Animais que são presas zombam dos predadores quando podem?

 Algumas espécies de gazelas tem um comportamento engraçado quando há um predador à espreita. Estariam se achando ou zombando do predador?


Será que essa gazela estava zombando de um predador? Fonte da imagem: https://imgur.com/1S9Wu6T


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Um comportamento distinto, chamado de "stotting" ou "pranking” em inglês, e em português “pular para cima” que consiste no salto vertical para o alto, que é utilizado por algumas espécies de antílope com dieta alimentar tipo II (dieta tipo II explicada logo abaixo) de dieta alimentar quando são ameaçadas por um predador (veja na Figura 2). A função dessa habilidade chamada de "stotting" não é clara para muitos biólogos e zoólogos. Ela pode ser um sinal de alarme par a avisar os outros indivíduos da espécie sobre a presença de um predador a espreita, mas a vantagem para o indivíduo que dá o sinal ainda não está clara.

 

O comportamento altruísta, desse tipo, está geralmente associado à seleção parental, mas os indivíduos em grupos de antílopes, com dieta tipo II, não são muito aparentados e, também, não demonstram outros tipos de comportamento altruísta, tais como a defesa dos mais jovens do bando.


Figura 2. Comportamento de "stotting" ou "pranking”. Fonte da imagem: POUGH, 2006.
 

Foi sugerido por alguns pesquisadores que alguns dos comportamentos destas espécies de presas, os quais foram considerados sinais de alarme altruístas, são, na verdade, sinais dirigidos diretamente ao predador pelos pés voadores da presa.


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O que é a dieta tipo II?

 

As espécies com dieta do tipo II são animais de pasto seletivo moderado. Eles se alimentam de mais porções do vegetal do que as espécies do tipo I, e podem apresentar alterações sazonais de dieta conforme exploram a disponibilidade de brotos e de frutas de alguma espécie particular de vegetal.

 

A gazela-de-Thomson (Gazella thomsoni) e o impala (Aepyceros melampus, Figura 3) pesam de 20 quilogramas a 100 quilogramas e apresentam dietas do tipo II. Estes animais apresentam um substancial dimorfismo sexual quanto ao tamanho corpóreo, os machos podem ter três vezes o tamanho das fêmeas. Eles são altamente dimórficos quanto à aparência: os machos têm cornos grandes e elaborados e podem apresentar pelos de cor diferente dos pelos das fêmeas. As fêmeas não têm cornos ou têm cornos que são muito menores que os dos machos.


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Animais que sinalizam para a presença de um predador

 

Sinais de alarme são dados por muitos outros tipos de vertebrados. Um exemplo familiar é a porção interior branca da cauda do veado. Um veado que nota a presença de um predador, à distância, não foge imediatamente, mas permanece observando. Ele pode mover sua cauda para cima e para baixo, expondo a superfície ventral branca em um a série de movimentos. Lebres europeias permanecem eretas, sobre seus membros traseiros, quando uma raposa se aproxima a menos de 30 metros. Com esta postura, a lebre é prontamente vista pela raposa.


Figura 3. Impala (Aepyceros melampus). Imagem de Ron Porter por Pixabay

 

Este tipo de comportamento não é limitado aos mamíferos. Por exemplo, diversas espécies aparentadas de lagartos com pés voadores, as quais vivem em habitats de deserto aberto, apresentam colorações dorsais que se misturam a o substrato no qual vivem e um padrão de branco e preto sobre as caudas. Estes lagartos permanecem de prontidão para a fuga, olhando por sobre os ombros para o predador. O rabo é curvado para cima - expondo o padrão contrastante de branco e preto sobre a superfície ventral - e movido de lado para outro.


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As presas zombam dos predadores?

 

Será possível que, em comportamentos deste tipo, o anima l está mandando um sinal para o predador detectado, e que o ataque não será bem sucedido, já que a presa está pronta par a fugir? Ou a presa está demonstrando sua determinação e força como um a forma de desencorajar a perseguição?

 

Essas hipóteses não são mutuamente exclusivas, e ambas são fundamentadas nas pesquisas de campo. Por exemplo, os guepardos perseguem 50% das gazelas que não realizam a técnica do "pular para cima", mas apenas 30% daquelas que realizam esse comportamento. Além disso, eles capturam cerca de 20% das gazelas que não realizam o "pular para cima”, e nenhuma das gazelas que apresentaram o comportamento de "pular para cima ". Entretanto, se a hipótese puder ser sustentada pelos experimentos, alguns exemplos intrigantes de aparentes sinais altruístas poderão ser reinterpretados com o comportamentos que beneficiam o indivíduo que dá o sinal da presença do predador.


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Referências

POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006.

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