Toxina botulínica: o bandido que virou mocinho

As toxinas botulínicas são produzidas pela bactéria anaeróbica Clostridium botulinum. Dos outo diferentes tipos de toxinas botulínica que foram reconhecidos, sete são neurotoxinas (tipos A à G, sendo a do tipo A à mais estudada). Cada tipo apresenta diferentes propriedades e modos de ação.

 http://www.bioorbis.org/2018/01/toxina-botulinica-o-bandido-que-virou.html
Clostridium botulinum. Fonte da imagem: FoodLaw.

VAMOS DESCOBRIR...

A TOXINA BOTULÍNICA


A toxina botulínica é um dos mais mortais venenos conhecidos. Sessenta bilionésimos de grama podem matar um ser humano. Comidas enlatadas (Figura 3) que não tenham sido bem esterilizadas são o ambiente ideal para a proliferação do Clostridium botulinum (Figura 2). Se a comida foi contaminada, ela produzirá um cheiro característico e gás, o que faz com que as latas fiquem infladas. 


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Figura 2. Clostridium botulinum. Fonte da imagem: Pinterest.

A doença provocada por esta bactéria é conhecida como botulismo (Figura 4) e os sintomas, que começam três dias após a ingestão de comida contaminada, incluem vômito, constipação e paralisia dos olhos e dos músculos respiratórios. A reversão do quadro é possível com a administração de antitoxinas nas primeiras 24 horas após a ingestão da toxina.


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Figura 3. Enlatados. Fonte da imagem: TheSpruce.

O BANDIDO QUE VIROU MOCINHO


Mas essa toxina também tem um outro lado. O trabalho com a toxina botulínica como agente terapêutico começou no fim dos anos 60. A partir daí, ela deixou de ser considerada uma causadoras de doenças, e passou a ser tida como uma droga potente para o tratamento de sintomas de doenças neurológicas. Ínfimas quantidades de toxina botulínica do tipo A têm grande potencial no tratamento de uma ampla gama de doenças associadas com hiperatividade muscular.

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Figura 4. Botulismo. Fonte da imagem: FoodSafetyBrazil.

Em 1989, um laboratório americano conseguiu o direito de comercializar a toxina botulínica tipo A, conhecida como BOTOX® (Figura 5). No final deste mesmo ano, o BOTOX® foi aprovado para o uso em pacientes, com mais de doze anos de idade, que apresentassem estrabismo e blefarospasmo, ou seja, contração do músculo orbicular das pálpebras, associado à distonia.


Atualmente é usado no tratamento de certas desordens neuromusculares caracterizadas por espasmos ou contrações musculares involuntárias, sendo aprovado em mais de 61 países, inclusive o Brasil.


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Figura 5. Botox®. Fonte da imagem: FernandoPaolo.

O tratamento com BOTOX® é feito à base de injeções intramusculares que reduzem a hiperatividade muscular. Seu efeito persiste por aproximadamente três meses. A toxina botulínica age seletivamente nas terminações nervosas colinérgicas periféricas para inibir o neurotransmissor acetilcolina na junção neuromuscular.

Vejam um vídeo do mecanismo de ação da toxina botulínica, do canal Villevisage:



O BOTOX, E SEUS USOS NO MERCADO


O BOTOX® também tem sido utilizado em larga escala para tratamentos estéticos. Ele tem se mostrado muito eficaz como atenuante de rugas e marcas de expressão. O que acontece é que, com o passar do tempo e o uso contínuo dos músculos de expressão da face, eles se tornam hipertrofiados e com o tônus aumentado. Esse aumento muscular provoca o aparecimento de rugas e sulcos.


O efeito é ainda aumentado com o envelhecimento provocado pela luz solar, que diminui a elasticidade da pele. O BOTOX® pode ser usado nas regiões entre as sobrancelhas, testa e nos “pés de galinha”. A substância é injetada nos músculos hipertrofiados e assim se obtém uma paralisia temporária, suprimindo as rugas mais leves e atenuando as mais profundas. O efeito é de aproximadamente seis meses no fim desde período há atrofia do músculo, levando algum tempo para que ele volte ao seu estado tonificado anterior. A aplicação, então, pode ser repetida.

Referências
AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia dos Organismos. Classificação, estrutura e função nos seres vivos. Editora Moderna. Volume 2. 1ª edição. 1998.
UZUNIAN, Armênio; BIRNER, Ernesto. Biologia 2. Editora Harbra. Prêmio Jabuti, 2002.

Para finalizar veja um vídeo do canal UnisulTV, sobre Botulismo, o perigo da doença nos alimentos:


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