Vital Brazil: a descoberta dos soros antipeçonhentos

Importante médico cientista, imonologista e pesquisador biomédico brasileiro de grande renome internacional.

 https://www.bioorbis.org/2019/09/vital-brazil-descoberto-soro-anti-peconhento.html
Vital Brazil. Fonte da imagem: GOVRio.

Nome: Vital Brazil Mineiro da Campanha.
Nascimento: 28 de abril de 1865. Campanha, Minas Gerias.
Morte: 8 de maio de 1950 (85 anos). Rio de Janeiro.
Nacionalidade: brasileiro.
Área: Medicina, imunologia.

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O desenvolvimento da maioria das pesquisas em saúde pública esteve fortemente associado ao combate de doenças transmissíveis, que constituíam grave problema no final do século XIX. Surgiram, assim, os institutos de pesquisa, entre os quais o Instituto Bacteriológico (1892), o Instituto Oswaldo Cruz (1900) e o Instituto Serumtherapico do Estado de São Paulo (1901), atual Instituto Butantan.



OS PRIMEIROS PASSOS PARA OS SOROS ANTIPEÇONHENTOS


Em 1890, o litoral brasileiro foi assolado pela peste bubônica, pela varíola e por outras doenças epidêmicas. Vital Brasil lutou bravamente ao lado de Osvaldo Cruz para sanear o litoral brasileiro. Já no fim de seu trabalho, foi atacado pelo mal epidêmico, escapando por milagre.

Figura 2. Vital Brazil em 1911. Fonte a imagem: Wikipedia. 

Foi nesse último Instituto que Vital Brazil demonstrou, pela primeira vez, que os envenenamentos causados por cascavel e jararaca (Figura 2) apresentavam manifestações clínicas distintas, dando início às experiências de imunização em cães, cabritos, bois e cavalos. Graças ao pesquisador brasileiro, ficou comprovado que a especificidade dos soros estava relacionada ao gênero da serpente, contrariamente ao que supunha o pesquisador francês Calmette, que difundiu o uso universal do seu antiveneno, acreditando que o soro produzido com o veneno de algumas espécies protegeria o indivíduo contra o envenenamento provocado por qualquer tipo de serpente.



Desde então, vários estudos têm demonstrado o valor indiscutível dos antivenenos na terapêutica dos acidentes por animais peçonhentos. Em 1901, Vital Brazil iniciou a produção dos soros antiofídicos; naquela ocasião, estimava a letalidade dos acidentes ofídicos em 25%, proporção essa que mostrava redução de mais de 50% dos casos de morte já em 1906, atribuída ao uso do soro. Passadas quatro décadas desde o início da produção dos soros antiofídicos no Brasil, estatísticas do Instituto Vital Brazil indicavam uma letalidade variável de 2,6 a 4,6% em acidentes humanos.



OS ANTIVENENOS E A PRODUÇÃO DOS SOROS POR VITAL BRAZIL


Em 1945, dada à necessidade de se dispor de um local reservado e de profissionais qualificados para a aplicação dos antivenenos (Figura 3), nas dependências do Instituto Butantan, foi fundado o Hospital Vital Brazil.

Figura 3. Vital Brazil segurando uma serpente. Fonte da imagem: JornalGGN.

Nesse serviço, a partir da década de 1950-1960, dados sistematizados sobre a sintomatologia dos acidentados passaram a ser coletados por Rosenfeld e, sobre terapêutica dos envenenamentos animais, são discutidos aspectos referentes à eficácia, via de administração, doses e complicações da soroterapia.


Estudos clínicos, incorporando subsídios laboratoriais na avaliação na eficácia dos antivenenos, começaram a ser publicados nos últimos 20 anos. Grande parte desses estudos diz respeitos aos envenenamentos ofídicos, evidenciando reversão da coagulopatia e de outras alterações sistêmicas do envenenamento. Contribuições significativas também tem sido realizadas em relação à terapêutica no escorpionismo. Mais recentemente, a produção de um antiveneno específico para o tratamento dos acidentes por Lonomia e a comprovação de sua eficácia revelam avanços técnicos e metodológicos nessa área do conhecimento.

RECONHECIMENTO INTERNACIONAL DE VITAL BRAZIL


Em 1951, quando o cientista brasileiro foi hóspede oficial do Congresso Científico Pan-Americano, em Washington, presenciou um fato que veio a consagrar seu soro anti-ofídico: um empregado de Broux Park limpava as gaiolas de cobras, quando foi mordido por uma “Crotalus” do Texas, uma das serpentes mais venenosas que existe.


Ele foi levado ao Hospital Alemão, onde lhe aplicaram permanganato e soro Calmette, sem resultado positivo. Já haviam decorrido 36 horas após a mordida, quando foi chamado o jovem brasileiro.

Figura 4. Vital Brazil na nota de 10.000 cruzeiros. Fonte da imagem: Famosos que partiram.

O agonizante tinha o braço muito inchado, aproximadamente o dobro do tamanho natural. Vital aplicou-lhe o soro que, até então, não havia sido experimentado em um ser humano. Seis horas após a aplicação, o doente começou a melhorar e 12 horas após estava fora de perigo.

Referências
CARDOSO, et al. Animais Peçonhentos no Brasil. Biologia, clínica e terapêutica dos acidentes. Editora Sarvier. 2009.
UZUNUAN, Armênio; BIRNER, Ernesto. Biologia 2. Editora Harbra, 2ª edição, Prêmio Jabuti 2002.

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