Descubra o mundo das samambaias: espécies, como se reproduzem e seus parentes

Quem observa hoje, de um vaso suspenso em muitas casas brasileiras, a elegância da samambaia alongando-se até o chão, nem de longe imagina que está diante de uma planta que já dominou a paisagem terrestre.


Foto de Lucas Allmann/pexels

VAMOS DESCOBRIR...

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Samambaia, avenca (Filicíneas) e fetos (Psilopsidae), classificam-se entre as Pteridófitas (do grego pteris = feto). Grupo de vegetais terrestres dos mais antigos que se conhecem, surgiram no período Saluriano da era Paleozóica, há cerca de 440 milhões de anos.


Ao Devoniano, seguiu-se o Carbonifero e pela primeira vez a Terra cobriuse de florestas: florestas de fetos. A vegetação era exuberante, favorecida por um clima quente úmido, comparável ao da floresta amazônica de hoje. As chuvas caíam continuamente, formando pântanos enormes, que se mantinham sempre quentes por causa das fortes radiações solares. A samambaia, que chegava a atingir 20 m de altura, brotava do solo alta e forte, imponente como um mastro de navio. Ela era então a rainha do reino vegetal. As imensas florestas eram habitadas por répteis e insetos enormes (estes últimos, do tamanho aproximado de uma pomba), os principais representantes do reino animal de então.


Milhões de anos mais tarde, súbitas mudanças alteraram profundamente a fisionomia da superfície terrestre. Grandes áreas de terra emergiram da profundidade do mar, enquanto outras eram tragadas pelas águas dos oceanos. Surgiram as primeiras cadeias de montanhas. Iniciava-se o último período da era Paleozóica (Carbonífero), há 355 milhões de anos, trazendo sensíveis mudanças no clima. Glaciações atingiram sobretudo o hemisfério sul. Ventos frios secaram os pântanos, convertendo os continentes em desertos áridos. As selvas milenares do período anterior foram sepultadas sob areia e muitas espécies animais desapareceram. De tudo isso o homem tornou conhecimento graças aos numerosos vestígios fósseis encontrados em meio às rochas antigas.


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Adaptação e sobrevivência


Enquanto as bruscas transformações geográficas e climáticas ocorriam no hemisfério sul, no norte a geografia permanecia a mesma e a temperatura se amenizava. Formaram-se aí as primeiras florestas de coníferas. E junto com elas voltaram a aparecer as pteridófitas. As condições da região, porém, nem de longe faziam lembrar as do período Carbonífero. As samambaias gigantes não encontraram aí a situação ideal de que antes dispunham. E não tinham mais a antiga imponência: constituíram uma vegetação modesta, ocupando sempre lugares úmidos e protegidos do solo. Foi assim que a samambaia perdeu o porte dos primeiros tempos, mas ganhou a graça e a elegância que conserva até hoje.


As pteridófitas são plantas embriófitas, isto é, possuem raiz, caule e folhas ao contrário das talófitas (bactérias, algas, fungos e líquens), provi-das de um talo indiferenciado. Possuem também uma rede complexa de canais, através dos quais recebem água e alimento. O caule dessas plantas, com exceção das samambaias arborescentes tropicais e subtropicais, é curto e geralmente não se ramifica. Algumas espécies apresentam um rizoma (caule subterrâneo), que dá origem a ramos dos quais surgem novas folhas. Isso explicaria o fato de certas pteridófitas proliferarem com extrema facilidade.


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As 5 mil espécies de samambaias e seus parentes


As Filicíneas compreendem 5 mil espécies, espalhadas em quase todas as partes do mundo, mas é nas regiões tropicais que se encontra o maior número de espécies. Suas folhas, chamadas frondes, são amplas; às vezes, elas se apresentam recortadas, subdivididas em pequenos lóbulos. Algumas espécies, como a "língua-de-cachorro", possuem frondes lisas e inteiriças. Na base das folhas e no caule nascem as raízes; são adventícias, isto é, não são ramificações da raiz original.


Como são muitas espécies vamos apresentar algumas:


FETO-MACHO (Dryopteris filix-mas)


Fonte da imagem: monaconatureencyclopedia/© José Campos


Esta espécie é encontrada em todo o hemisfério norte; chega a atingir um metro de altura. Seu caule subterrâneo é utilizado desde a antiguidade como vermicida.


FETO-FÊMEA (Athyrium filix-femina)


Fonte da imagem: Wikipedia/No machine-readable author provided. MPF assumed (based on copyright claims). - No machine-readable source provided. Own work assumed (based on copyright claims).


Tempos atrás, acreditava-se que esta espécie e a citada acima eram o macho e a fêmea de um mesmo vegetal. O feto-fêmea é cultivado em numerosas variedades ornamentais.


