Mimetismo: imitação da vida

Imitar para sobreviver. Você provavelmente já ouvir falar no mimetismo dos animais, mas sabe como ele foi descoberto?


Uma abelha ou uma mosca? Imagem de Daniel Wanke por Pixabay


VAMOS DESCOBRIR...


✅ Canal no Youtube | Inscreva-se AGORA ✅

https://www.youtube.com/channel/UCdjF1j_jYXGznBq955YWDoQ?sub_confirmation=1


Até meados do século passado, os soldados em campanha envergavam uniformes coloridos, de preferência vermelhos. Assim foi com o exército de Napoleão, com o de Garibaldi, com a armada britânica. Havia uma forte razão para isso: os homens podiam distinguir seus companheiros dos inimigos. Um uniforme vistoso, ademais, dando aos soldados um aspecto imponente, até ajudava a levantar o ânimo.


Com o aperfeiçoamento das armas de fogo, porém ficou claro que as vantagens eram pequenas, comparadas com a grande desvantagem de oferecer ao inimigo um algo visível. Assim, os uniformes militares mudaram dos alegres vermelhos e azuis para o cinza, verde-escuro ou cáqui (cor de barro), que se confundiam com o terreno ou a mata, dificultando assim a localização. Depois, com a difusão das armas de longo alcance e dos bombardeios aéreos, tornou-se necessário esconder não só os armamentos portáteis como também os depósitos de munição, fábricas, em suma, qualquer coisa cuja destruição interessasse ao inimigo, mesmo se estivesse afastada muitos quilômetros a frente de combate. Assim surgiu a ciência bélica da camuflagem.


Logo se verificou que os maiores entendidos em camuflagem bélica, conjunto de meios para esconder homens e coisas dos inimigos, eram os naturalistas.


É que a própria natureza pratica a arte da camuflagem há milênios, desde que os animais imitam a vida para continuar a viver. Quando os animais aguçaram o sentido da visão para capturar suas presas, estavas tiveram que adotar a camuflagem para ficar a salvo dos ataques, enquanto outros bichos a usam para melhor descobrir suas vítimas. Com efeito, o colorido dos animais de grande porte permite que eles se confundam com o seu ambiente natural. Pequenas criaturas, como a lagarta e o gafanhoto, são adaptadas para imitar raminhos de folhas.


No mundo natural, tanto os animais como os vegetais só subsistem no meio em que vivem (apesar de eventuais condições adversas como clima, relevo, etc.) graças a uma série de adaptações.


Leia também:


A dissimulada natureza


A biologia chama de mimetismo a arte de dissimular que, em maior ou menor grau, é encontrada em toda a escala zoológica. Em alguns casos, ela alcança assombrosa perfeição. Entre essas dissimulações, a coloração é uma das mais importantes na vida animal, tanto para despistar os ataques como para facilitar a espreita.


Mas o mimetismo (do grego mimeonai, imitar ou arremedar) não é apenas uma adaptação de cores que leva o animal a se confundir com o meio ambiente ao seu redor (homocromia). É também a adoção de formas semelhantes aos objetos que são comumente encontrados em determinado "habitat" (mesoidismo).


Contudo, existem espécies inermes (sem armas de defesa) que, para se defenderem, simulam a forma e a atitude de outras espécies conhecidas e temidas por seus recursos ofensivos e defensivos. É o que acontece com certas cobras que imitam víboras, mariposas que parecem abelhas, etc.


Leia também:


A imitação da neve


A fauna das regiões polares e circumpolares apresenta uma coloração protetora que se adapta às condições desse ambiente. Os animais de zonas permanentemente cobertas de neve (urso polar, lebre do Ártico e raposa polar) tem pelos de imaculada alvura. Os que vivem em lugares em que neva apenas no inverno, dispõem de duas roupagens: uma branca e outra que imita os aspectos do terreno e da vegetação do ambiente.


