Vocês já ouviram falar no furtivo rato-do-bambu?

Vamos apresentar a vocês esse pequenino roedor especializado em comer brotos de bambu.

https://www.bioorbis.org/2018/09/rato-do-bambu.html
O pequeno rato-do-bambu. Fonte da imagem: BioFaces.

VAMOS DESCOBRIR...

✅ Canal no Youtube | Inscreva-se AGORA ✅
https://www.youtube.com/channel/UCdjF1j_jYXGznBq955YWDoQ?sub_confirmation=1

O rato-do-bambu (Kannabateomys amblyonyx) é um grande rato, com cerca de 25 cm de comprimento cabeça-corpo e 32 cm com a cauda. Ocorre habitualmente em bambuzais e taquarais, preferencialmente dentro das matas, alimentando-se de brotos destas gramíneas.


Leia também:



Pesquisas sobre o rato-do-bambu


Em uma pesquisa feita na Argentina, foi observado que o rato-do-bambu (Figura 2) ocorre mais frequentemente em bambuzais localizados próximos à água, construindo ninhos no chão, ao pé das moitas de bambu. Parece viver em áreas bem definidas, ocorrendo em pequenos grupos familiares, com dois adultos e um ou dois filhotes.


Figura 2. O rato-do-bambu (Kannabateomys amblyonyx). Fonte da imagem: flickr.

Em um trabalho realizado em bambuzais exóticos (Bambusa tuldoides) (Figura 3) na Reserva Biológica de Poço das Antas, RJ, os pesquisadores verificaram que o rato-do-bambu é um roedor noturno, com pés e mãos finamente adaptadas ao hábito arborícola e ao manuseio do alimento.

Defende territórios por meio de vocalizações e vive em pequenos grupos familiares formados por uma fêmea com um (talvez dois) filhotes e um macho, cujo território abrange o de uma ou duas fêmeas.


Figura 3. Bambusa tuldoides. Fonte da imagem: CNSeed.

No ambiente estudado, os espécimes sempre utilizam-se de ninhos formados ao acaso no interior das moitas de bambu, a uma altura mínima de aproximadamente dois metros do solo. Sua alimentação é exclusivamente de brotos de bambu, sendo que sua época de reprodução está relacionada com o período de brotação vegetativa dessa avantajada gramínea.



O hábito arborícola (Figura 4) e a dieta específica de baixo valor energético, aliado à imobilidade e lentidão de movimentos na presença de um observador (comportamento críptico), sugerem que o rato-do-bambu, possui baixo metabolismo. A espécie é de difícil visualização, sendo que as sobras de brotos de bambu roídos sobre o solo ou as marcas de predação deixadas em colmos jovens da planta, denunciam sua presença nas áreas onde ocorrem.


Figura 4. Kannabateomys amblyonyx. Fonte da imagem: BioFaces.

Segundo pesquisas feitas por Silva (1993), o rato-do-bambu só se reproduz uma vez por ano, cada fêmea gerando usualmente apenas um filhote, que leva praticamente um ano para alcançar a maturidade.

Dos seis animais estudados neste estudo, apenas dois machos sobreviveram após o períodos de um ciclo biológico, não havendo, pois, reposição da população por reprodução. Os animais mortos e necropsiados apresentavam um quadro de severa inanição, o que pode estar ligado a uma adaptação fisiológica imperfeita do rato-do-bambu a espécies exóticas de bambu.

Leia também:

Principais ameaças ao rato-do-bambu


A extrema especialização alimentar do rato-do-bambu (Figura 5), somada à rarefação e/ou concentração de recursos, leva a uma singularização deste roedor, que pode estar sofrendo certo constrangimento genético.


Figura 5. O rato-do-bambu em seu habitat natural. Fonte da imagem: BioFaces.

Na região da Reserva Biológica de Poço das Antas, o rato-do-bambu, que pode alcançar até 600 g de peso, era caçado como alimento, principalmente em bambuzais exóticos, tradicionalmente usados como demarcação de limites de propriedades. É possível que essa situação se repita nas áreas remanescentes de Mata Atlântica em Minas Gerias, onde a espécie ainda ocorre. Sua situação na IUCN é de pouco preocupante.

Leia também:

Referência
Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas de Extinção da Fauna de Minas Gerais. Fundação Biodiversitas. 1998.

9 comentários:

  1. Respostas
    1. Boa noite amigo Emerson,

      Que bacana que seu sítio tem muito desses pequenos mamíferos, isso é um bom sinal, pois diz que ainda há populações deles bastante ativas na sua região. De onde você é? Teria como você tirar uma foto de algum deles e nos enviar por e-mail (meiovidavida@gmail.com)? Para que possamos colocar aqui no artigo? Pois essas imagens muitas podem ter direitos autorais e não conhecemos os autores, se for a sua e você permitir colocamos os devidos créditos a você na foto.

      Excluir
    2. Opa..eu tenho foto de uns..aqui na região do sul também..tirei ontem..mas eram enormes.. bem maior q 25cm..

      Excluir
    3. Ratos maiores do que 25cm? Tem certeza de que não eram capivaras?

      Excluir
  2. Vi esta semana um no meu sítio em Sete Barras no vale do Ribeira s.p
    Moro no bairro Guapiruvu e a foi avistada recentemente uma onça pintada

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bacana. E o avistamento seu da onça-pintada deve ter sido chocante.

      Excluir
  3. Tem um morando no telhado sa minha casa. Tem muito bambu no terreno. Para onde posso enviar foto para conferir se é da mesma espécie?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa noite Luciana,

      Pode enviar para nosso e-amil: meiovidavida@gmail.com

      E vamos tentar ver se é a mesma espécie.

      Excluir
  4. Presenciei a caçada e refeição do rato do bambu, em Registro S.P. O chamam de cujara! Preferi comer banana e arroz branco (Levítico 11)! abominacoes.net

    ResponderExcluir

Imagens de tema por andynwt. Tecnologia do Blogger.