O náufrago: “Água, água por toda parte, nenhuma gota para beber”

Você está no oceano perdido. Sente uma sede insaciável. Você beberia a água do mar?

https://www.bioorbis.org/2017/07/o-naufrago.html
Cena do filme Náufrago. Fonte da imagem: El Hombre.
VAMOS DESCOBRIR...

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O título é uma rima do antigo marinheiro (The rime of the anciente mariner), de Samuel Taylor Coleridge (Figura 2).
Figura 2. O antigo marinheiro. Fonte da imagem: Wikia.

Náufragos no oceano, ou seja, marinheiros que sobreviveram à perda de seu navio enfrentam uma ironia. Expostos ao calor, desidratam. Estão rodeados por água; ainda assim, bebê-la só vai fazer as coisas piorarem.

A razão é que a água do mar é hiperosmótica em relação aos fluídos corpóreos. Se uma pessoa bebe água do mar, o sal é absorvido e os níveis osmóticos do sangue se elevam. Porém, para eliminar o excesso de sal do corpo, o rim precisa gastar tanta água ou mais do que foi originalmente engolida pelo sedento náufrago.

Figura 3. Osmorregulação de mamíferos marinhos. Fonte da imagem: SlidePlayer.

O resultado final é tornar o corpo ainda mais desidratado. Além disso, ainda há outro problema. A água do mar também contém sulfato de magnésio, um ingrediente utilizado em laxantes. Estimula diarreia e, portanto, ainda mais fluído é perdido através do trato digestivo.

Figura 4. Osmorregulação em peixes cartilaginosos. Fonte da imagem: SlidePlayer.

Muitos animais marinhos (Figura 3) resolvem esse problema de maneira diferente. Bebem água do mar, mas excretam o excesso de sal através de transporte ativo em glândulas especiais de sal (Figura 4), ao invés de eliminá-lo pelos rins com água. Isso lhe permite utilizar a água do mar, mas não prejudicar, tal como os humanos, o seu equilíbrio hídrico.

Referência 
Kardong. Vertebrados, Anatomia Comparada, Função e Evolução. 2011.

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