Figura 2. Raposa do Ártico. Imagem de Bruno /Germany por Pixabay


Os simuladores do mar


Na fauna marinha, o mimetismo adquire características singulares, talvez porque no meio aquático seja mais acirrada a luta pela sobrevivência: organismos transparentes ficam praticamente invisíveis no meio da água (sifonóforos, medusas, crustáceos, alguns peixes); colorações furta-cores dos cefalópodes ou peixes, bem como a imitação de formas dos habitantes dos fundos coralíneos e de algas, constituem os exemplos insuperáveis de mimetismo. Um dos exemplos mais extraordinários de simulação do mar é dado pelos linguados e rodovalhos, peixes da família dos Pleuronectes, que são achatados para melhor se adaptaram aos fundos arenosos onde vivem, além de condicionarem sua cor às características do meio onde vivem. Isto pode ser constatado facilmente quando se transfere um desses peixes de um aquário contendo areia clara para outro com areia escura.


Leia também:


Insetos: os gênios do disfarce


Ao contrário do que se possa julgar, os animais superiores não estão mais bem preparados para defender-se das investidas de seus inimigos. Os insetos, com suas centenas de milhares de espécies, são os que apresentam os mais variados artifícios miméticos para sobreviver.


Assim como o camaleão (Chamaeleo vulgaris), exemplo típico de mimetismo cromático, certo tipo de gafanhoto, o Oedipoda caerulescens, adapta-se maravilhosamente à coloração do ambiente, como se pode observar na Figura 3. Com efeito, há no variadíssimo e populoso mundo dos insetos inúmeras e perfeitas imitações de folhas, ramos e casca de árvores, como também toda uma gama de matizes que vão desde a homocromia defensiva até a coloração protetora denominada "colorido de advertência", que aparece nas espécies providas de secreções tóxicas e fétidas.


Figura 3. Gafanhoto Oedipoda caerulescens, com duas formas de cores. Imagem de Hans Braxmeier por Pixabay. Imagem de Florian Pircher por Pixabay


Algumas espécies totalmente inofensivas adotam atitudes agressivas ou aspecto terrífico, com objetivo de incutir temor e, assim evitar o ataque dos possíveis inimigos. Uma espécie sul-americana de lagarta, a Caligo eurylochus, é chamada por isso de "olho-de-coruja", veja na figura abaixo.


Figura 4. Borboleta Caligo eurylochus. Imagem de birgl por Pixabay


Nos insetos que mudam de cor rapidamente, existem células localizadas sob a pele e em cujo citoplasma se encontram pigmentos, que podem ser de diversas colorações. Estas células recebem a denominação de cromatóforos (portadoras de cor) e reagem aos estímulos exteriores (temperatura, luz, calor, umidade) concentrando ou difundindo os pigmentos. Se todos os cromatóforos do organismo contêm pigmento escuro, o inseto se torna escuro quando os pigmentos se expandem, e claros quando eles se contraem. Estes pigmentos podem ser pretos, amarelos ou vermelhos. E quando os de uma cor se expandem, os de outra podem permanecer contraídos. Assim são obtidos disfarces de várias cores.


Nos casos em que o modelo imitado é um outro animal, o fenômeno do mimetismo apresenta geralmente, as seguintes características:


- O animal mimetizado (o modelo) acha-se protegido de alguma maneira, como, por exemplo, um gosto ou um cheiro desagradável; além disso, possui uma coloração de advertência e proteção;


- O modelo e o mímico (o que imita) devem ocupar a mesma área, ao mesmo tempo;


- O mímico deve adquirir uma semelhança muito grande com o modelo (coloração ou comportamento), uma vez que tem por finalidade enganar o predador. Este último aprende por si mesmo quão desagradável é o modelo, associando suas cores e uma sensação de náusea;


- Em certos casos, porém não é necessário que a semelhança seja exata, pois o objetivo não é enganar o predador, mas apenas sugerir-lhe a presença de certas qualidades perigosas ou repulsivas para simplesmente afastá-lo.

Nenhum comentário:

Imagens de tema por AndrzejStajer. Tecnologia do Blogger.