terça-feira, 12 de março de 2019

Dinossauros: Mitos e Verdades

Os dinossauros tinham sangue frio como os lagartos ou sangue quente como os mamíferos? Um pergunta intrigante, então vamos saber mais um pouco de como era o estilo de vida deles.

 http://www.bioorbis.org/2019/03/dinossauros-mitos-e-verdades.html
Pixabay/Domínio Público.

VAMOS DESCOBRIR...


A TEMPERATURA DO CORPO DOS DINOSSAUROS

A alegação é que os dinossauros tinham sangue quente, assim como as aves e os mamíferos, e não eram frios e lentos como os lagartos e cobras. Para ser específico, a questão não é realmente se o sangue dos dinossauros era quente ou frio. Afinal, em um dia quente de sol, até mesmo um assim cha­mado "lagarto de sangue frio" pode se aquecer, esquentar o seu sangue e, estritamente falando, ter um sangue quente cir­culando em suas artérias e veias. A questão não é a tempera­tura do sangue, quente ou fria, mas se a fonte de aquecimento é interna ou externa. Para tomar a questão mais clara, dois termos úteis precisam ser definidos, ectotérmico e endotérmico. Animais que dependem principalmente da luz do sol ou de radiação do ambiente ao redor para aquecer seus corpos são animais de sangue frio ou, mais precisamente, ectotérmicos ("calor de fora"). Tartarugas, lagartos e cobras são alguns exemplos. Animais de "sangue quente" produzem calor dentro de seus corpos por meio do metabolismo de proteínas, gor­duras e carboidratos. Para se mais preciso, animais de sangue quente são endotérmicos ("calor de dentro"). Aves e mamíferos são exemplo óbvios.

Os dinossauros eram ectotérmicos ou endotérmicos? A fonte que aquecia o seu corpo é que está sendo debatida, não a temperatura do seu sangue.


Para os ectotérmicos, o calor é facilmente obtido e "barato". Eles só precisam se aquecer no sol. O problema de tal estilo de vida é que o sol não está disponível à noite e também não está sempre disponível nos climas temperados frios. De maneira contrastante, para os endotérmicos, o calor é custoso. Uma re­feição digerida, com frequência apanhada com grande esforço, produz gorduras, proteínas e carboidratos necessariamente gas­tos em parte para gerar calor para manter o corpo do animal endotérmico quente. Os endotérmicos têm a vantagem de que sua atividade não precisa estar vinculada ao calor disponível no ambiente.



Essas fisiologias diferentes são acompanhadas por estilos de vida diferentes. Os ectotérmicos se aquecem ao sol; nas noites frias, tornam-se lentos e nos invernos gelados eles hibernam. Os endotérmicos permanecem metabolicamente ativos durante todo o dia e em todas as estações, a despeito do clima frio ou rigoroso. Certamente existem exceções — alguns mamíferos pequenos hibernam mas a endotermia requer uma atividade contínua na maioria dos casos. Portanto, a questão da endotermia nos dinossauros não é apenas em relação à fisiolo­gia, mas é sobre que estilo de vida eles tinham.

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Uma réplica de um dinossauro. Pixabay/Domínio Público.

Como os dinossauros são répteis, eles foram conside­rados por muitos anos como sendo ectotérmicos, tal como seus parentes vivos — lagartos, cobras, tartarugas e crocodilos. Inicialmente, a ideia de dinossauros endotérmicos foi construída sobre quatro principais linhas de evidência. Veremos os ar­gumentos a seguir:

Isolamento. Em primeiro lugar, alguns répteis do meio até o final do Mesozoico tinham um isolamento superficial ou, pelo menos, pareciam ter. Para os ectotérmicos, um isolamento superficial iria apenas bloquear a absorção dos raios solares através da pele e interferir com um aquecimento eficiente. Porém, para os endotérmicos, uma camada superficial que segurasse seu calor produzido internamente seria uma adap­tação esperada.




Infelizmente, o isolamento feito por materiais moles raramente é preservado, mas em alguns poucos fósseis do Mesozoico, impressões na rocha ao redor do fóssil indicam a presença de uma camada de isolamento que lembra pelos em alguns deles (pterodáctilos, terápsidos) e penas em outros (Archaeopteryx). De fato, as penas provavelmente surgiram inicialmente para o isolamento térmico e apenas depois evoluíram como superfícies aerodinâmicas. Portanto, aparentemente al­guns répteis do Mesozoico tinham isolamento assim como os endotérmicos, ao invés de pele nua como a dos ectotérmicos.



