Toxinas emprestadas: a curiosa interação entre a cobra e o sapo

Vamos apresentar a vocês uma amiga, mas cuidado com ela, essa serpente é capaz de usar suas defesas com o veneno de suas próprias presas.

https://www.bioorbis.org/2017/11/toxinas-emprestadas.html
A serpente-tigre (Rhabdophis tigrinus). Fonte da imagem: The Travelling Taxonomist.

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A serpente asiática Rhabdophis tigrinus (Figura 2) abastece suas defesas com toxinas armazenadas na presa natural que consome, um sapo venenoso (se ela já consegue predar um animal venenoso então já não é coisa boa concordam?).

Figura 2. A serpente asiática e sua presa tóxica, o sapo japonês (Bufo japonicus). Fonte da imagem: Happy Limbus.


O sapo e as glândulas tóxicas


Esse sapo possui glândulas de pele tóxicas para a maioria dos vertebrado, mas essa serpente pode tolerar essas toxinas. Puxa! Que animal resistente. De fato, com a digestão do sapo, a serpente sequestra essas toxinas (Figura 4) para serem transferidas para glândulas nucais (localizadas no pescoço) especiais.

Figura 3. O sapo japonês (Bufo japonicus). Fonte da imagem: New Scientist.

Quando a serpente é mordida por um predador, essas glândulas no pescoço explodem, liberando o conteúdo tóxico que produz uma queimação desagradável ou até mesmo cegueira, se for esguichada nos olhos, dissuadindo ou impedindo o atacante.

Figura 4. Note a quilha elevada no pescoço dessa serpente com colorido brilhante, onde são armazenadas as toxinas recolhidas do sapo venenoso, Bufo japonicus, o qual foi comido e digerido. Fonte da imagem: New Scientist.


A serpente e seu arsenal químico


Existem até mesmo algumas evidências de que a serpente fêmea pode passa as toxinas para os seus jovens embriões, equipando os jovens com um arsenal químico de defesa já pronto quando nascerem.

Figura 5. A serpente-tigre (Rhabdophis tigrinus). Fonte da imagem: The Travelling Taxonomist.

O comportamento de sequestrar toxinas nos invertebrados já é bem conhecido, porém, essa descoberta em R. tigrinus (Figura 5) pode levar à descoberta de sistemas semelhantes em outras serpentes que se alimentam de anfíbios com glândulas venenosas na pele.

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Referência
Kardong. Vertebrados, Anatomia Comparada, Função e Evolução. 2011.

Um comentário:

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