Quem são os musgos? Onde eles vivem e como eles se reproduzem?

Seja nos muros da sua casa, seja nas pedras no meio de uma grande floresta, os musgos estão em quase todos cantos úmidos por ai.


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Muitas vezes, nas paredes de uma gruta natural ou artificial, podem ser percebidas várias manchas luminosas. Quanto mais a visão se habitua à penumbra, mais as manchas ficam brilhantes e esverdeara, das. No entanto, se tocar essas áreas luminosas com a mão, o visitante só consegue sentir a rocha úmida. A que deve o estranho fenômeno?


A rocha está revestida de uma finíssima camada do musgo Schistostega pennata, veja na imagem abaixo. E os filamentos germinados de seus esporos são formados por um sem-número de células capazes de refratar a luz.


Musgo Schistostega pennata. Fonte da imagem: Wikipedia/Tentsukutsu - Own work


Cada uma dessas células especiais capta um pouco da escassa luz que penetra na gruta; e funciona corno urna lente: provoca a concentração da luz sobre os poucos cloroplastos que contém. Assim, a clorofila (pigmento verde) dos cloroplastos pode cumprir sua função específica, que é a fotossíntese. Mas, ao atravessar a célula, a luz sofre uma. refração (desvio) e volta a ser emitida, colorida e intensificada.


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Musgos: modestos mas importantes


Até nos Alpes, a mais de 4 500 m de altura, há rochas recobertas pelos pequenos musgos. Eles são importantes: disseminam-se pelos bosques ou encostas montanhosas, retêm a água das chuvas, diminuem a erosão, conservam o solo e reduzem o perigo dos desmoronamentos. Existe mesmo um musgo nobre, o Sphagnum (veja na imagem abaixo), que, depois de seco e cuidadosamente embalado, é usado nos viveiros de plantas delicadas ou na adubagem do solo, graças à sua alta capacidade de reter umidade.


Sphagnum. Fonte da imagem: Wikipedia/James Lindsey at Ecology of Commanster


Juntamente com as hepáticas (Hepaticae), os musgos (Miisci) formam o grupo das Briófitas, o mais primitivo entre as plantas terrestres, parente próximo das algas aquáticas. Os primeiros organismos vegetais que apare-ceram em terra firme, há milhões e milhões de anos, sem dúvida derivam dessas algas, que se adaptaram às novas condições de clima, temperatura e ambiente.


Assim, adquiriram certa proteção contra a perda de água e muniram-se de rizóides (veja na imagem abaixo), grandes pelos absorventes que à fata de raízes, retiram a água e demais substâncias nutritivas do solo.


Muito comuns em lugares úmidos e escuros os musgos e as hepáticas são de grande interesse para a ciência, justamente por suas características intermediárias entre as algas e as plantas superiores.


Morfologia das briófitas (Foto: Reprodução/Colégio Qi)

Os musgos, em geral, são plantas de pequeno porte, possuem caulículo vertical ou prostrado, em cujo ápice geralmente há uma cápsula resistente e dotada de abertura, o peristômio, onde se desenvolvem seus órgãos de reprodução. As franjas do peristômio são higroscópicas, isto é, absorvem a umidade necessária com grande facilidade; mas, nos dias chuvosos, fecham a cápsula. Está, que guarda em seu interior os esporos (células reprodutoras assexuadas), é sustentada por uma delgada haste chamada seta. Ao germinarem, os esporos produzem um filamento ramificado, parecido com uma alga terrestre, que é chamado protonema. Por meio de brotos laterais, o protonema origina os gametófitos (plantas sexuadas), dos quais provêm os gametas (células masculinas e femininas).


As plantinhas de musgo não crescem nunca isoladas. Estão sempre juntas umas às outras, formando conjuntos compactos, verdadeiras "almofadas". Isso ajuda a conservar melhor a umidade. Possuem tal vitalidade que bastam algumas gotas de chuva para que as "folhinhas" secas e amarelas reverdeçam com espantosa rapidez.


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Hepáticas


Ao contrário dos musgos, as hepáticas têm o corpo rastejante e recebem esse nome por causa dos lobos que lembram a forma do fígado. Suas partes são menos diferenciadas e, como os musgos, não possuem folhas, ramos ou caules no sentido verdadeiro. Além disso, cobrem uma área de habitação muito menor que a dos musgos. A Pellia epiphylla (veja na imagem abaixo) é a mais simples e a mais conhecida representante desta classe de briófitas. Freqüentemente, cresce em lugares úmidos e às margens dos rios, mas pode também ser cultivada dentro de casa. De forma plana e aspecto comum, tem órgãos reprodutores que amadurecem na primavera e expulsam diminutos esporos dos quais se originam novos espécimes.


