A descoberta do louva-deus-unicórnio da Mata Atlântica

Uma nova espécie incrível de louva-a-deus "unicórnio" foi descoberta na Mata Atlântica. Os pesquisadores encontraram diversos novos louva-a-deus, alguns deles exibindo incríveis protuberâncias similares a chifres na cabeça como de unicórnios.

 https://www.bioorbis.org/2019/06/descoberta-nova-especie-louva-deus-unicornio-mata-atlantica-inseto-brasil.html
Louva-a-deus unicórnio encontrado na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no Brasil, do gênero Zoolea, que pode ser de fato uma nova espécie. Foto de Leonardo Lanna.

VAMOS DESCOBRIR...


NAS PROFUNDEZAS DA MATA ATLÂNTICA


Na Mata Atlântica do Brasil, floresta litorânea mais antiga que a própria Amazônia, habitam unicórnios. Essa mata, que sofreu perdas de mais de 90% no último século e continua mal explorada, tem alguns dos maiores níveis de biodiversidade do mundo. E nela se encontra uma grande variedade de espécies diferentes e exóticas de louva-a-deus. Essas criaturas contam com misteriosas estruturas parecidas com chifres que se projetam a partir da cabeça, formando um cone único, daí ganhou nome popular de louva-deus-unicórnio. Embora existam diversas espécies catalogadas, muitas continuam desconhecidas.



Numa série de recentes viagens de exploração dessa imensidão selvagem, um grupo de pesquisadores que fazem parte do Projeto Mantis, sem fins lucrativos, descobriu algo entre cinco a sete novas espécies de louva-a-deus. A equipe se deparou com um estonteante louva-deus-unicórnio pouco antes do Natal de 2017, na Reserva Ecológica deGuapiaçu, parque à nordeste do Rio de Janeiro.


Zoolea-Louva-a-deus
Figura 2. Louva-a-deus unicórnio macho do gênero Zoolea encontrado no Parque Nacional da Serra da Bocaina. O "chifre" é utilizado como camuflagem para confundir. Foto de Leonardo Lanna.

Enquanto montavam armadilhas luminosas, o que envolve atrair insetos à noite com o brilho da iluminação, os pesquisadores descobriram um louva-a-deus unicórnio do tamanho da palma de uma mão, com um chifre proeminente e membros na cor vermelho-metálico, segundo o líder da equipe, Leonardo Lanna, cuja expedição foi financiada pela National Geographic Society. Era um “louva-a-deus realmente extraordinário e majestoso”, afirma Lanna.


Pseudovates-louva-deus
Figura 3. As patas raptoriais frontais, como as encontradas neste Pseudovates, são a característica mais distinta desses insetos. Elas lhes permitem agarrar a presa—e limpar os olhos, como este macho está fazendo. Foto de Leonardo Lanna.

Embora o indivíduo seja do gênero Zoolea (Figura 2), há uma boa probabilidade de ser uma espécie nova, que a equipe pretende descobrir — mas uma investigação mais profunda demanda tempo, assim como é necessária uma cuidadosa comparação com os espécimes de museus e instituições de pesquisas.



A DESCOBERTA DE OUTRAS ESPÉCIES DE LOUVA-DEUS-UNICÓRNIO


Em diversos locais próximos ao Rio, os pesquisadores também coletaram uma nova espécie que será descrita num futuro artigo liderado por Julio Rivera, especialista em louva-a-deus da Universidad San Ignacio de Loyola, no Peru, que vem trabalhando com Lanna e outros colegas nos últimos anos.




Essa criatura apresenta pequenas protuberâncias na cabeça que, ao se juntarem, parecem formar um pequeno chifre. Já se sabia que seu gênero, Vates, ocorria principalmente na floresta amazônica, e a equipe atualmente tenta decidir um nome para a espécie desse inseto, de tamanho bastante considerável. “É incrível que um animal desse porte tenha andado por aí sem nunca ter sido notado”, disse Rivera.


Pseudovates-louva-deus
Figura 4. Lanna chama essa louva-a-deus Pseudovates de "verdadeira estrela do rock", destacando a cor escura dessa fêmea, o tórax espinhoso e os incríveis membros raptoriais na cor rosa. Foto de Leonardo Lanna.

Um dos mais interessantes desses louva-a-deus recém-descobertos foram encontrados num campo em alta altitude num parque a oeste do Rio, com suas antenas "balançando de forma majestosa contra o vento", diz Lanna. Esse grande inseto vermelho e laranja é similar a outros louva-a-deus do gênero Coptopteryx, mas estes costumam ser encontrados em terras baixas e secas de outros países da região, então há boa chance de que essa seja uma espécie nova, ele acrescenta.


Chloromiopteryx-louva-a-deus
Figura 5. Pequeno louva-a-deus fêmea verde, do gênero Chloromiopteryx, com impressionantes membros espinhosos. Foto de Leonardo Lanna.

Lanna observa que, diferentemente de outros pesquisadores, o grupo dele não mata os louva-a-deus para estudá-los, mas solta os indivíduos vivos, cria em cativeiro ou espera que eles morram para poder coletá-los. Que é bastante consciente pois insetos são fáceis de criar em cativeiro e também tem ciclos de vida curtos.

A CARACTERÍSTICA MAIS MARCANTE DO LOUVA-A-DEUS-UNICÓRNIO


Ainda não está claro exatamente por que os louva-a-deus unicórnios tem essas estranhas protuberâncias tão magníficas em suas cabeças. A melhor hipótese para uma pergunta, de o por que esses insetos possuem tal característica evidente, é que elas sirvam para alguma forma de mimetismo ou camuflagem.




Parece provável que "o objetivo delas seja desestruturar a silhueta desses animais", afrima Lanna, para que, por exemplo, a cabeça do louva-a-deus não se pareça com a cabeça de uma presa que poderia ser comida por algum possível predador, mas alguma outra coisa (não comestível), como a gema de uma folha. Provavelmente não são usados em lutas de machos contra machos como se vê em outras espécies de louva-a-deus.


louva-deus-Parastagmatoptera
Figura 6. Macho do gênero Parastagmatoptera, às vezes chamado de louva-a-deus arco-íris. Foto de Leonardo Lanna.

De fato, os louva-a-deus da Mata Atlântica são, como as suas outras espécies espalhados pelo mundo, são especialistas na arte da camuflagem e do mimetismo. Para os pesquisadores acharem esses incríveis animais em meio as densas florestas da Mata Atlântica, eles cruzam a mata à noite com lanternas, o que lhes proporciona um foco de luz para analisarem coisas específicas.



O pesquisador acrescenta que os louva-a-deus são extremamente importantes, como outros insetos, ao funcionamento dos ecossistemas. Como ressalva também devemos dizer que esses incríveis animais são de fundamental importância pois são endêmicos de um bioma em extinção. E mesmo em um ambiente quase no fim, a natureza nos mostra espécies novas e extraordinárias.

Referência
National Geographic.

Para finalizar veja um vídeo do nosso canal BioOrbis, sobre 🐜 Insetos como indicadores ambientais:

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.