TAMANHO GRANDE E CLIMA TEMPERADO


Em segundo lu­gar, répteis grandes do Mesozoico são encontrados em regiões temperadas. Hoje, os répteis grandes tais como as grandes tar­tarugas terrestres e crocodilos não ocorrem em regiões tempe­radas. Eles vivem nos quentes climas tropicais ou subtropicais. Os únicos reptilianos atuais habitantes das regiões temperadas são lagartos e cobras pequenos e delgados. A razão é fácil de entender. Quando chega o inverno nas regiões temperadas e o frio glacial se estabelece, esses pequenos répteis ectotérmicos se espremem dentro de fendas profundas onde hibernam em segurança até a primavera e escapam das temperaturas glaciais do inverno.

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Uma pegada de dinossauro. Pixabay/Domínio Público.

Por outro lado, para um animal grande e volumo­so, não há nenhuma fenda ou fresta de tamanho apropriado dentro da qual possam se esconder para evitar o inverno frio. Animais grandes devem ser endotérmicos para sobreviver em climas temperados.




Embora o mundo do Mesozoico fosse mais quente do que hoje, sem nenhuma capa de gelo polar, os invernos nas regiões temperadas do norte teriam sido frios e os dias curtos. Portanto, a presença de répteis grandes em climas temperados do Mesozoico sugere que eram de sangue quente. Assim como os lobos, coiotes, alces, bisões e outros mamíferos grandes de regiões temperadas hoje, os répteis grandes do Me­sozoico dependiam do calor produzido fisiologicamente para sobreviverem.



PROPORÇÃO PREDADOR-PRESA


Em terceiro lugar, a proporção de predadores em relação às presas sugere dinossauros endo­térmicos. Animais endotérmicos, de certo modo, têm os seus fornos metabólicos ligados todo o tempo, de dia e de noite, para manter uma temperatura corpórea alta. Um único predador endotérmico, portanto, requer mais "combustível", na forma de presas, para manter a fornalha metabólica atiçada do que um predador ectotérmico de tamanho semelhante.



O biólogo Robert Bakker, então, raciocinou que deveria haver poucos predado­res, mas muitas presas (muito combustível para alimentar os poucos predadores) nos ecossistemas dominados pelos répteis endotérmicos. Porém, se os répteis ectotérmicos dominassem, então proporcionalmente mais predadores deveriam estar pre­sentes. Selecionando os estratos que foram passando durante o período de ascenção dos dinossauros, Bakker compilou as proporções. Se os arcossauros do Mesozoico estivessem se tornando endotérmicos, então a proporção entre predador e presa deveria cair. Isso, de fato, aconteceu. Como essa proporção foi acompanhada desde os primeiros répteis, até os pré-dinos­sauros e depois, até os dinossauros, verificou-se que ela caiu. Havia proporcionalmente menos predadores e mais presas.

HISTOLOGIA DOS OSSOS DOS DINOSSAUROS


Em quarto lugar, a microarquitetura do osso dos dinossauros é semelhante àquela dos mamíferos endotérmicos, não àquela dos répteis ectotérmicos. Os ossos dos répteis ectotérmicos exibem anéis de crescimento, tal como aqueles das árvores e, em grande parte pela mesma razão dá anéis nas árvores, eles crescem em episódios sazonais. Os mamíferos endotérmicos, com a temperatura corpórea constan­te durante o ano todo, não têm tais anéis de crescimento nos seus ossos. Quando vários grupos de dinossauros foram exami­nados, a microarquitetura dos seus ossos contou uma história bem clara — sem anéis de crescimento.

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Fóssil de dinossauro. Pixabay/Domínio Público.

Os dinossauros então se tornaram animais ativos. Saíam correndo e brincavam, perseguiam presas e corriam para se esconder. Do ponto de vista endotérmico, eram formidáveis. Até fizeram isso no cinema, bufando ar quente dos seus corpos aquecidos enquanto comiam mamíferos — pessoas — no filme Jurassic Park. O ponto importante que precisamos lembrar é que os dinossauros foram, à sua maneira, um grupo extraordinário. Esses animais ativos ocuparam quase todos os habitats concebíveis — terrestre, aquático, marinho, aéreo. Seus sistemas sociais eram complexos e os adultos de algumas espécies eram enormes.



Se os dinossauros eram endotérmicos, seu completo desaparecimento no final do Mesozoico pode ser apenas mais misterioso e a perda do esplendor impressionante desse grupo ainda mais intrigante. Embora os dinossauros tenham se extinguido, o debate sobre que tipo de réptil eles eram continua a se desenvolver.



Referência
KARDONG, Kenneth V. Vertebrados, Anatomia Comparada, Função e Evolução. Editora Roca LTDA, 2011. 10-3668. CDD: 596. CDU: 597/599.


Para finalizar veja um vídeo do canal Acredite ou Não, sobre 6 MAIORES MITOS QUE PRECISAM SER QUEBRADOS SOBRE OS DINOSSAUROS:


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