Pterossauros: os répteis voadores da era dos dinossauros

Venha descobrir um pouco mais sobre esses animais pré-históricos incríveis, os pterossauros.

 https://www.bioorbis.org/2019/01/pterossauros-repteis-voadores.html
Um pterossauro sobrevoa as florestas antigas do Cretáceo. Pixabay/Domínio Público.

VAMOS DESCOBRIR...

Os Archosauria deram origem a duas irradiações independentes de animais voadores. As Aves constituem uma dessas linhagens e sua similaridade com outros Archosauria é tão marcante que, se tivessem desaparecido no final da Era Mesozóica, seriam consideradas apenas mais um grupo de Archosauria altamente especializado. A outra linhagem de Archosauria voadores eram os Pterosauria do Triássico Superior e do Cretáceo (Figura 3). Variavam desde Pterodactylus, do tamanho de um pardal, até Quetzalcoatlus (Figura 2) que possuía uma envergadura de 13 metros.




A estrutura das asas dos Pterosauria era completamente diferente daquela das aves. O quarto dedo dos Pterosauria era alongado e sustentava uma membrana de pele fixa às laterais do corpo e, talvez, aos membros pélvicos. Um pequeno osso em forma de tala conectava-se à margem distai do carpo e, provavelmente, sustentava uma membrana que se estendia para a frente até o pescoço.


Quetzalcoatlus
Figura 2. Quetzalcoatlus. Fonte da imagem: deviantart

Os primeiros pterossauros Rhamphorhynchoidea possuíam uma cauda longa com uma porção expandida na extremidade, presumivelmente utilizada na navegação, mas os últimos Pterodactyloidea não possuíam cauda.

EVOLUÇÃO PARALELA ENTRE OS PTEROSSAUROS E AVES


As demandas mecânicas para o voo estão refletidas na estrutura dos vertebrados voadores, e não é surpresa que os pterosauros e aves possuem um alto grau de evolução paralela. Os ossos longos dos pterossauros eram ocos, como nas aves e em muitos outros Archosauria, reduzindo o peso com pouca perda de resistência. O esterno, ao qual se ligam os poderosos músculos do voo, era bem desenvolvido nos pterossauros, embora não apresentasse a quilha vista nas aves (Um esterno quilhado não é essencial para o voo - os morcegos têm um esterno plano).




Os olhos eram grandes e moldes das cavidades encefálicas dos pterossauros mostram que as porções do encéfalo associadas à visão eram grandes e as áreas olfatórias, pequenas, como nas aves. O cerebelo, que se relaciona ao equilíbrio e à coordenação dos movimentos, era grande em proporção às outras partes do encéfalo, assim como acontece nas aves.



AS ESPÉCIES DE PTEROSSAUROS


Alguns pterossauros perderam os dentes e desenvolveram um bico semelhante ao das Aves. Outros possuíam dentes cônicos e afiados, em um crânio arredondado, que recorda o dos morcegos. Alguns pterossauros com crânios alongados e dentes fortes e afiados podem ter capturado peixes ou pequenos tetrápodes. Pterodaustro (Figura 3) possuía um focinho extremamente alongado, dotado de um arranjo de dentes finos que lembrava a forma de u m pente e que pode ter sido utilizado na coleta de pequenos organismos aquáticos. Dsungaripterus (Figura 3) tinha maxilas longas que se uniam nas extremidades como um par de pinças. As extremidades das maxilas provavelmente eram cobertas por um bico córneo e dentes rombudos ocupavam a porção caudal da maxila.

Pterosauria-pterossauros
Figura 3. Pterosauria: (a) Rhamphorhynchus, do Jurássico; (b) Pteranodon, do Cretáceo. Os crânios de pterossauros sugerem dietas especializadas, (c) Anurognathus pode ter sido insetívoro; (d) Eudimorphodon pode ter se alimentado de pequenos vertebrados; (e) Dorygnathus pode ter sido piscívoro; (f) Pterodaustro possuía u m arranjo de dentes, em forma de pente, que pode ter servido para coletar plâncton; (g) Dsungaripterus pode ter arrancado moluscos das rochas, com um bico córneo, para em seguida esmagá-los com seus dentes molariformes.

