O que os refrigerantes e mergulhadores tem em comum?

Refrigerantes e mergulhares, uma comparação que com certeza nunca passou pela sua cabeça não é mesmo? Mas o que eles teriam em comum?

 http://www.bioorbis.org/2015/11/refrigerantes-e-mergulhadores.html
Fonte da imagem: pixabay.

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Antes de você saber o por que os refrigerantes e os mergulhadores tem algo em comum vamos te explicar uma pequena equação de química.

O CO² transportado pelo sangue humano toma parte do seguinte equilíbrio:

Figura 2. Fonte da imagem: salabioquimica

Nos tecidos do organismo, onde há produção de CO²  graças à respiração das células (Figura 2), a [CO²] é alta e o equilíbrio é deslocado para a direita. Quando o sangue passa pelos pulmões, o CO² é eliminado pela expiração e, como consequência, o equilíbrio é deslocado para a esquerda.

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O pH no nosso sangue


Ao encher rapidamente alguns balões de borracha, você certamente percebeu como é fácil ficar um pouco “atordoado”. Ao enchê-los, está se eliminando muito rapidamente CO² da corrente sanguínea.

O deslocamento do equilíbrio para a esquerda produz a [H+], afetando o pH do sangue. Pequeninas variações de pH do sangue são suficientes para provocar tonturas e até mesmo desmaios. (O pH do sangue humano permanece tipicamente na faixa de 7,3 a 7,5).


Figura 3. Uma garrafa de Coca-cola na praia. Pixabay/Domínio Público.

MERGULHOS PROFUNDOS E REFRIGERANTES, O QUE ELES TEM EM COMUM?


O CO² é apenas um dos gases dissolvidos no nosso sangue. Há também O², e outros em menor quantidade. Lembra-se da Lei de Henry (Figura 4): quanto maior a pressão, maior é a quantidade de gás que se dissolve.

Quando um mergulhador desce a grandes profundidades carregando cilindros de ar comprimido, a alta pressão desse gás faz com que seu sangue passe a conter mais ar dissolvido do que conteria se estivesse na superfície.

Se o mergulhador voltar à superfície muito rapidamente, a brusca redução de pressão reduz a solubilidade dos gases e isso faz com que sejam expulsos do sangue. Há a formação de bolhas nas veias e artérias, impedindo o fluxo de sangue e provocando dores nas juntas e nos músculos, surdez, paralisia e até mesmo a morte.


Figura 4. A lei de Henry tem muito a ver com mergulhos em profundidade e com embalagens de refrigerantes sendo abertas. Pixabay/Domínio Público.

Essa situação pode ser comparada à de uma garrafa fechada de refrigerante. Nela, o gás se encontra dissolvido sob ação da alta pressão. Ao abrimos a garrafa, provocamos uma súbita redução da pressão e, em consequência, diminui a solubilidade do gás. Repentinamente há a formação de bolhas, dispersas por todo o líquido.

Para mergulhos muito profundos, o ar comprimido é substituído por uma mistura de oxigênio e hélio, pois o hélio é menos solúvel no sangue do que o nitrogênio, atenuando um pouco o problema.

Referência
PERUZZO, Francisco Miragaia; CANTO, Eduardo Leite. Química na abordagem do cotidiano. Volume 2, Físico-Química. 3ª edição. 2004.

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