O imponente e tirano Gavião-pega-macaco

Pelas densas florestas, ele está espreita a procura de uma presa, um primata, que está distraído, e acabará nas garras mortais desse predador astuto.

 https://www.bioorbis.org/2018/12/ave-rapina-gaviao-pega-macaco.html
O imponente Gavião-pega-macaco. Foto tirada por Joao Quental, do site flickr.

VAMOS DESCOBRIR...


O FALCÃO TIRANO


Esse incrível gavião mede cerca de 72 cm. Apresenta coloração negra, com abdômen e calções salpicados de branco (Figura 5) e um penacho (Figura 1, da entrada do post). Seu nome científico significa: do (grego) spizas = falcão; e aetos = águia; e do (latim) tyrannus, turannus = tirano, sem piedade, ou seja, Falcão águia tirano.


Em voo, suas asas têm silhueta quase elíptica. Quando sobrevoa uma mata, pode emitir melodiosos assobios altos.

DO QUE ELE SE ALIMENTA?


Caça mais mamíferos (Figura 2) que aves, dando preferência aos primatas, daí deriva seu nome popular, gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus). 

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Figura 2. Gavião-pega-macaco com uma presa, um mamífero. Foto tirada por Norton Santos, do site WikiAves.

Especialista nesse tipo de presas de hábitos arborícolas, voa rente às copas ou desloca-se de galho em galho, predando também tucanos e araçaris, aracuãs, morcegos, esquilos, marsupiais, saguis, iguanas e até cobras.

HABITAT E DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA


Habita em florestas úmidas de todo o País, especialmente na Mata Atlântica e na Amazônia e em matas de galeria. Localmente frequente, tolera certa perturbação antrópica em seu biótopo.

Ocorre do México à Argentina e Paraguai. Apesar de sua distribuição geográfica abranger todo o Brasil, o gavião-pega-macaco não é comumente observado, principalmente na região Sudeste, onde as extensas áreas de floresta estão cada vez mais escassas.


Apesar disso, é considerado comum em matas serranas do município de Teresópolis e no Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no estado do Rio de Janeiro. No estado de Santa Catarina, ainda é possível observar a espécie em locais onde a mata se encontra regularmente conservada e preservada.

REGISTROS HISTÓRICOS DA ESPÉCIE EM MINAS GERAIS


Os registros históricos para a região de Minas Gerais assinalam que o gavião-pega-macaco já ocorreu entre Sabará e Santa Luzia em Vargem Alegre. Foi observado no Parque Nacional do Itatiaia em outubro de 1986; um indivíduo foi visto sobrevoando o Vale do Peruaçu, em novembro de 1986, município de Januária (Andrade 1991).

REPRODUÇÃO


O gavião-pega-macaco faz seu ninho no alto das árvores com gravetos (Figura 3). A fêmea bota geralmente 2 ovos que são chocados por cerca de 40 dias. Os filhotes (Figura 4) deixam o ninho após 80 a 90 dias.

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Figura 3. Um casal de gaviões-pega-macaco. Foto tirada por Ruy Cardoso de Almeida, do site WikiAves.

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Figura 4. Um filhote do gavião-pega-macaco. Foto tirada por Mauricio Freitas, do site WikiAves.


Como em outras aves de rapinas tropicais, o desenvolvimento do gavião-pega-macaco é lento e esta espécie normalmente nidifica uma vez a cada dois ou três anos. Seu ninho é predado por macacos.

PRINCIPAIS AMEAÇAS AO GAVIÃO-PEGA-MACACO


Como a espécie está associada a extensas áreas de matas de grande porte, a principal ameaça é a destruição de seu habitat, que nos últimos anos vem diminuindo drasticamente.


Uma segunda ameaça seria a sua caça por fazendeiros, já que o gavião-pega-macaco tem condições de atacar pequenas criações domésticas, como pintinhos e galinhas. A capturada de adultos e filhotes também deve acontecer, pois se trata de uma ave de rapina imponente e cobiçada entre os colecionadores.

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Figura 5. Gavião-pega-macaco. Fonte da imagem: photoaves.

Segundo Sick & Teixeira (1979) afirmaram que o declínio das populações do gavião-pega-macaco poderá agravar-se futuramente com a derrubada das matas nativas onde vive.

ESTRATÉGIAS PARA SUA CONSERVAÇÃO


Uma melhor proteção das extensas áreas de florestas onde a espécie ainda ocorre, a realização de estudos em campo mais aprofundados, onde visem descobrir novos pontos de ocorrência da espécie e também conhecer melhor sua biologia, são algumas medidas que devem ser tomadas a curto prazo.


Como ação preventiva, deve-se também fazer um controle mais rígido dos desmatamentos e queimadas em sua área de distribuição.

Uma estratégia de conservação e manejo da espécie, a médio e longo prazo, seria iniciar um programa de criação em cativeiro, com apoio de alguns zoológicos e criadouros conservacionistas do país.

Referências
AGUIAR, Ludmila M. de S.; FONSECA, Gustavo A. B; LINS, Lívia V; MACHADO, Angelo B.M.; MACHADO, Ricardo B. Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna de Minas Gerais. Belo Horizonte, 1998.
ANDRADE, M.A. 1991. Notas sobre aves ameaçadas de extinção que ocorrem em Minas Gerais. Revista SOM 39:16-17.
PINTO, O. 1952. Súmula histórica e sistemática da ornitologia em Minas Gerais. Arquivos de Zoologia VIII (1):1-51.
RAPOSO, M.A., J.B. NACINOVIC & R. PARRINE. 1994. Notas sobre algumas aves raras ou ameaçadas de extinção no município de Teresópolis, Rio de Janeiro. Recife, Resumos do IV Congresso Brasileiro de Ornitologia. p. 71.
ROSÁRIO, L.A. 1996. As aves em santa Catarina: distribuição geográfica e meio ambiente. Florianópolis, Fatma. 326 pp.
SCHERER NETO, P., D. KAJIWARA, E. CARRANO & L.M. ABE. 1997. Novos registros do gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus para os estados do Paraná e Santa Catarina. Atualidades Ornitólogias (79):11.
SICK. H. 1997. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro, Nova Fronteira. 912 pp.
SICK, H. & D.M. TEIXEIRA. 1979. Notas sobre aves brasileiras raras ou ameaçadas de extinção. Publi. Avulsas Museu Nacional 62:1-39.

Para finalizar veja um vídeo do canal Renato Moreira, sobre Spizaetus tyrannus:


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