Como identificar as espécies de plantas?

Em florestas, a luz é um dos fatores ambientais mais importantes na limitação de ocorrência das diferentes espécies numa escala local.

 https://www.bioorbis.org/2018/02/como-identificar-as-especies-de-plantas.html
Tapiá (Alchornea spp.). Fonte da imagem: TipDisease.

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As plantas Pioneiras e as Não-Pioneiras


De modo geral, podemos dividir aquelas que ocorrem em florestas no grupo (guildas) das PIONEIRAS e NÃO-PIONEIRAS.

Figura 2. Manacá-da-serra (Tibouchina spp.). Fonte da imagem: Wikipédia.

O primeiro pode ser subdividido ainda em:

Pioneiras: aquelas que necessitam de luz ao longo de todo o seu curto ciclo de vida. Exemplos: manacá-da-serra (Tibouchina spp.) (Figura 2) e tapiá (Alchornea spp.) (Figura da 1 capa) na Mata Atlântica, vismia (Vismia spp.) (Figura 3) e Embaúba (Cecropia spp.) (Figura 4) na Amazônia;

Figura 3. Vismia (Vismia spp.). Fonte da imagem: Tropical.

Figura 4. Embaúba (Cecropia spp.). Fonte da imagem: Rã-Bugio.

- Secundárias iniciais: necessitam de sombra apenas na germinação e estabelecimento inicial. Após seu estabelecimento, necessita de luz direta no decorrer de sua vida. Tendem a viver muito mais que as pioneiras. Exemplos: jacarandá-bico-de-pato (Machaerium spp.) (Figura 5) na Mata Atlântica e timburana (Abarema spp.) (Figura 6).

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Figura 5. Jacarandá-bico-de-pato (Machaerium spp.). Fonte da imagem: Alchetron.

Figura 6. Timburana (Abarema spp.). Fonte da imagem: CalPhotos.

O segundo grupo (NÃO-PIONEIRAS) pode ser subdividido em:

Secundárias tardias: necessita de luz apenas quando adulta para reprodução. As espécies deste grupo germinam, se estabelecem e crescem sob a sombra ou luz difusa. Plantas de crescimento lento e de longo ciclo de vida. Exemplos: jequitibá (Cariniana spp.) (Figura 7) na Mata Atlântica e cumaru (Dipteryx odorata) (Figura 8) na Amazônia. Jatobá (Hymenaea courbaril) (Figura 9) em ambos;


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Figura 7. Jequitibá (Cariniana spp.). Fonte da imagem: Refloresta.

Figura 8. Cumaru (Dipteryx odorata). Fonte da imagem: Embrapa.

Figura 9. Jatobá (Hymenaea courbaril). Fonte da imagem: flickr.

Umbrófilas: necessitam de sombra ao longo de todo o seu ciclo de vida. Longo ciclo de vida. Exemplos: palmito-juçara (Euterpe edulis) (Figura 10) e guaricanga (Geonoma spp.)  (Figura 11) na Mata Atlântica e cafezeiro-do-mato (Cheiloclinium spp. e Salacia spp.) (Figura 12) na Amazônia. Erva-de-rato (Psychotria spp.) em ambos.

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Figura 10. Palmito-juçara (Euterpe edulis). Fonte da imagem: ParqueEstadualSerradoMar.

As estratégias de reprodução das plantas Pioneiras e Não-Pioneiras


Ou seja, de modo geral, as espécies arbóreas possuem duas estratégias de vida: aquelas que alocam boa parte de seus recursos no crescimento e reprodução (estrategistas r), as PIONEIRAS, e aquelas que alocam seus recursos em biomassa e resistência à competição (estrategistas K), as NÃO-PIONEIRAS.

Sendo assim, as PIONEIRAS possuem altas taxas de crescimento, seus frutos são pequenos e produzidos anualmente.


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Figura 11. Guaricanga (Geonoma spp.). Fonte da imagem: Wikipédia.

As NÃO-PIONEIRAS possuem baixas taxas de crescimento, seus frutos são maiores e nem sempre produzidos anualmente.

Ter esse conhecimento é algo primordial para conseguirmos classificar o estágio de sucessão de uma floresta, algo muito importante para qualquer tipo de caracterização ambiental que necessita ser feita para fins de licenciamento ambiental ou conhecimento da vegetação.


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Figura 12. Cafezeiro-do-mato (Cheiloclinium spp.). Fonte da imagem: FrutosAtrativosdoCerrado.

As espécies pioneiras tendem a predominar em estágios iniciais de regeneração, principalmente no dossel. Já as não-pioneiras predominam no estágio avançado de regeneração.

Agora, se eu sei qual é a espécie, como saber em qual grupo sucessional ela se encaixa? Há alguns artigos científicos que classificam as espécies (embora seja questionável para alguns casos). Um deles, segue abaixo (há muitos outros), clique no título para acessar o PDF: 
Bernacci, L.C. et al. 2006. O efeito da fragmentação florestal na composição e riqueza de árvores na Região da Reserva Morro Grande (Planalto de Ibiúna, SP). Rev. Ins. Flor. 18:121-166.

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Referência
Laury Cullen Jr.; Rudy Rudran; Cláudio Valladares-Padua. Métodos de Estudos em Biologia da Conservação & Manejo da Vida Silvestre. Editora UFPR.

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