LUNÁRIA (Botrychium lunaria)


Fonte da imagem: Wikipedia/Kristian Peters -- Fabelfroh 08:38, 2 September 2006 (UTC)


Muito da beleza dos prados alpinos se deve a esta espécie, que não ultrapassa 10 cm de altura. Possui duas frondes: uma fértil (porta-dora de esporos ou células sexuais) e outra estéril.


CABELO-DE-VÊNUS (Asplenium trichomanes)


Fonte da imagem: Wikipedia/Juan Bibiloni - Obra do próprio


Possui ramos longos e delicados. Cresce à sombra dos velhos muros e nos vãos das rochas.


POLIPÓDIO COMUM (Polypodium vulgare)


Fonte da imagem: Wikipedia/Jeffdelonge


Espécie de vida longa, cresce em terrenos pedregosos, ao pé de velhos muros ou árvores. O caule rasteiro alarga-se numa das extremidades, e cobre-se de folhas novas todos os anos, enquanto as partes velhas morrem e caem.


LÍNGUA-DE-CACHORRO (Asplenium scolopendrium)


Fonte da imagem: Wikipedia/I, Liné1


Esta espécie mede de 30 a 60 cm, aproximadamente; as folhas são inteiriças, com a extremidade superior enrolada ou encarapinhada.


FETO-ARBÓREO (Cyathea crinita)


Fonte da imagem: Wikipedia/Z thomas - Own work


Esta planta cresce em Sri Lanka (ex-Ceilão) e em outras regiões tropicais.


AVENCA (Adiantum capillus veneris)


Fonte da imagem: Wikipedia/Balles2601 - Obra do próprio


De ramos suaves e delicados, a avenca cresce nas grutas e sobre rochas úmidas. Dela se originam numerosas variedades, cultivadas corno plantas ornamentais. Os Miolos têm forma de leque.


CHIFRE-DE-VEADO (Platycerium bifurcatum)


Fonte da imagem: Wikipedia/Krzysztof Ziarnek, Kenraiz - Own work


Vive apoia-do nas árvores, e por isso é chamado de planta epífita (vegetal que cresce sobre outros sem ser parasita). É muito encontrado na África e na Austrália.


As pteridófitas geralmente crescem em lugares sombrios, e por isso são encontradas com freqüência nos bosques úmidos. No Brasil, além da região amazônica, elas ocupam amplo território de expansão na serra do Mar. Entretanto, algumas espécies se adaptaram para viver nos desertos. Outras, dos grupos das Salviniales e Marsileales, são aquáticas.


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Como as samambaias e seus parentes se reproduzem?


As samambaias não produzem flores e, portanto, nem frutos e sementes. Para se reproduzirem utilizam outro sistema. Acompanhe na imagem abaixo:


Sobre a face inferior da folha, aparecem os soros, pequenos agrupamentos de minúsculos esporângios. Esse soros contém pequenas bolsas, os esporângios, envolvidos por urna membrana. Quando o esporângio amadurece, a membrana que envolve (indusio) se rompe, deixando sair muitos esporos, que caem ao chão. Encontrando terreno úmido, os esporos irão germinar, formando uma pequena lâmina verde, o prótalo, que encerra os órgãos masculinos (de forma esférica) e os femininos (semelhantes a urna garrafa). A união das células masculina e feminina só e possível num meio líquido. Quando ocorre, origina-se urna pequena planta, que se alimenta do prótalo: em seguida, fixa-se à terra, convertendo-se em nova samambaia.


Fonte da imagem: sobiologia.


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Outras Pteridófitas


Além das Filicíneas (samambaias, avencas, fetos), as pteridófitas incluem também as Equissetíneas (equissetos) e as Licopodíneas (licopódios). As duas últimas têm muitas características comuns às samambaias e se reproduzem do mesmo modo, embora tenham aspecto diferente.


Vejamos alguns exemplares:


EQÜISSETO (Equisetum maximum)


Fonte da imagem: Wikipedia


Também chamado cavalinha ou rabo-de-cavalo, possui ramos estéreis e ramos férteis. Estes últimos são sempre mais curtos, tendo na extremidade superior urna espécie de espiga arredondada, que contém os esporângios.


LICOPÓDIO (Lycopodium)


Fonte da imagem: Wikipedia/Bernd Haynold - Self-photographed


É uma planta flexível, com numerosas hastes (ou caules) afiladas. Algumas espécies são rastejantes e de pequeno porte. É encontrado em terrenos úmidos ou, co-mo as epífitas, sobre as árvores das zonas tropicais. Os caules são recobertos de pequenas folhas. Nos ramos localizam-se os esporos, encerrados nos esporângios. Dos esporos extrai-se o pó de licopódio, usado como absorvente no campo farmacêutico.


Espero que tenham gostado dessa postagem sobre as samambaias e seus parentes. E claro deixe um comentário se você tem alguma dessa espécies citadas acima em sua casa.

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