Insetos como indicadores da qualidade do meio ambiente

Os insetos compreendem cerca de 59% de todos os animais do planeta, são em torno de 751.000 espécies formalmente descritas. 

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Mesmo assim, têm sido pouco usados como "bandeira" na conservação de áreas naturais. As aves e os mamíferos ainda são os grupos mais apreciados por conservacionistas, de um modo geral. A utilidade dos insetos como indicadores ambientais, no entanto, é incontestável, e a literatura recente está recheada de trabalhos confirmando esse fato.

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Alguns grupos de insetos, dentre os quais borboletas e formigas, são especialmente úteis no monitoramento ambiental. Isso acontece por serem muito diversificados, facilmente a alterações ambientais. Também são especialistas em recursos específicos, possuindo fidelidade de micro-habitat e permitindo ações rápidas, como reação à degradação do habitat. Assim, insetos podem fornecer mais informações do que vertebrados, de um modo geral, sendo muito úteis na definição de áreas pequenas e habitats fragmentados ou com longa história de influência antrópica. Nelas, muitos dos vertebrados maiores e mais sensíveis já foram eliminados por escassez de área de vida ou caça, ambientes que, nem por isso, deixam de ter valor para a conservação.

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Os Lepidópteros


Borboletas compreendem representantes de 5 famílias de Lepidóptera diurnos (Papilionidae, Pieridae, Nymphalidae, Lycaenidae e Hesperiidae) que provavelmente formam um grupo natural dentro dos lepidópteros. Existem algumas espécies crepusculares, voando nas primeiras horas da manhã ou no final da tarde, mas a maioria é ativa no meio do dia. Mariposas grandes e melhores conhecidas são principalmente noturnas e são mais eficientemente observadas quando atraídas pela luz.

A sistemática dos grupos citados é relativamente bem conhecida, com algumas exceções. Pelo fato de serem grandes, coloridas e de fácil visualização, os grupos têm sido considerados as melhores "bandeiras" para conservação e indicadores para monitoramento ambiental, inclusive por leigos e membros de populações tradicionais, com as necessárias reservas.

As formigas


As formigas são insetos sociais da família Formicidae. No Brasil são encontradas representantes de 8 subfamílias: Cerapachyinae, Dolichoderinae, Ecitoninae, Formicinae, Leptanilloidinae, Myrmicinae, Ponerinae e Pseudomyrmecinae. Muitas formigas apresentam hábitos oportunistas e dieta generalista e a maioria das espécies apresenta distribuições restritas.

Formigas ocorrem em todos os ambientes terrestres, desde o Equador até latitudes de cerca de 50°, e desde o nível do mar até altitudes de cerca de 3 mil metros, e são importantes por manterem relações ecológicas com muitos organismos. Muitas espécies criam homópteros, outras perdem artrópodes, outras dispersam sementes, alguns Attini criam fungos e, em geral, formigas são os primeiros animais invertebrados a visitar outros animais mortos no solo.

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Figura 2. Fonte da imagem: altoona.k12.

As formigas vêm sendo consideradas um dos principais componentes biológicos de ambientes estruturalmente complexos como as florestas. Muitas espécies ocorrem no solo, cuja biota é organizada, tanto estrutural quanto funcionalmente, em microcomunidades específicas. Essas comunidades podem ser modificadas tanto naturalmente quando pelas atividades humanas, sendo que o grau de mudança depende da natureza do impacto, sua intensidade e duração. O manejo inadequado dos solos agrícolas, por exemplo, faz com que a mesofauna, da qual as formigas fazem parte, desapareça por completo.

A diversidade local de formigas tem sido correlacionada com a complexidade da vegetação, clima, disponibilidade de recursos e interações interespecíficas. Por isso elas podem ser consideradas um dos melhores grupos de invertebrados para avaliação e monitoramento ambiental.

Contudo todos os insetos tem um papel fundamental na manutenção da vida na natureza, sem eles muitas espécies de animais e plantas provavelmente não existiriam. Além de mostrarem boa qualidade ambiental, ajudam no processo da cadeia alimentar. São pequenos mas importantes.

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QUEM SÃO OS INSETOS AQUÁTICOS E POR QUE ELES SÃO BIOINDICADORES DO MEIO AMBIENTE?


Investigar a biodiversidade das águas de determinada região pode ser a melhor forma de analisar índices de poluição e qualidade do ambiente aquático.

http://www.bioorbis.org/2015/04/insetos-aquaticos-e-bioindicadores.html
Figura 3. Os pequenos insetos aquáticos. Pixabay/Domínio Público.

Insetos aquáticos são animais que vivem pelo menos um estágio do ciclo de vida em ambientes aquáticos. Eles podem ser larvas ou estarem em estado mais avançado neste ciclo. Para sobreviverem com a baixa presença de oxigênio que existe dentro das águas, esses insetos tiveram que se adaptar e desenvolveram diversos mecanismos para a respiração. Alguns possuem brânquias ou sifões e outros respiram por meio de pigmentos respiratórios ou cutículas cutâneas.

Por estarem no ambiente aquático, esses insetos são considerados bioindicadores (Figura 5 e 6). Bioindicadores são espécies, grupos de espécies ou comunidades biológicas cuja presença, quantidade e distribuição indicam a magnitude de impactos ambientais em um ecossistema aquático e sua bacia de drenagem. Eles, muitas vezes, são mais eficientes para o estudo da qualidade do ecossistema do que a investigação de outros fatores físicos e químicos da água como a temperatura, o PH e os minerais presentes.

