Quais são os efeitos da fragmentação de habitat?

Se uma grande área sofrer um desmatamento ou mesmo por consequências naturais, ela ficará fragmentada, mas quais são os efeitos dessa fragmentação?

 https://www.bioorbis.org/2019/07/efeitos-fragmentacao-habitat.html

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Fragmentação dos habitats é o fenômeno onde uma área grande e contínua de um habitat específico é diminuída e/ou dividida em duas ou mais áreas. Essas novas áreas menores, separadas umas das outras por ambientes diferentes do original (muitas vezes degradados, ou construções humanas e catástrofes naturais), acabam se tornando mais isoladas.



Algumas características marcantes que diferenciam os habitats fragmentados dos naturais são:

- Diminuição da área de habitat;
- O aumento considerável da área de borda;
- E a aproximação do centro do fragmento de habitat da borda (ou seja a diminuição da área interna, que não tinha o efeito de bordas).



EFEITOS DA FRAGMENTAÇÃO DOS HABITATS


A fragmentação do habitat pode conduzir o processo de extinção através da diminuição da área total do habitat resultando em populações locais menores com maior probabilidade de extinção, apesar desta relação não ser linear nem igual para todas as espécies, pois, depende da sua susceptibilidade à estocasticidade demográfica, ou a sua manutenção pela estocasticidade ambiental.

Figura 2. Com um grande potencial de invasão, a Azadirachta indica, mais conhecida como nim, é nativa da Índia e foi distribuída em diversos países, especialmente em regiões de clima árido, sendo encontrada especialmente no nordeste brasileiro. Imagem de Bishnu Sarangi por Pixabay.

E aumenta o isolamento dos fragmentos remanescentes, aumentando o risco de extinção em espécies com uma capacidade menor de dispersão. Neste caso as populações mais isoladas são as primeiras a desaparecerem.


Para explicar em mais detalhes, em primeiro lugar, a fragmentação limita o potencial de dispersão e colonização de uma determinada espécie. Os animais que lá vivem não mais podem andar livremente em busca de novas áreas, já que existe uma barreira que os impede de se deslocarem. Isso é válido também para sementes de plantas, que podem ser dispersas pelo vento ou por animais (Figura 3), especialmente os frugívoros.



Um animal, ao tentar cruzar uma área livre, pode aumentar e muito suas chances de ser predado. A capacidade de forrageamento dos animais também é comprometida. Muitos animais alimentam-se e buscam recursos em locais diferentes de acordo com o período do ano, e, para isso, precisam deslocar-se livremente. A fragmentação de habitats impede esse deslocamento, comprometendo essa capacidade que é fundamental para a sobrevivência da espécie.



A busca por parceiros para o acasalamento e a polinização também ficam seriamente comprometidas. Assim, a fragmentação de habitats leva ao surgimento de duas ou mais subpopulações de uma espécie, limitadas a uma área restrita; aumenta-se as chances de endogamia. Dessa forma, é possível que, com o tempo, as populações entrem em extinção.


Outra consequência da fragmentação de habitats são os efeitos de borda (no link acima explicamos detalhadamente sobre o Efeito de Borda). As condições climáticas tendem a modificar drasticamente nesses locais. Nas bordas de uma floresta fragmentada, por exemplo, luz e temperatura aumentam, resultando em solos mais quentes durante o dia, mais frios durante a noite, e, especialmente, menos úmidos. Essas mudanças interferem no crescimento de plantas e de animais que mais dependem de umidade. A incidência de vento também aumenta, provocando estresse em plantas: folhas e galhos são perdidos, e as plantas ficam expostas a um solo seco. A umidade do ar diminui e a folha perde mais água por transpiração.

Figura 3. O canário-da-terra (Sicalis flaveola) são aves que podem dispersar sementes. Foto: Cleverson Felix.

Todas essas mudanças microclimáticas proporcionam um ambiente mais suscetível as intempéries, tais como as queimadas, que podem prejudicar ainda mais os pequenos fragmentos isolados.



E por último, essas áreas de borda maior propiciam uma colonização de espécies exóticas (Figura 2) nesse ambiente (tais como animais domésticos, espécies de solturas e entre outras), que competem com as nativas e podem até extingui-las.

Referência
Landa; Giovanni Guimarães. Ecologia – Uma ciência complexa vista sob uma linguagem simples. Fundação Mariana Resende Costa. Primeira edição – 2008.
Laury Cullen Jr.; Rudy Rudran; Cláudio Valladares-Padua. Métodos de Estudos em Biologia da Conservação & Manejo da Vida Silvestre. Editora UFPR.

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