Os pequenos sapos Dendrobates e sua grande toxicidade

Os sapos Dendrobates são anfíbios bem coloridos e conhecidos pela sua eficiente defesa química contra predadores, e que defesa!

 https://www.bioorbis.org/2018/11/pequenos-sapos-dendrobates.html
A rã venenosa preta e verde (Dendrobates auratus). Fonte a imagem: Understory.

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Experimentos realizados por pesquisadores demonstraram que o veneno desses anuros os protege contra predadores


Quando se oferece uma rã venenosa preta e verde (Dendrobates auratus, Figura da 1) e um sapo-americano (Bufo americanus Figura 2) como alimento para a serpente (Thamnophis sirtalis Figura 3) verifica-se uma taxa de sobrevivência bem alta em Dendrobates (89,6%) em relação à taxa observada em Bufo (3,4%). 


Figura 2. O sapo-americano (Bufo americanus). Fonte da imagem: Wikipédia.

Quando a serpente come a rã venenosa preta e verde (Dendrobates auratus) apresenta convulsões, perda de equilíbrio e enrolamento do corpo, ao passo que nada lhe acontece ao se alimentar do sapo-americano (Bufo americanusi).

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ANFÍBIOS E SUA PROTEÇÃO VENENOSA


Os anfíbios em geral, apresentam na usa secreção cutânea quatro classes de compostos: as proteínas e peptídeos, as aminas biogênicas, os esteroides e os alcaloides. Dentre esses compostos, os alcaloides, substâncias normalmente presentes em vegetais, parecem ser os únicos que não são sintetizados pelos próprios anfíbios.

Figura 3. A serpente (Thamnophis sirtalis). Fonte da imagem: StevenBolGarterSnakes.

Devem estar contidos em invertebrados (besouros, formigas, milípedes etc.) que se alimentam de determinadas plantas (ou fungos). Supõe-se que os anfíbios recebam os alcaloides indiretamente através desses invertebrados, ingeridos na sua dieta. Os dendrobatídeos são muito conhecidos por apresentarem alcaloides na sua secreção cutânea. Quanto à toxicidade dessas substâncias, destacam-se as batracotoxinas que ocorrem no gênero Phyllobates, onde se encontram os anfíbios mais letais.

Os indígenas da Colômbia (Emberás), por isso, quando manuseiam Phyllobates terribilis para a obtenção do veneno usados em seus dardos, valem-se de folhas de certas plantas para proteger as mãos. Entretanto, quando os dendrobatídeos são mantidos em cativeiro, a concentração dessas substâncias tende a diminuir com o tempo.

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Uma pela bastante tóxica


A batracotoxina é um alcaloide de altíssima toxicidade que, segundo estudos recentes, pode provir de besouros Melyridae (Figura 5), possível alimento dos Phyllobates. Para se ter uma ideia, apenas 0,2 mg constitui a dose letal humana, por via endovenosa, sendo que um único espécime de Phyllobates terribilis (Figura 4) pode conter cerca de 2 mg de batracotoxina.


Figura 4. A rã-ouro (Phyllobates terribilis). Fonte da imagem: NetNature.

A batracotoxina é intensamente cárdio, mio e neurotóxica. Perturba a coordenação e o equilíbrio, é dispneica e provoca convulsões crônicas e arritmias cardíacas.

É curioso o relato da experiência vivida pelos pesquisadores pioneiros no estudo toxicológico da secreção cutânea de Phyllobates terribilis. Em certa ocasião, a coleta de secreção foi efetuada em trabalho de campo, utilizando-se luvas de borracha. 


Figura 5. Os besouros da família Melyridae. Espécie da foto Malachius bipustulatus Fonte da imagem: Wikipédia.

Ao final do trabalho, essas luvas, juntamente com todo o lixo gerado pela equipe, foram descartados. Infelizmente, galinhas e cães que tiveram contato com esses materiais foram encontrados mortos.

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Referência
CARDOSO, et al. Animais Peçonhentos no Brasil. Biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. Editora Sarvier. 2009.

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