Como as formigas do deserto sobrevivem a altas temperaturas?

As formigas já são bem resistentes naturalmente, em casa ou nas florestas mais densas, mas e as que vivem no deserto? Como elas conseguem lidar com as temperaturas altas?

https://www.bioorbis.org/2015/07/formigas-resistentes-ao-ultravioleta.html
As formigas-prata (Cataglyphis bombycina) resistentes do deserto. Fonte da imagem: New Scientist.

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Um grau a menos no deserto pode ser sua salvação!


As temperaturas no deserto são muito altas, um grau a menos pode ser a salvação entre a vida e a morte, e essas pequenas formigas conseguiram achar através de processos evolutivos uma surpreendente adaptação.



Uma equipe internacional de entomologistas dos Estados Unidos e da Suíça foram os primeiros a demonstrar que as formigas prata (Cataglyphis bombycina, veja na imagem da entrada da postagem) usam um “casaco de pelos” em forma triangular exclusivamente para controlar as ondas eletromagnéticas através de uma gama extremamente ampla do espectro solar ao médio de infravermelhos, e que diferente mecanismos físicos são utilizados em diferentes bandas espectrais para realizar a mesma função da termorregulação.



As formigas-prata resistentes as altas temperaturas do deserto


As formigas-prata é uma espécie dominante nas dunas de areia do norte da África. Seus ninhos são enormes e profundos (veja na Figura 2), com múltiplas entradas separadas distantemente por vários metros.



Essas formigas são um dos animais terrestres mais termotolerantes conhecidos pela ciência. Elas conseguem caminhar e forragear a temperaturas acima de 50 Cº, e a sua máxima térmica e crítica pode chegar em média a 53,6 Cº.

Os entomologistas têm ficado confusos e intrigados como essas formigas. Se perguntando, como elas sobrevivem em tais condições extremas e estressantes?

Figura 2. Um ninho de formigas-prata (Cataglyphis bombycina) em Erg Chebbi, Marrocos: fora do ninho algumas formigas estão arrastando carrapatos de camelo; na entrada do ninho é um pedaço de esterco de camelo seco. Crédito da imagem: Bjørn Christian Torrissen / CC BY-SA 3.0.

Agora, uma equipe de cientistas, co-liderada pelo Dr. Nanfang Yu, da Universidade de Columbia e do Dr. Rüdiger Wehner da Universidade de Brain Research Institute de Zurique, descobriram que as formigas prata, tem na parte superior e os lados de seus corpos cobertos com um revestimento de pequenos pelos triangulares transversais que mantêm sua temperatura corporal.



Estes pelos melhoram não só a refletividade da superfície do corpo da formiga na faixa do do infravermelho, onde culmina a radiação solar (as formigas funcionam a uma velocidade de até 0,7 metros por segundo como gotas de mercúrio na superfície do deserto), mas também a emissividade da formiga a radiação térmica do infravermelho. Esse efeito de arrefecimento passivo funciona sob o sol escaldante, sempre que as formigas estão expostas para o céu claro.

"Para apreciar o efeito da radiação térmica, pense na sensação de frio quando você sai da cama de manhã. Metade da perda de energia nesse momento é devido à radiação térmica desde a sua temperatura da pele temporariamente está muito maior do que a do meio externo ao seu redor", disse o Dr. Yu, que é um co-autor do artigo publicado na revista Science.

Refletir a radiação solar para diminuir a temperatura escaldante do deserto


A equipe descobriu que a refletividade reforçada no espectro solar e maior eficiência térmica radiativa têm contribuições comparáveis ​​para reduzir a temperatura do corpo das formigas prata por 5 a 10 graus, como se as formigas estivessem sem a “tampa de cabelo”.

"O fato de que estas formigas prata podem manipular ondas eletromagnéticas em uma ampla faixa do espectro, nos mostra o quão complexa a função desses órgãos biológicos aparentemente simples de um inseto pode ser", disse Norman Nan Shi, da Universidade de Colômbia, principal autor do estudo.




"Esta solução biológica para um problema termorregulador pode levar ao desenvolvimento de revestimentos biomiméticos para arrefecimento radiativo passivo de objetos," concluíram os cientistas.

Referências
PERUZZO, Francisco Miragaia; CANTO, Eduardo Leite. Química na abordagem do cotidiano. Editora Moderna, 4ª edição. 2006.
Sites: Sri-news.com

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