Esses animais podem ter retirado caracóis de rochas com o bico e os triturado com seus dentes largos. Thalassodromeus sethi (Figura 4), um pterosauro do Cretáceo Inferior do Brasil, tinha maxilas alongadas sem dentes um bico interno com lâminas afiadas na extremidade rostral. 


Thalassodromeus-sethi
Figura 4. Thalassodromeus sethi. Fonte da imagem: markwitton-com

Essa forma é similar aos bicos de aves vivente conhecidas como peneiradores. Essas aves voam próximo à superfície da água e mergulham o bico para capturar peixes e crustáceos próximos à superfície; Thalassodromeus pode ter tido um estilo de caça semelhante.

A CAPACIDADE DE VOO DOS PTEROSSAUROS


A capacidade de voo dos pterossauros tem sido debatida há muito tempo e a maioria das hipóteses relativas à sua ecologia foi baseada na premissa de que eram voadores ineficientes. Essa premissa levou a sugestões de restrições de atividades e de habitats dos pterossauros que parecem improváveis para um grupo de animais que foi, claramente, diversificado e bem sucedido ao longo de grande parte da Era Mesozoica.




Uma análise aerodinâmica sugere que a capacidade de voo dos pterossauros foi subestimada. Essa visão sugere que os pterossauros de pequeno porte eram voadores lentos e manejáveis como os morcegos. Os pterossauros de grande porte parecem ter se especializado em planar como as fragatas e alguns abutres.

COMO OS PTEROSSAUROS CONSEGUIAM VOAR?


Especulações sobre as habilidades de voar dos pterossauros dependem da suposição que se faça sobre a forma de suas asas. Ela estendia-se exteriormente até a extremidade do quarto dedo, mas onde estava presa ao corpo? Ela terminava na cintura ou estendia-se até os membros pélvicos, como acontece nos morcegos? A estrutura da asa pode ter variado entre os pterossauros.


Sordes-pilosus
Figura 5. Sordes pilosus. Fonte da imagem: en.wikipedia.org

Um fóssil de Pterodactylus mostra que a asa estava ligada, pelo menos, até a coxa enquanto que um fóssil extremamente bem preservado de Sordes pilosus (Figura 5) de sedimentos do Jurássico no Cazaquistão, mostra que os membros pélvicos estavam envolvidos nas estruturas de voo. A asa dessa espécie estava ligada ao longo da face externa do membro pélvico até o tornozelo e outra membrana de voo - o uropatágio - estendia-se entre os membros pélvicos e era controlado pelo quinto dedo. Esse grau de envolvimento dos membros pélvicos com as asas deve ter limitado seu desempenho na locomoção terrestre (como é o caso dos morcegos) e Sordes deve ter sido um caminhador desajeitado, em superfícies planas, mas um bom escalador de rochas e árvores.



Fósseis de pterossauros não mostraram claramente a estrutura tridimensional do pé, sendo que as reconstruções sobre sua locomoção, no solo, são apenas especulações. Um fóssil de Dimorphodon (Figura 6), um pterossauro primitivo descoberto no México, mostra detalhes da estrutura do pé que eram desconhecidos até então. O modo como os ossos do pé se articulam mostra que o Dimorphodon colocava o seu pé completamente no solo durante a locomoção, como fazem as aves, ao invés de caminhar sobre os dedos, como os dinossauros bípedes.


Dimorphodon
Figura 6. Dimorphodon. Fonte da imagem: prehistoricbeastoftheweek.

Essa interpretação condiz com os rastros fósseis que se acredita representarem os pterossauros, e que mostram impressões do pé inteiro, bem como marcas das mãos.



Referência
POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006.

Para finalizar veja um vídeo do canal Eu coleciono dinossauros, sobre A Origem dos Pterossauros - Paleopédia #9:


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