Vocês já ouviram falar na Gigantotermia?

O que os elefantes e as tartarugas-de-couro podem nos dizer sobre o metabolismo dos dinossauros?

 https://www.bioorbis.org/2019/06/descubra-o-que-e-gigantotermia.html

VAMOS DESCOBRIR...

Primeiramente, eles nos informam que quando comparamos animais de grande porte há muito pouca diferença entre as taxas metabólicas dos endotermos e ectotermos. A taxa metabólica de um elefante (Figura 3) de 4000 quilogramas equivale a 0,07 litros de oxigênio por quilograma por hora, enquanto que a taxa metabólica de uma tartaruga-de-couro (Figura 2) de 400 quilogramas é de 0,06 litros de oxigênio por quilograma por hora. 



Portanto, a distinção metabólica entre endotermos e ectotermos desaparece em animais de grande porte e discussões sobre a possibilidade dos grandes dinossauros terem sido endotermos ou ectotermos não têm sentido.

A TEMPERATURA CORPORAL E O TAMANHO


Animais de grande porte apresentam temperaturas corpóreas estáveis simplesmente porque são grandes. As tartarugas-de-couro empregam uma forma de termorregulação que foi chamada de gigantotermia (Paladino et al. 1990).



A grande massa corporal desses animais tem duas importantes consequências para a regulação da temperatura. Em primeiro lugar, ela produz uma enorme inércia térmica, de modo que a temperatura corporal muda lentamente.


Dermochelys-coriacea
Figura 2. Uma linda tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) Fonte da imagem: oversodoinverso.com.br

Em segundo, ela permite ao animal mudar a espessura efetiva do seu isolamento, através da mudança na distribuição do fluxo sanguíneo para a superfície versus interior do corpo. Quando uma tartaruga-de-couro está na água fria, ela pode reter em seu corpo o calor produzido pela atividade muscular, limitando o fluxo sanguíneo que flui para a superfície do corpo e empregando mecanismos de troca de calor por contracorrente nos seus membros.



Em águas mais aquecidas, quando precisa dissipar o calor metabólico para evitar super-aquecimento, ela pode aumentar o fluxo sanguíneo para a superfície e desviar o sistema contracorrente nos seus membros. Esses mecanismos, que permitem às tartarugas-de-couro fazerem jornadas migratórias de 10.000 quilômetros entre os oceanos árticos e os trópicos, foram, certamente, usados pelos dinossauros para estabilizar a temperatura corpórea.



Loxodonta-africana
Figura 3. Elefante (Loxodonta africana). Pixabay/Domínio Público.

As taxas metabólicas das tartarugas-de-couro foram usadas como base para simulações, em computador, das temperaturas corporais de dinossauros (Spotila et al. 1991). Três taxas metabólicas foram comparadas: (1) a taxa metabólica de repouso padrão para os répteis vivos; (2) a taxa de repouso medida para as tartarugas-de-couro, que é três vezes a taxa padrão dos répteis; (3) a taxa metabólica das tartarugas-de-couro enquanto elas estão escavando ninhos. Esse é um trabalho árduo e eleva a taxa metabólica cerca de 10 vezes a taxa padrão dos répteis. O modelo também incorporou duas taxas de fluxo sanguíneo (baixa = taxa em repouso, alta = cinco vezes a de repouso) e dois padrões de fluxo sanguíneo (baixo = fluxo para a superfície corporal ínfimo, alto = fluxo para a superfície corporal três vezes o fluxo para o interior do corpo).
Mesmo um animal relativamente pequeno, como o Deinonychus (que media cerca de 1,5 m de altura, veja na Figura 4), teria uma temperatura corporal de 10 a 11°C acima da temperatura do ar se tivesse a mesma taxa metabólica de uma tartaruga-de-couro em nidificação, uma baixa taxa de fluxo sanguíneo e baixa circulação sanguínea para a superfície do seu corpo.


Deinonychus
Figura 4. O pequeno Deinonychus. Fonte da imagem: ThoughtCo.

Portanto, as taxas metabólicas observadas nos grandes répteis parecem ser suficientes para permitir que, mesmo um dinossauro de pequeno porte, tenha uma temperatura corporal bem acima da temperatura do ar e animais maiores com taxas metabólicas mais altas do que as dos répteis atuais teriam morrido de super aquecimento.

Referências
Paladino, F. V., et al.  1990.  Metabolism of leatherback turtles, gigantothermy, and thermoregulation of dinosaurs. Nature 344:858-860.
POUGH, F. Harvery; JANIS, Christine M; HEISER, John B. A vida dos vertebrados. Atheneu Editora São Paulo, 2006.

Para finalizar veja um vídeo do nosso canal BioOrbis, sobre 🔬 O que é Biologia?:


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