Como e por que as plantas soltam gotinhas de água pelas folhas?

Você talvez já viu em alguma planta ela soltar pequenas gotas de água? Se já viu ou não esse fenômeno se chama gutação. Mas por que e como elas fazem isso?


VAMOS DESCOBRIR...

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A maioria das plantas precisa de água, isso é obvio e todos sabem disso. Mas tudo em excesso é ruim não é mesmo? E para as plantas segue a mesma regra, e com isso elas utilizam um fenômeno chamado de gutação para eliminar o excesso de água pelas folhas. Mas antes de explicarmos como elas fazem isso vamos a fisiologia e anatomia básica delas.

O que são as folhas?


As folhas são órgãos adaptados à realização da fotossíntese. As duas principais características que evidenciam tal adaptação são a forma laminar das folhas (veja na Figura 2) e a presença de tecidos formados por células ricas em cloroplastos, os parênquimas clorofilianos. A forma laminar das folhas faz com que estes tecidos fotossintetizantes fiquem mais amplamente expostos à luz solar.

Figura 2. Anatomia básica de uma folha. Fonte da imagem: biologia.seed.pr.gov.br/

As folhas têm origem a partir de protuberâncias laterais dos caules denominadas primórdios foliares. Na maior parte das angiospermas as folhas têm crescimento limitado, isto é, ao atingirem determinado tamanho, característico da espécie, elas param de crescer.

TECIDOS VEGETAIS


A superfície externa de uma planta jovem é revestida pela epiderme, uma camada de células achatadas e bem encaixadas, sem cloroplastos. A função da epiderme é isolar e proteger os tecidos internos da planta.

Cutícula


As células epidérmicas secretam para o exterior substâncias impermeabilizantes, que formam uma película de revestimento denominada cutícula. O principal componente da cutícula é a cutina, um polímero feito de moléculas de ácidos graxos. Além de evitar a perda de água, a cutícula protege a planta contra infecções e traumas mecânicas.

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Estômatos


Os estômatos se localizam nas folhas, geralmente na epiderme inferior. Um estômato é formados por um par de células encaixadas (as células estomáticas) que têm forma de rim ou de haltere. As células estomáticas são as únicas epidérmicas que apresentam cloroplastos. As células estomáticas deixam entre si um orifício denominado ostíolo, através do qual os gases atmosféricos podem entrar e sair da planta. A abertura do ostíolo pode aumentar ou diminuir, de acordo com as alterações do volume das células estomáticas.

Pelos


Pelos são projeções epidérmicas constituídas por uma ou por várias células. Na raiz existem pelos absorventes, que aumentam significativamente a área epidérmica capaz de absorver água e sais minerais do solo. Nas folhas, os pelos tem geralmente a função de diminuir a perda de água por evaporação. Se forem abundantes e entrelaçados, os pelos aprisionam uma camada de ar saturada de vapor d’água, o que diminui a transpiração.

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Hidatódios


Os hidatódios (veja na Figura 3) são estômatos modificados, especializados em eliminar excessos de líquidos da planta. Eles que são os responsáveis pelo fenômeno da gutação.



O QUE É O FENÔMENO DA GUTAÇÃO E COMO ELE ACONTECE?


Como dito no início da postagem, você já deve ter visto uma planta onde na ponta de suas folhas tinha gotinhas de água saindo. Há situações em que a planta, embora saturada de água, continua a absorvê-la. Para eliminar o excesso é feita sob essas pequenas gotas que ocorre através dos hidatódios, que ficam nas bordas das folhas, onde terminam as nervuras.

Figura 3. Corte histológico de uma folha mostrando as células vegetais e detalha aos hidatódios. Fonte da imagem: liceuasabin.br

Esse fenômeno da gutação é mais observado à noite, em ambientes em que o solo e atmosfera estão saturados de água, sob temperatura alta. Como vocês podem ver no vídeo no início da postagem, onde eu estava em uma floresta de Mata Atlântica que no qual tinha chovido muito nos dias anteriores e as plantas no chão da floresta estavam eliminando esse excesso de água pela gutação.

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Condução da seiva bruta das plantas


O xilema apresenta os elementos de vaso e os traquídes, células mortas que se dispõem de modo a formar longos e estreitos canais desde a raiz até as folhas. Sendo estreitos, poderíamos supor que a água ascendesse por capilaridade, devido à propriedade de adesão e coesão que as moléculas de água possuem. Por capilaridade, a água sobe espontaneamente em tubos, e quando mais finos eles forem, mais alto a água subirá. A ascensão, no entanto, cessa quando o peso da coluna líquida torna-se maior do que adesão das moléculas de água à parede do tubo. Esse fenômeno é capaz de elevar a seiva bruta a menos de 1 metro do solo, não explicando o transporte em plantas maiores.

Existem ouras duas teorias para explicar a condução da seiva bruta das raízes até as folhas: pressão positiva da raiz e coesão-tensão.

A pressão positiva ou impulso da raiz está relacionada como o transporte ativo de sais para o interior do xilema da raiz, o que provoca aumento da concentração osmótica em relação à solução aquosa do solo. Com isso, há grande entrada de água por osmose no xilema da raiz, impulsionando a seiva bruta para cima.

Esse fenômeno está restrito a algumas plantas de pequeno por te submetidas a certas condições especiais, como solos ricos em água e umidade do ar elevada, ai vem a gutação pelos hidatódios.

A pressão da raiz não explica a condução da seiva bruta até a copa de árvores altas. O que melhor explica essa condução é a teoria da coesão-tensão, formulada pelo botânico Henry Dixon e, por isso, também conhecida por teoria de Dixon (veja na Figura 4).

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Teoria de Dixon


Segundo essa teoria, a perda de água por transpiração nas folhas atuaria como uma forma de sucção de água. A perda de água por transpiração nas folhas faz com que suas células fiquem com força de sucção aumentada. Com isso, tendem a absorver, por osmose, água do xilema, onde a concentração é menor. A água passa então do xilema para as células do clorênquima das folhas. Como as moléculas de água ficam muito coesas, elas permanecem unidas entre si e são puxadas sob tensão. Forma-se, assim, uma coluna contínua de água no interior do xilema, desde as raízes até as folhas.

Figura 4. Teoria de Dixon. Fonte da imagem: biogilde.wordpress.com/

Nessas condições, a água é absorvida do solo rapidamente pelas raízes ou mesmo sem elas. É o que acontece quando colocamos ramos de flores em vasos com água.

Segundo essa teoria da coesão-tensão, portanto, a absorção e a condução de água estão relacionadas com a transpiração.

Apesar de a teoria de Dixon ser uma explicação mais generalizada, os outros mecanismos podem ter importância relativa em função da altura, da espécie de planta e de condições ambientais.

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Referências
AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia dos Organismos, classificação, estruturas e função nos seres vivos. 1ª edição. Editora Moderna, 1998.
LOPES, Sônia; ROSSO, Sérgio. Biologia. Volume único. Editora Saraiva, 2006.

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