Pellia epiphylla. Fonte da imagem: Wikipedia/Bernd Haynold - Self-photographed


As células do corpo das hepáticas são todas semelhantes, com exceção de algumas centrais, que servem para o transporte dos alimentos através do vegetal. A maioria das células encerra clorofila, o que permite à planta fabricar seu próprio alimento. Mas as características gerais são as mesmas dos musgos: ausência de caule, flores, folhas e raízes verdadeiras, necessidade de água para os processos de fecundação e imperfeita adaptação ão meio terrestre, pela falta de vasos condutores e pela estreita dependência entre o elemento assexuado (esporófito) e o sexuado (gametófito).


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COMO SE COMPÕEM OS MUSGOS?


Se arrancarmos um punhado de musgo e o observarmos de per-to, veremos que é formado por grande número de plantinhas. Os rizoides são células filiformes que funcionam como órgãos de absorção, provendo o alimento do musgo, como fazem, em outras plantas, as raízes verdadeiras. Além dos órgãos que desempenham a função das folhas, distinguimos a seta, um pedúnculo que sustenta o esporângio, reservatório dos esporos.


A cápsula jovem é recoberta por uma coifa; a madura apresenta-se sem isso e com uma linha transversal que isola o opérculo. Quando este cai, deixa à vista uma abertura, o peristômio, por onde saem os esporos.


O Polytrichum commune (imagem abaixo) ou Polítrico comum é um dos tipos mais difundidos, abundante e nos lugares mais úmidos.


Polytrichum commune. Fonte da imagem: Wikipedia/Kristian Peters -- Fabelfroh 14:35, 21 October 2007 (UTC) - photographed by Kristian Peters


A Funaria hygrometrica (imagem abaixo) muda sua seta e acordo com a umidade: em tempo seco, fica retesada; com chuva, curva-se.


Funaria hygrometrica. Fonte da imagem: Source: www.biolib.de


O Mnium undulatum (imagem abaixo) é o musgo que possui, entre todos, as folhas mais visíveis e maiores. As setas se unem em penacho.


Mnium undulatum. Fonte da imagem: ipernity


Este tipo de musgo, o Mnium affine (imagem abaixo), é o que mais prolifera em velhas habitações campestres e muros corroídos pela umidade.


Mnium affine. Fonte da imagem: Wikipedia/Michael Becker - taken by Michael Becker


COMO SE REPRODUZEM?


Musgos e hepáticas exemplificam uma etapa intermediária no processo da evolução. Por isso, no seu ciclo a e vida, há uma alternância entre duas gerações: uma sexuada, outra assexuada. Na primeira, os gametas (células reprodutoras) masculinos do gametófito, os anterozóides, formam-se em pequenos órgãos os anterídios; os gametas femininos, oosferas, formando-se dentro dos arquegônios. Em cada arquegônio forma-se apenas uma oosfera, no anterídio, numerosos anterozóides. Da fusão dessas células resulta um zigoto: os anterídios se rompem na época das chuvas e os anterozóides penetram nos arquegônios, graças a seus flagelos. Nasce a nova planta, o esporófito.


Agora, esse esporófito vai crescer e reproduzir-se por esporos (como um parasita preso à extremidade o gametófito, prolongando-a). Seu esporogônio se encontra cheio deles, os quais, ao amadurecer, caem e germinam, nascendo de cada qual um filamento verde, o protonema, de onde brotam muitos musgos. Mais tare quando o protonema se atrofia, esses musgos constituem vários gametófitos.


Em seguida, todo o ciclo recomeça, repetindo-se o mesmo processo. Veja na imagem abaixo:


Fonte da imagem: todamateria


Há diferentes processos de libertação dos esporos. No Polytrichum commune, quando o esporogônio está maduro, o opérculo cai. Em volta do orifício deixado, surgem dentes, que formam o peristômio.


O opérculo nada mais é que urna tampa da capsula. Em dias úmidos, os dentes absorvem, mais água, curvam-se para dentro e fecham a boca da cápsula. Em dias secos, os dentes perdem água e dobram~se para fora, trazendo consigo os esporos Sue caem e, ao germinar, produzem os protonemas. Outras espécies tem um diafragma na boca da cápsula, que se fecha ou abre conforme a atmosfera esteja úmida ou seca.

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