriga, a musculatura corporal apresenta características totalmente diferentes. As fibras dispõem-se em apenas uma camada longitudinal abaixo da epiderme e organizam uma estrutura peculiar. Cada fibra emite um prolongamento em direção ao nervo longitudinal correspondente, de modo que acabam se formando quatro quadrantes de musculatura corporal (veja na Figura 6).

Figura 6. A disposição da musculatura longitudinal na lombriga é responsável pelo enrolamento típico do animal. Fonte da imagem: biologiaparaloirasemorenas.

A contração das fibras origina um movimento ondulatório que conduz a dobramentos do corpo no sentido longitudinal. Nesse movimento, o líquido existente no pseudoceloma é comprimido. A rigidez da cutícula garante a manutenção da forma corporal durante o movimento.

Em outros nematelmintos é essencial a existência de pelo menos um pequeno filme de água no qual possa se executar a locomoção, o mesmo ocorrendo nos que vivem no solo. Nestes, os movimentos ondulatórios provocam deslizamentos do animal ao longo do substrato. Retirados do meio em que se encontram, movem-se de modo semelhante a um chicote.

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VERMES COMEDORES DE OSSOS DE ANIMAIS PRÉ-HISTÓRICOS?


Você sabia que existem vermes que comem ossos de animais mortos no fundo dos oceanos? Sim existem. E agora uma descoberta mostra que eles já comiam ossos até de animais pré-históricos.

http://www.bioorbis.org/2015/05/vermes-comedores-de-ossos.html
Figura 7. O verme comedor de ossos. Fonte da imagem: mbari.

Em um novo trabalho da revista Biology Letters, os cientistas relataram vestígios fósseis de Osedax - um gênero de vermes devoradores de ossos de baleias mortas e outros ossos no fundo do mar, mas agora foram encontrados em um plesiossauro de 100 milhões de anos de idade.

Os vermes do gênero Osedax (Figura 8) , também conhecidos como boneworms, vermes zumbis, ou vermes comedores de ossos, foram descobertos em uma carcaça de baleia em 2002.

Há mais de 10 espécies (Figura 9) que podem ser encontrados nos oceanos em todo o mundo em profundidades de até 4 km. Eles pertencem à família Siboglinidae. Como todas as espécies na família, eles não têm boca, ânus ou intestino.


Figura 8. Os Osedax comendo um osso no fundo do oceano. Fonte da imagem: modernnotion.

Normalmente, esses vermes crescem até 3 a 4 cm de comprimento. Eles consomem ossos de baleia, o que levou muitos biólogos marinhos a acreditar que co-evoluíram à 45 milhões anos atrás, ramificando para fora de seus primos que costumavam realizar quimiossíntese para obter comida.

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As origens dos vermes comedores de ossos


Mas o Dr. Nicholas Higgs, da Universidade de Plymouth, Reino Unido, e o Dr. Silvia Danise da Universidade da Geórgia e da Universidade de Plymouth, descobriram que os vermes Osedax originaram-se pelo menos 100 milhões de anos atrás, e se mantinham com os ossos de répteis pré-históricos, como os plesiossauros e tartarugas marinhas (Figura 10) .

Figura 9. Verme Osedax moderno (O. priapus). Barra de escala - 0,3 milímetrosCrédito da imagem: Greg Rouse.

Os cientistas estudaram fragmentos fósseis retirados de um plesiossauro descoberto em Cambridge, e uma tartaruga marinha (Figura 4) encontrada em Burham, Reino Unido.

Usando um scanner de tomografia computadorizada, eles foram capazes de criar um modelo de computador dos ossos, e encontrou furos e cavidades consistentes com a técnica de “burrowing”.

Figura 10. Reconstrução CT dos ossos da tartaruga marinha de 100 milhões de anosA seta indica furos criados por um antigo verme Osedax. Barra de escala - de 1 cm. Crédito da imagem: Silvia Danise / Nicholas Higgs.

"As adaptações incomuns e beleza impressionante dos vermes Osedax encapsulam a natureza alienígena de vida em alto-mar em imaginação do público", disse Higgs.

"E a nossa descoberta mostra que esses vermes não co-evoluíram com as baleias, mas que também consumiam os esqueletos de grandes répteis marinhos que dominaram oceanos na época dos dinossauros."

"Osedax, portanto, infelizmente impediu de muitos esqueletos se fossilizarem, o que pode dificultar o nosso conhecimento desses leviatãs extintos."

Referências
KARDONG, Kenneth V. Vertebrados, Anatomia Comparada, Função e Evolução. Editora Roca LTDA, 2011. 10-3668. CDD: 596. CDU: 597/599.
UZUNIAN, Armênio; BIRNER, Ernesto. Biologia 2. Editora Harbra. Prêmio Jabuti, 2002. The Festivus, 30(4):45-46,1999.
Sites: Sri-News.com.

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