As Idades do Gelo do Pleistoceno: como os episódios de congelamento e degelo modificaram os ecossistemas do planeta

As extensivas glaciações episódicas que caracterizam o Pleistoceno foram eventos que estiveram ausentes, no mundo, desde a Era Paleozoica.

 

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Estas idades do gelo tiveram uma influência importante não somente sobre a evolução dos mamíferos da Era Cenozoica em geral, mas também sobre nossa própria evolução - e mesmo sobre as civilizações atuais. O mundo hoje, ainda pode ser considerado em uma Idade do Gelo, mas agora, habitamos um Período interglacial mais quente.


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Se todas as geleiras derretessem, o que aconteceria?

 

Por exemplo, atualmente, o volume de gelo na Terra constitui aproximadamente de 26 milhões de quilômetros cúbicos. Durante os episódios glaciais no Pleistoceno, houve até 77 milhões de quilômetros cúbicos de gelo, talvez mais. Um volume enorme de água ainda está preso nas capas polares e nas geleiras. O derretimento das geleiras do último episódio glacial, no final do Pleistoceno, há cerca de 10 mil anos, fez com que o nível do mar fosse elevado em 140 metros (quase metade da altura do Empire State Building), em comparação à condição relativamente estável dos dias de hoje. Se as geleiras atuais derretessem, o nível do mar subiria em mais 50 metros, inundando a maioria das cidades costeiras do mundo. Países inteiros, como Bangladesh e algumas nações das ilhas do Pacífico, seriam completamente submersas.


Hoje, as geleiras cobrem 10 por cento da superfície terrestre da Terra, principalmente nas regiões polares, mas também nas grandes montanhas. Em alguns momentos do Pleistoceno, uma massa de gelo que tinha, provavelmente, de 3 a 4 quilômetros de espessura, cobria 30 por cento da terra, e se estendia ao sul, na América do Norte, até o 38°N de latitude (sul de Illinois; Figura 19-4). Uma capa de gelo similar cobria o norte da Europa. Entretanto, a maior parte do Alasca, da Sibéria e da Beríngea (terras do Pleistoceno, entre o Alasca e o nordeste da Ásia, que estão, hoje, submersas) não tinha gelo e abrigava um bioma, conhecido como a Estepe dos Mamutes, ou estepe-tundra, desconhecido atualmente. Ele era, obviamente, muito mais produtivo do que os habitats de grandes latitudes atuais, pois continha um conjunto de faunas de mamíferos que rivaliza com a diversidade moderna encontrada na fauna da savana africana. Esta fauna combinava mamíferos atualmente ausentes das grandes latitudes, tais como leões e rinocerontes, com animais que persistem nas latitudes árticas hoje, tais como os veados e a rena.  Pólen fóssil também mostra que tipos de salva e gramíneas existiram nas estepes-tundra da Beríngea, que estão ausentes nos habitats de tundra atuais.


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    As geleiras no Pleistoceno

     

    Estas geleiras continentais avançaram e se retraíram diversas vezes durante o Pleistoceno (o hemisfério sul foi menos afetado porque, naquele momento, as massas de terra continentais do sul estavam mais distantes dos polos do que as do norte, como o que ocorre hoje). Houve quatro grandes episódios de glaciação, mas sabemos agora, que muitos destes pequenos episódios (20 ou mais) ocorreram entre os principais.

     

    A glaciação continental teve um efeito maior sobre o clima do mundo do que a simples cobertura de gelo nas grandes latitudes. Livros populares apresentam mamutes lutando para se soltar do gelo, mas as geleiras avançam vagarosamente o bastante para que os animais pudessem migrar em direção ao equador - embora problemas possam ocorrer se as rotas são bloqueadas por montanhas ou pelo mar. Entretanto, os animais da Eurásia, que vivem em climas mais frios, têm a vantagem de amplas conexões entre as zonas tropicais e temperadas, tanto na Ásia quanto na África. Em contraste, os animais norte-americanos teriam de atravessar o relativamente estreito Istmo do Panamá para atingir as áreas mais tropicais da América do Sul. Este gargalo geográfico pode ter limitado a migração de certos tipos de mamíferos.


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    A importância do degelo para os ecossistemas atuais

     

    A secagem das porções sem gelo da Terra, devido ao volume de água preso nas geleiras, foi, ao menos, tão importante para os ecossistemas terrestres como as próprias geleiras. Muitas das áreas equatoriais que hoje são cobertas por florestas pluviais de terras baixas, eram naquela época, muito mais secas, até mesmo áridas. O Período interglacial atual, relativamente suave, é mais frio e seco do que outros Períodos desse tipo no Pleistoceno. Por exemplo, durante outros Períodos interglaciais, os hipopótamos eram encontrados no que hoje é chamado de Deserto do Saara, e esses animais também eram encontrados na Inglaterra.


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    O que provocou estes episódios de glaciação?

     

    Uma teoria antiga sugere que a quantidade de radiação solar que incide sobre a Terra varia o bastante para afetar o clima do planeta. Na década de 1930, o astrônomo iugoslavo Milutin Milankovitch propôs que os episódios de glaciação são iniciados pela combinação de diversas pequenas variações na passagem da órbita da Terra ao redor do Sol com a posição relativa de nosso planeta com o astro. Três ciclos interagem aqui, cada um deles com sua periodicidade característica (tempo passado entre os extremos do ciclo): (1) a órbita elíptica da Terra ao redor do Sol (com uma periodicidade de 100.000 anos); (2) a inclinação do eixo rotacional da Terra (com uma periodicidade de 40.000 anos); e (3) a precessão do eixo rotacional da Terra (com uma periodicidade de 26.000 anos).

     

    Cada uma destas propriedades orbitais produz efeitos diferentes. A alteração da inclinação e da precessão do eixo rotacional modifica a distribuição da luz solar, com respeito à estação e à latitude, mas não à insolação global total, enquanto as alterações da órbita da Terra resultam em pequenas modificações da insolação global. Normalmente, estas propriedades estão em ciclos fora de sintonia, como notas discordantes tocadas em u m piano, mas, de vez em quando, elas se alinham, como notas criando um acorde. Milankovitch sugeriu que o fator crítico, que leva a um episódio glacial, é uma alteração na quantidade de insolação de verão em grandes latitudes. Parece que os episódios glaciais têm início não com o mundo todo ficando mais frio, mas com verões frios que impedem o derretimento do gelo. Em contraste, os verões durante períodos glaciais, podem ser mais quentes do que aqueles observados atualmente.

     

    É importante perceber que estes ciclos de Milankovitch têm existido por toda a história da Terra. Entretanto, foi somente após a formação da capa polar do Ártico, no Pleistoceno (possivelmente, mais cedo, no Plioceno) que houve gelo o suficiente para colocar o Hemisfério Norte em uma Idade do Gelo.


    Referência

    POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006. Tradução autorizada do original VERTEBRATE LIFE 6ª edição.

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