Figura 4. Os líquens são uma associação de algas e fungos, um tipo de mutualismo, que são bioindicadores. Pixabay/Domínio Público.

Animais desse tipo podem ter uma maior ou menor resistência à poluição. Alguns são considerados sensíveis, só vivem em ambientes limpos e suas comunidades diminuem muito em ambientes não ideais; outros são considerados tolerantes e são encontrados em meio à poluição.

Figura 5. As libélulas são excelentes bioindicadores. Pixabay/Domínio Público.

Esses animais precisam de condições específicas para que possam se desenvolver e é por isso que a presença deles em determinados ambientes aquáticos pode determinar se a qualidade da água é boa ou ruim e se existe poluição nesses locais ou não.

Quais são os insetos aquáticos bioindicadores?


Alguns indicadores observados pelos cientistas são: quando há um grande número de ChironomidaeSimulídeos e Hirudineas existe baixo teor de O2 e a qualidade da água é muito ruim, quando há pouca presença de ninfas de Plecoptera é porque o ambiente está com altas temperaturas, quando toda a diversidade está comprometida, é porque os índices de pesticidas poluentes da água estão muito altos.

Esses animais são importantes para os ecossistemas onde vivem e para oferecer informações aos pesquisadores. Um ambiente aquático sem a presença de biodiversidade está fadado a morrer e representa verdadeiros riscos à população que se desenvolve ao redor dele.

Figura 6. Uma libélula, um inseto bioindicador. Pixabay/Domínio Público.

Desmatamento, atividades mineradoras, desvio de cursos de rios, poluição por esgotos ou por agrotóxicos, essas e outras interferências humanas provocam a morte de toda uma biodiversidade e prejudicam o desenvolvimento ambiental. Até mesmo os pequenos animais da natureza, que muitas vezes não são sequer percebidos, são capazes de comunicar a urgência em se preservar o meio ambiente.

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VOCÊS CONHECEM OS INSETOS AQUÁTICOS CYBISTER?



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Os Dytiscidae são coleópteros aquáticos que completam grande parte de seu ciclo vital na água, principalmente estancada como os charcos e lagos, porém também em água corrente como nos cursos fluviais, torrentes e riachos e, às vezes, em águas baixas e de temporais como charcos e riachos, inclusive em pântanos e mananciais

Cybister
Figura 7. Morfologia do Cybister. Imagem adaptada de PERUZZO, 2008.

São animais carnívoros, predadores tanto no estágio adulto como no de larva e se alimentam de pequenos artrópodes e moluscos. São encontrados facilmente onde abundam plantas aquáticas e hidrófilas entre as quais se escondem e descansam.

Porém uma abundante quantidade de peixes condiciona negativamente sua presença. Os dytiscidae, que passam a maior parte embaixo das águas, vêem-se obrigados a emergir periodicamente para respirar, guardando oxigênio em forma de bolhas de ar com as extremidades posteriores do abdômen.

A reserva de ar se acumula embaixo dos élitros, numa cavidade onde se abrem os estigmas respiratórios. Graças a esta mecanismo, os insetos podem resistir até 10-15 minutos de "apneia". Seu nome deriva precisamente da palavras grega "dytes" que significa "mergulhador".

Figura 8. Casal da espécie Hydrous piceus. Fonte da imagem: Adaptado de Peruzzo, 2008.

Além de serem perfeitamente adaptados à natação são também excelentes voadores. Botam ovos na primavera nos tecidos vegetais aquáticos, ou no fundo, graças a um ovopositor especial.

Botar os ovos é uma operação muito delicada que lha consome muito tempo e requer precisão. As larvas são muito diferentes na sua forma adulta (assim como o resto dos coleópteros), possuem um corpo longo fusiforme que mede até 6 cm. 

As larvas dos dytiscidaes se parecem muito com as das libélulas e estão entre os invertebrados mias vorazes da água doce, tanto que em inglês recebem o nome comum de "tigres das águas".

São habilidosos nadadores dotados de mandíbulas robustas transformadas em pinças capazes de capturar presas notavelmente maiores do que eles, inclusive pequenos peixesNo sul da Europa existem umas 200 espécies, já mundialmente se conhecem perto de 3.000.

Referências
EDITORE, Alberto Peruzzo. Autênticos insetos de coleção. Insetos, aracnídeos e outros artrópodes. A natureza de 1000 formas e cores, 2008.
Métodos de Estudos em Biologia da Conservação & Manejo da Vida Silvestre. Laury Cullen Jr.; Rudy Rudran; Cláudio Valladares-Padua. Editora UFPR.

4 comentários:

  1. Respostas
    1. kkkk elas desempenham sim algum papel, mas mais no meio urbano. Elas ajudam na reciclagem dos nutrientes em decomposição.

      Agradecemos pelo comentário, um grande abraço,

      Equipe BioOrbis.

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  2. Respostas
    1. Olá,

      Retiramos do livro Métodos de Estudos em Biologia da Conservação & Manejo da Vida Silvestre. Laury Cullen Jr.; Rudy Rudran; Cláudio Valladares-Padua. Editora UFPR. Você pode referenciar por ele.

      Att. Equipe BioOrbis.

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