Animais que vivem em bandos: vantagens de uma vida em sociedade

A sociabilidade ou viver em grupos e bandos, não está limitada às espécies de mamíferos que caçam em grupo, e as vantagens potenciais da sociabilidade não estão restritas ao comportamento predador.

 https://www.bioorbis.org/2019/03/animais-bando-sociedade.html
Elefantes em bando. Pixabay/Domínio Público.

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Os mamíferos podem derivar benefícios da sociabilidade em termos de evitar a predação e facilitar a alimentação, a reprodução e o cuidado dos mais jovens.

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DEFESA CONTRA PREDADORES


Uma provável vantagem da sociabilidade é a redução do risco de predação para um indivíduo que faz parte de um grupo, comparado ao risco de um indivíduo solitário. Os benefícios da vida em grupos e bandos para evitar a predação tomam muitas formas, mas a maioria delas podem ser agrupadas nas categorias que se seguem:

Mais Olhos, Mais Tempo


Um grupo de animais poderá detectar mais facilmente a aproximação de um predador do que um indivíduo sozinho, simplesmente porque um grupo tem mais olhos, mais orelhas e mais narizes para manter a vigília.

Como resultado dos vigilantes extras um indivíduo, em um grupo, pode ser capaz de devotar uma proporção maior de seu tempo à alimentação, se preocupando menos com os predadores do que um indivíduo solitário.

Um leão solitário passa em meio a bandos de outros mamíferos. Pixabay/Domínio Público.

Os mamíferos que vivem em grupos, geralmente, ocorrem em habitats abertos, enquanto as espécies solitárias são encontradas usualmente em florestas; tal relação pode refletir parcialmente os aspectos anti-predação da vida em grupo.

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Diluição, Confusão e a Manada Interesseira


Alguns dos benefícios da sociabilidade, para evitar os predadores, resultam da redução do risco de predação para um indivíduo que faz parte de um grupo, não para a espécie como um todo. A presença de um grande número de presas animais potenciais pode exceder a capacidade predatória de um número limitado de predadores se a presa só estiver presente por um período de tempo limitado.

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As zebras tem uma excelente camuflagem que confunde os predadores. Pixabay/Domínio Público.

Por exemplo, as grandes manadas nômades de gnus que seguem a inconstância das chuvas ao longo da savana africana contêm mais indivíduos que um grupo de cães selvagens pode comer durante o período que as manadas atravessam o território dos grupos residentes. E, quando os cães atacam uma manada, é criada uma confusão, assim que tentam separar um indivíduo e prossegui-lo entre um aglomerado de animais, onde todos têm a mesma maneira de aumentar a chance de um gnu escapar.

O benefício pode ser especialmente grande para os indivíduos que conseguem permanecer no centro da manada; os predadores perseguem e capturam indivíduos situados na periferia da manada antes de agarrar os que se encontram no centro. (Esta é a hipótese da manada interesseira, a qual propõe que a proteção que um indivíduo recebe por estar em um grupo depende do comportamento de outro indivíduo desse grupo - nem todos podem estar no centro.)

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Defesa em Grupo


Os grandes mamíferos sociais podem formar uma parede defensiva quando um predador se aproxima. É típico os adultos confrontarem o predador, mantendo os jovens e algumas vezes fêmeas escondidos atrás deles. O boi almiscarado (Ovibos moschatus) é o exemplo mais familiar desse comportamento, algumas vezes formam um ciclo completo, com os adultos formando uma fortificação externa para enfrentar um bando de lobos, e os jovens permanecem protegidos no interior desse círculo.

Sociabilidade e Reprodução


Agrupamentos de animais são fatores importantes dos sistemas de acasalamento e do cuidado parental.

Leões em grupo. Pixabay/Domínio Público.

O extenso período de dependência de muitos mamíferos jovens com seus pais cria um cenário no qual muitos benefícios da sociabilidade podem ser manifestados. O cuidado maternal dos descendentes é universal dentre os mamíferos, e os machos de muitas espécies também têm um papel no cuidado parental.  A vida em grupo fornece oportunidades para interações complexas dentre os adultos e os jovens, as quais envolvem diversos tipos de comportamento aloparental (cuidado fornecido por um indivíduo que não é parente do jovem sendo beneficiado). A criação colaborativa dos jovens de diversas mães é característica dos leões e de muitos canídeos.

Frequentemente, indivíduos fora de fase de reprodução se juntam às mães, protegendo e criando os jovens. Dentre os mangustos anões (Helogale undulata), este tipo de comportamento se estende ao cuidado dos adultos doentes; comportamentos similares são registrados para mamíferos tão diversos quanto os elefantes e os cetáceos. Muitos grupos sociais de mamíferos consistem de indivíduos aparentados, e estes ajudantes que não se reproduzem podem aumentar seu desempenho inclusivo por meio da assistência na criação dos descendentes de seus parentes.

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Referência
POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006. Tradução autorizada do original VERTEBRATE LIFE 6ª edição.

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