O furtivo rato-do-bambu

Vamos apresentar a vocês esse pequenino roedor especializado em comer brotos de bambu.

 https://www.bioorbis.org/2018/09/rato-do-bambu.html
O pequeno rato-do-bambu. Fonte da imagem: BioFaces.

VAMOS DESCOBRIR...

O rato-do-bambu (Kannabateomys amblyonyx) é um grande rato, com cerca de 25 cm de comprimento cabeça-corpo e 32 cm com a cauda. Ocorre habitualmente em bambuzais e taquarais, preferencialmente dentro das matas, alimentando-se de brotos destas gramíneas.


PESQUISAS SOBRE O RATO-DO-BAMBU


Em uma pesquisa feita na Argentina, foi observado que o rato-do-bambu (Figura 2) ocorre mais frequentemente em bambuzais localizados próximos à água, construindo ninhos no chão, ao pé das moitas de bambu. Parece viver em áreas bem definidas, ocorrendo em pequenos grupos familiares, com dois adultos e um ou dois filhotes.


Kannabateomys amblyonyx
Figura 2. O rato-do-bambu (Kannabateomys amblyonyx). Fonte da imagem: flickr.

Em um trabalho realizado em bambuzais exóticos (Bambusa tuldoides) (Figura 3) na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ, os pesquisadores verificaram que o rato-do-bambu é um roedor noturno, com pés e mãos finamente adaptadas ao hábito arborícola e ao manuseio do alimento. 



Defende territórios por meio de vocalizações e vive em pequenos grupos familiares formados por uma fêmea com um (talvez dois) filhotes e um macho, cujo território abrange o de uma ou duas fêmeas.


Bambusa tuldoides
Figura 3. Bambusa tuldoides. Fonte da imagem: CNSeed.

No ambiente estudado, os espécimes sempre utilizam-se de ninhos formados ao acaso no interior das moitas de bambu, a uma altura mínima de aproximadamente dois metros do solo. Sua alimentação é exclusivamente de brotos de bambu, sendo que sua época de reprodução está relacionada com o período de brotação vegetativa dessa avantajada gramínea.



O hábito arborícola (Figura 4) e a dieta específica de baixo valor energético, aliado à imobilidade e lentidão de movimentos na presença de um observador (comportamento críptico), sugerem que o rato-do-bambu, possui baixo metabolismo. A espécie é de difícil visualização, sendo que as sobras de brotos de bambu roídos sobre o solo ou as marcas de predação deixadas em colmos jovens da planta, denunciam sua presença nas áreas onde ocorrem.


Kannabateomys-amblyonyx
Figura 4. Kannabateomys amblyonyx. Fonte da imagem: BioFaces.

Segundo pesquisas feitas por Silva (1993), o rato-do-bambu só se reproduz uma vez por ano, cada fêmea gerando usualmente apenas um filhote, que leva praticamente um ano para alcançar a maturidade. 



Dos seis animais estudados neste estudo, apenas dois machos sobreviveram após o períodos de um ciclo biológico, não havendo, pois, reposição da população por reprodução. Os animais mortos e necropsiados apresentavam um quadro de severa inanição, o que pode estar ligado a uma adaptação fisiológica imperfeita do rato-do-bambu a espécies exóticas de bambu.

PRINCIPAIS AMEAÇAS


A extrema especialização alimentar do rato-do-bambu (Figura 5), somada à rarefação e/ou concentração de recursos, leva a uma singularização deste roedor, que pode estar sofrendo certo constrangimento genético.


Kannabateomys-amblyonyx
Figura 5. O rato-do-bambu em seu habitat natural. Fonte da imagem: BioFaces.

Na região da Reserva Biológica de Poço das Antas, o rato-do-bambu, que pode alcançar até 600 g de peso, era caçado como alimento, principalmente em bambuzais exóticos, tradicionalmente usados como demarcação de limites de propriedades. É possível que essa situação se repita nas áreas remanescentes de Mata Atlântica em Minas Gerias, onde a espécie ainda ocorre. Sua situação na IUCN é de pouco preocupante.



Referência
Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas. 1998.

Para finalizar veja um vídeo do canal Eden Federolf, sobre Rato-da-taquara (Kannabateomys amblyonyx).MOV:



NÃO DEIXE DE SEGUIR NOSSAS COLEÇÕES NO GOOGLE+:

 https://plus.google.com/collection/Ut3sQB https://plus.google.com/collection/YU0mQB https://plus.google.com/collection/8ZnoQB

Nenhum comentário:

Postar um comentário